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Dr. Kignel, tradição em SP

Ele é dentista, filho de dentista e pai de futuros dentistas. A tradição permeia toda a sua vida, mas no consultório as coisas mudam

Redação Pais&Filhos

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Com 50 anos de vida e 30 de profissão, Marcelo Kignel é um dos dentistas mais famosos e badalados de São Paulo. Tem duas clínicas e 18 funcionários. Mesmo com seus mais de 4 mil pacientes, reconhece todas as bocas e faz questão de fazer ele mesmo a limpeza em cada uma. Vaidoso na vida pessoal e profissional, conta que a estética está cada vez mais importante no consultório. Essa foi uma das grandes revoluções que viu acontecer na odontologia nos últimos anos. Na vida pessoal, apesar de ser um cara moderno, não abre mão das tradições: a odontologia veio do pai e já está passando para os filhos. A religião é celebrada toda semana em família. Para completar, uma herança que também está na terceira geração: massagem na hora de dormir.

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> O modelo do pai na sua casa é forte…

Pois é. A Nina, de 17 anos, vai fazer odontologia, e o Dudi, de 14, também quer seguir a profissão. Vai ser a terceira geração. A família adora odontologia. Minha síndrome de fim de semana é o contrário, domingo à noite falo: “Que bom, amanhã é segunda e vou para o consultório”. Adoro isso aqui. A odontologia mudou muito…

> E por quê, em que a odontologia mudou?

Gosto mais da odontologia hoje do que quando  me formei, há 29 anos. Nossa, quanto tempo…  Fiz a graduação em São Paulo e a pós na Noruega, em Bergen. Escolhi a Escandinávia porque eles são muito bons quando se fala em prevenção. Saí daqui especializado em gengiva, quando  cheguei lá e vi a criançada toda sem cárie, na cárie zero…

> As pessoas fora  do Brasil sabem escovar os dentes direito, melhor que nós?

Não, o brasileiro escova o dente muito bem. Toma mais banho e escova mais os dentes. A questão é que a cárie não está só ligada à escovação.

> Cárie tem a ver com alimentação, não é?

Também. Existe muita família em que o Joãozinho é o que melhor escova e sempre tem cárie, e a Isabela, que nunca faz nada, nunca tem cárie. O risco de cárie é variável. O diagnóstico começa por determinar  qual é o risco dessa criança. Normalmente crianças voltam no consultório de 6 em 6 meses. Mas tem crianças que podem ficar um ano inteiro sem vir ao consultório e vão ficar muito bem. Outras, se não vierem de 3 em 3 meses, terão problema.

> Como vocês avaliam esse risco?

O risco é dado pela qualidade e quantidade de saliva, tipo de placa bacteriana, consistência do esmalte etc. O dente está perdendo e ganhando cálcio o dia inteiro. A criança que perde mais cálcio do que ganha começa a ter essas descalcificações, que  podem ser  resolvidas antes de a cárie aparecer.

> Então, é  possível fazer o diagnóstico precoce da cárie?

Sim, bem precoce. Existe outra coisa chamada qualidade de saliva, que também varia de pessoa para pessoa. Tanto em relação à quantidade quanto à qualidade. Se eu jogar na sua boca uma gota de ácido cítrico, que descalcifica o dente, pode ser que ela seja rapidamente diluída na sua saliva. Posso fazer a mesma coisa em outra boca e duas, três horas depois a pessoa ainda estar com o efeito daquele ácido.

> A alimentação entra nessa história toda de que forma?

A dieta mexe muito, mas ao contrário do que se pensa, o problema não é a quantidade de açúcar que se ingere e sim a frequência dessa ingestão. Imagine uma criança que come um quilo de chocolate todo dia às 9 da manhã e outra que pega uma barrinha pequenininha de 50 g, divide em 10 pedaços e come 5 g a cada três horas. Não estou dizendo que está certo, é só para entender o mecanismo… Essa criança das 5 gramas terá queda de pH e descalcificação a cada três horas! Percebe?  Depois da terceira queda, a saliva não tem mais condição de repor o cálcio. A saliva daquela que comeu o quilo demorou meia hora para resolver o problema, mas depois passa o dia inteiro bem.

> Com que idade é ideal começar a levar ao dentista?

De 2 anos e meio a 3 anos. Com 20 meses a dentição está completa. Eu, com quase 30 anos de consultório, já atendo a minha segunda geração de pacientes, às vezes até a terceira geração. Quando voltei da Noruega, estava com essa história de prevenção na cabeça, me dediquei muito a isso, mas a vida vai nos levando para outros lugares. Atualmente, a clínica está muito focada na questão da estética. A metade do meu dia, às vezes até mais, é dedicada à estética.

> Isso porque existe uma procura cada vez maior pela parte estética?

A turma dos 20, 30 anos basicamente não tem cárie. Mas eles procuram a estética dos dentes. Nós, latinos, somos muito ligados em estética, mais do que o europeu. E dente realmente é tudo! A nossa grande finalidade aqui no consultório é fazer a pessoa ganhar pontos com o sorriso. Porque sorriso é muito importante, faz muita diferença.

> Um sorriso mostra que a pessoa está bem.

Mostra muitas coisas: saúde, higiene, bem-estar. Existe uma coisa muito importante que é chamada de harmonia do sorriso. Explico: a pessoa sorri para você e no seu subconsciente – é muito rápido, é uma fração de segundo –  você pensa “ai, que sorriso bonito”. Aquela imagem fica ali. Ou, quando o sorriso não é harmônico, alguma coisa te incomoda. Vou dar um exemplo bem bobo: tem pessoas que têm a altura da gengiva dos dois dentes da frente diferente. Esse sorriso não tem harmonia. Para resolver esse problema, bastam apenas 15 minutos! Mas é preciso alguém olhar, sacar e falar “se você fizer isso, você ganha aqui”. Hoje existe o mockup…

> O que é isso, uma amostra?

Exatamente. No caso do mockup de boca, a gente senta o paciente na cadeira e fala “vou construir na sua boca agora, em meia horinha, aquilo que você pode melhorar e onde, para você poder enxergar”. E fotografamos as diferenças, para poder comparar. Dessa forma, a pessoa começa a perceber os problemas, como aquele dente realmente é pequeno ou se todos os dentes são retos e um só é arredondado, o que já faz diferença.

> E como é essa técnica do aparelho transparente?

Em 2001, num congresso americano, tive contato com