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Gêmeas siamesas que dividiam coração falecem seis dias após o nascimento

Elas nasceram de 34 semanas e pesavam 3,4kg

Maria Luiza Cardone

Maria Luiza Cardone ,Filha de Carla e Luiz

(Foto: Getty Images)

Nesta última quinta-feira (26), gêmeas siamesas que nasceram unidas pelo tórax, abdômen e compartilhando o coração, morreram na tarde de ontem (02), em Goiânia. O  Hospital Estadual Materno Infantil Jurandir Nascimento (HMI), onde as duas irmãs ficaram internadas e em observação, revelou que a causa da morte foi a má formação cardíaca.

Elas nasceram de 34 semanas e pesavam 3,4kg. O enterro vai ser na cidade natal da família. Desde 2000, foram registrados 41 nascimentos de gêmeos siameses no Hospital Materno Infantil (HMI), que já realizou 18 procedimentos de separação.

Irmãs dividem órgãos (Foto: Reprodução)

Os médicos responsáveis pelo caso das meninas, havia explicado que se passava por uma situação muito complicada, já que uma das gêmeas nasceu com má formação cardíaca. Além de dividirem o coração, uma das meninas não desenvolveu um dos ventrículos.

“Geralmente os cinco primeiros dias são cruciais. Como elas tinham um coração único e um ventrículo bem pouco desenvolvido, sobrecarregou o coração da outra, e com essa sobrecarga, não sobrevive – porque o coração é muito pequeno e ele não tem força para se manter sozinho”, explicou o médico.

Casos que deram certo

Uma equipe de médicos da Hungria e de Bangladesh conseguiram separar duas gêmeas siamesas de 3 anos unidas pela cabeça, em uma cirurgia que durou mais de 30 horas.

A cirurgia, que aconteceu em um hospital militar de Bangladesh, começou na quinta (1) e aconteceu durante 33 horas de trabalho. As meninas estão sob observação.

“Os médicos nos disseram que as duas evoluem bem e estão em situação estável”, disse o pai das meninas Rabeya e Rukiya, Rafiqul Islam, em entrevista à agencia Efe.

O pai agradeceu a ajuda recebida tanto em Bangladesh como no exterior. Na Hungria, as meninas foram preparadas durante 7 meses para a cirurgia e, em 22 de julho, ambas retornaram a Bangladesh.”Hoje nos sentimos aliviados”, comemora o pai, que sabe que o processo de recuperação será longo.

(Foto: Reprodução/EFE/Abir Abdullah)

As meninas nasceram em 16 de julho de 2016 no distrito de Pabna, no norte de Bangladesh. Segundo o pai, os médicos nunca disseram que o casal teria gêmeas e apenas foram informados de que sua filha tinha uma cabeça com um tamanho maior que o normal. “Foi triste quando vimos que as duas meninas tinham nascido com uma só cabeça”, explicou.

Apesar disso, as meninas não tinham problemas para serem alimentadas e agiam normalmente — exceto que quando uma dorme, a outra está acordada, e quando uma ri, a outra chora.

Mais tarde, uma equipe médica do hospital universitário Bangabandhu Sheikh Mujib de Daca começou a avaliar a possibilidade de operar as siamesas, uma cirurgia considerada de grande complexidade para a qual foi pedida ajuda estrangeira.

Também temos exemplos brasileiros:

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é uma referência nacional por realizar operações de alta complexidade, como o caso de Maria Ysadora e Maria Ysabelle, gêmeas siamesas que nasceram ligadas pela cabeça. O Profissão Repórter, da TV Globo, acompanhou a história das meninas para ver a recuperação delas, que recentemente completaram três anos e fizeram a última cirurgia há oito meses.

Em 2018, a equipe do HC de Ribeirão Preto realizou a cirurgia com a ajuda de especialistas dos Estados Unidos. A operação levou 21 horas de trabalho. “A raridade, nós estamos falando aqui de um caso para 2,5 milhões de nascidos vivos. E, ainda assim, sendo tão rara, a cada quatro crianças que têm uma união pela cabeça, só uma tem condição de ir para a cirurgia”, afirmou o neurocirurgião pediátrico Ricardo Santos de Oliveira ao Profissão Repórter.

O americano James Goodrich, neurocirurgião pediátrico, acompanhou pessoalmente a cirurgia para poder ajudar. E ele conta que até 2004, o mais comum era que a mãe escolhesse qual criança iria sobreviver, decisão difícil que deixava traumas permanentes na família. Sendo assim, ele e um colega de trabalho desenvolveram uma técnica para executar várias cirurgias preparatórias ao longo de um ano.

Depois de um mês separadas, Ysabele e Ysadora entraram num processo de reabilitação. Os médicos e fisioterapeutas arriscaram na capacidades dos cérebros das meninas de conseguirem criar novas conexões para que as meninas consigam ganhar autonomia. “Elas passaram dois anos em uma situação de difícil estimulação. A gente conversa com os pais mostrando que ainda tem um caminho pela frente. A gente precisa que elas sustentem o pescoço, que elas sentem sozinhas para a gente almejar uma marcha”, afirmou Carla Caldas, neurologista chefe de reabilitação pediátrica.

Porém, hoje em dia, as meninas já conseguem ter sustentação no pescoço, ficam de pé com a ajuda dos pais e até falam “papai”. O acompanhamento para a evolução das duas acontece no hospital de Fortaleza, junto ao neurocirurgião Eduardo Jucá, que foi o responsável por ter levado as crianças até o HC de Ribeirão. E o próximo passo que a família sonha é que daqui uns meses elas possam correr.

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