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Mãe de menina de 7 anos com 40 larvas na cabeça fala pela primeira vez sobre o caso

Ela explicou que os moradores da região estão fazendo comentários maldosos e tem medo de ser perseguida

Cinthia Jardim

Cinthia Jardim ,filha de Luzinete e Marco

A larva é identificada como “berne” (Foto: reprodução / G1)

Nesta sexta-feira, 11 de outubro, a mãe da criança, de sete anos, que teve a cabeça infestada por 40 larvas se pronunciou pela primeira vez. A menina não corre risco de morte e já teve todos os parasitas retirados, depois de ficar internada por uma lesão grave no Hospital Irmã Dulce, na Praia Grande.

Em entrevista ao G1, a mulher contou que assim que viu o machucado na cabeça da filha a levou para o hospital: “Foi muita oração e muita fé. Assim que vi a ferida na cabeça dela, fui correndo ao médico. Fiquei apavorada, comecei a chorar, mas não saí do lado dela desde então. A minha prioridade é cuidar dela. O mais importante para mim é que minha filha fique bem. Eu a amo muito”.

As larvas foram retiradas por um veterinário (Foto: reprodução / G1)

Depois que o caso tomou uma proporção maior, a dona de casa, que prefere não ser identificada, disse que ficou com medo de sair de casa e ser linchada por outras pessoas: “Estou com muito medo até de sair para rua, porque tem pessoas querendo me linchar pelo que aconteceu com a minha filha. É muito complicado. Além de passar por toda essa situação com ela, ouvir comentários desse tipo, tão horríveis, me fazem mal. O que precisamos agora é de força e não de comentários negativos”.

Entenda o caso

A criança tinha um ferimento aberto na cabeça (Foto: reprodução / G1)

Na quinta-feira, 3 de outubro, uma menina, de sete anos, foi internada por causa de uma lesão com parasitas na cabeça. O caso aconteceu na Praia Grande, litoral de São Paulo e a criança ficou no Hospital Irmã Dulce. Ela permaneceu em atendimento no local até a sexta-feira, 4 de outubro.

Pela gravidade, o Conselho Tutelar está investigando o caso e a Unidade de Pronto Atendimento, local que a menina foi levada de início, acionou a equipe. De acordo com o G1, um dos vizinhos, que não teve o nome divulgado, disse que a família da criança vive em vulnerabilidade social, e que antes, ela já tinha um ferimento na cabeça, o que permitiu a entrada do parasita.

Os médicos afirmaram que o verme é chamado de “berne” no nome popular, e é mais comum aparecer em animais, mas pode ser passado para os seres humanos. Até o momento, o estado de saúde da criança e os procedimentos médicos ainda não foram divulgados.

De acordo com o nosso colunista e pediatra, Dr. Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia, a berne pode aparecer em qualquer lugar, porque ela fica embaixo da pele. Pode ser nas costas, no braço e até mesmo na orelha.  “A mosca deposita a larva e ela vai crescendo. Depois forma-se um caroço e essa larva pode virar até mesmo uma outra mosca em casos extremos”. É necessário que haja um ferimento para a entrada na cabeça, mas ele afirma que é muito difícil chegar ao cérebro, pois ela se alimenta de tecido subcutâneo.

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