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Menina de 3 anos é levada para Holanda depois da mãe ter sido acusada de sequestro

Ela foi para o país pelo pai alemão

Ingrid Campiteli

Ingrid Campiteli ,filha de Sandra e Paulo

A mãe e a menina (Foto: Reprodução / Folha)

Uma menina de 3 anos foi surpreendida com a visita de agentes da Polícia Federal e oficiais de Justiça na creche que frequentava, em Vitória, no Espírito Santo. A menina foi levada à Holanda em 16 de setembro, depois da decisão da Justiça. Ela nem teve tempo de se despedir da mãe.

A criança estava no meio de uma briga judicial entre os pais, Ana Maria Monteiro e Steffen Bayer, um alemão que viv na Holanda. O ex-casal está passando por um divórcio litigioso, e o pai entrou com pedido de restituição da guarda da filha depois da mulher e a filha viajarem de férias para o Brasil, com a autorização mas não retornarem.

A sentença da 5 ª Vara Federal Cível de Vitória determinou que a menina voltasse à Europa em cumprimento à Convenção de Haia, um tratado internacional ratificado pelo Brasil desde 2001. Segundo a Folha de S.Paulo, a mãe alega que a juíza não quis ouvi-lá, não ofereceu acordo e nem pediu perícia psicossocial da criança.

Ana disse que tinha passagem de volta para a Holanda no início de fevereiro de 2018, mas que antes disso teve forte dores no peito, falta de ar e vômito e acabou sendo levada para um pronto-socorro. Pelo risco de ter um infarto, ela foi orientada a não viajar e fazer mais exames.

Então, a mãe enviou ao tribunal holandês os laudos de três cardiologistas dizendo que estava sob suspeita de doença cardíaca e a audiência do divórcio foi remarcada para junho. Mas em abril, o ex-marido a denunciou por sequestro internacional. “Eu não vim com intenção de ficar no Brasil nem de separar minha filha do pai, mas tomei essa decisão por conta da acusação e do pedido de guarda unilateral [feita por Beyer na Holanda]”, disse a mulher à Folha.

Ela nem conseguiu dar tchau para a menina. “A sentença foi cruel e sigilosa. Determinou que a busca e apreensão fosse feita na creche, e a direção só pôde me comunicar quando ela já estava no aeroporto. Eu não sabia qual era o voo, a companhia aérea nem o horário. Trataram minha filha de três anos como um objeto, um pacote a ser despachado”, contou.

A defesa do alemão afirma que não existe nenhum registro de ocorrência que impeça a mãe de voltar ao país europeu nem que a coloque em risco de ficar presa. Afirmam ainda que ela infringiu uma norma internacional ao reter a criança ilegalmente no Brasil quando houve uma decisão na Holanda de guarda compartilhada. Ou seja, ela pode ter de responder o processo lá, mesmo que não seja presa.

“Ele me coagia, me intimidava, sabia que eu estava sozinha e mal falava a língua do país [onde viviam]. Era uma tortura psicológica e financeira, porque ele tem muito dinheiro”, disse o que aconteceu depois do divórcio dos dois.

A guarda definitiva da criança ainda não foi decidida. E desde que a menina foi para Holanda, a mulher só conseguiu falar com ela três vezes. “A primeira coisa que ela me falou foi ‘mamãe, vem me buscar’. Na nossa segunda ligação, ela perguntou ‘mamãe por que você não tá aqui?’ e nessa última um ‘mamãe queria que você viesse aqui’. Minha filha está triste, abatida, chorosa”, afirmou.

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