Mulher grávida é demitida e faz desabafo: “Nem toda empresa sabe ser humana”

Aline Kosuzinski divulga em seu Linkedln o que passou para ser demitida enquanto estava grávida

Mulher grávida trabalhando (Reprodução: gettyimages)

Aline Kosuzinski  estava grávida de 4 meses quando foi alertada por seu chefe que seria demitida. Segundo ela, a empresa já havia colocado outra pessoa para substituir o seu lugar. No final do seu período na empresa, foi posta para trabalhar no arquivo, o qual era sujo e necessário carregar caixas. Aline precisou esperar até o oitavo mês para receber a licença maternidade, porém dentro desse intervalo ela recebia muitas importunações em casa do RH.

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Ela utilizou o Linkedln para desabafar sobre o transtorno no trabalho, mostrando sua compreensão para todas as mulheres que passam por isso.

” O coordenador da área me chamou na sala dele, eu estava grávida de 4 meses e ele me demitiu, eu ficaria trabalhando até sair de licença, teria minha licença maternidade e que não voltaria a trabalhar lá. No mês seguinte já tinham contratado alguém para a minha posição, e eu ficava parte do tempo ensinando à ela. Assim que ela aprendeu o trabalho e não precisava mais de ajuda, me colocaram em uma salinha pequena e empoeirada, cuidando dos arquivos e carregando caixas com papéis. Quando a minha médica me perguntou se estava tudo bem, eu comecei a chorar e vimos que eu havia perdido peso. Ela me afastou por alguns dias e quando entrei no oitavo mês pude entrar com a licença maternidade. E por incrível que pareça, isso não foi o pior, a responsável pelo RH me ligou várias vezes durante a licença para dizer que eu seria descontada dos 40% do FGTS, por que segundo ela eu que pedi as contas. No final deu tudo certo, minha supervisora informou que eu havia sido demitida e que receberia tudo o que fosse de direito. Meu filho completou 8 anos essa semana, e essas lembranças vieram. Nem todo mundo tem habilidade para ser gestor, nem toda empresa sabe ser humana, mas ainda bem que nem todas mulheres passam por isso!”

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MAIS COMUM DO QUE PARECE

De acordo com uma pesquisa feita pelo Correio Braziliense, mais da metade das mulheres grávidas são demitidas.

Isso acontece porque após as mulheres engravidarem, as empresas começam a ter preocupações com gastos futuros. Além da licença maternidade, há preocupações com faltas  e atrasos causados pela rotina materna.

Por outro lado, pesquisas apontam que mães são bem mais produtivas e possuem mais responsabilidade e criatividade na hora de exercer suas tarefas.A influência das mulheres no mercado de trabalho é evidente. Entre 2005 e 2015, o número de famílias compostas por mães solo subiu de 10,5 milhões para 11,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de lares brasileiros chefiados por mulheres cresceu de 23% para 40% entre 1995 e 2015, de acordo com a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, de 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A CONSTITUIÇÃO TE PROTEGE

Assegurada por lei desde 1943, a licença maternidade atendeu mais de 53 mil brasileiras em 2018, pelos dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. “Atualmente, o empregador é obrigado a conceder 120 dias, mas é possível estender até 180 para os que aderirem ao programa Empresa Cidadã, que gera benefícios fiscais para os contratantes”, conta o advogado João Badari, especialista em direito previdenciário do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados.

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