“Pedi a Deus que nos devolvesse pelo menos um”, diz mãe que perdeu dois filhos na chuva em Minas Gerais

A mulher, os filhos e o marido foram arrastados por uma tromba d’água

Resumo da Notícia

  • Laureana e família foram arrastados por uma tromba d'água
  • As crianças mais novas foram mortas pela água
  • João Vitor Salim foi resgatado pelo tio
  • Os pais sobreviveram

 

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(Foto: Reprodução / Jornal O Tempo)

Laureana Fagundes da Silva, de Minas Gerais, viu os três filhos serem arrastados após uma tromba d’água na cidade de Alto Jequitibá, na Zona da Mata.”A partir da hora que percebemos que tudo tinha acabado, pedimos a Deus que nos devolvesse pelo menos um e que nos desse a dignidade de poder enterrar nossos filhos, que eles não sumissem na lama. Então Deus salvou um e nos devolveu dois para velarmos”, disse ao jornal O Tempo.

Tudo começou quando uma chuva forte atingiu Minas Gerais, na última sexta-feira, 24 de janeiro, e encheu o rio da cidade arrastando a família da mulher. Ela, o marido, e os três filhos estavam em casa quando foram levados pela correnteza com força da água. As crianças mais novas, Isadora Fagundes Salim, de 1 ano e 10 meses e Eduardo Fagundes Salim, de 7 anos, não resistiram e morreram.

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“Tentei salvar a Isa (Isadora Salim), mas ela estava presa debaixo d’água. Estávamos prensados, tinha algo a frente e atrás nos prensando. O Vitor (João Vitor Salim) parece que foi para o outro lado. O Dudu (Eduardo Salim) passou por mim muito rápido, conversou comigo e disse que tinha algo puxando a roupa dele.  Eu o abracei, dei um beijo e disse que o amava. Nessa hora o que estava nos prendendo soltou e fomos arrastados outra vez. Passou pela minha cabeça que eu estava perdendo meus filhos e que eu também ia morrer”, lamentou Laureana.

Ela e o marido sobreviveram  e o filho mais velho João Vitor Salim, de 11 anos, segurou a uma cerca e também sobreviveu. O menino foi resgatado por um tio.

“A gente foi jogado um em cima do outro, ai o Zé (marido da Laureana) me segurou, fomos arrastados para um aterro e seguramos a um coqueiro. Depois de ficar horas gritando por ajuda, a gente não conseguia localizar as crianças.”, contou a mulher. “Nunca senti tanta dor e medo de ser arrastada pela água. é muito injusto”, complementou.

Para tentar diminuir o mínimo possível da dor, a mulher se apegou a Deus.  “O que me consola um pouquinho é imaginar que Isa estava dormindo e morreu dormindo e Dudu espero que tenha batido a cabeça e não tenha sofrido. Eu acredito em Deus e Deus não deixa anjos sofrerem muito. Eu creio”, disse.

 

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