Secretaria de Osasco conta que bebê de 4 meses que morreu com sarampo tinha outras complicações

O caso ocorreu no início de agosto e a menina era tratada com antibióticos

Vacine seu filho contra o Sarampo, é muito importante (Foto: Getty Images)

Menina de 4 meses, infectada pelo sarampo no início de agosto, na região metropolitana de São Paulo, demonstrava histórico de doenças pulmonares. A morte foi registrada na última sexta-feira, 30 de agosto, e já é a terceira confirmada. Os médicos tentaram usar antibióticos para combater a doença, que foram tomados semanas antes da bebê contrair o vírus. As informações foram divulgadas no último sábado, 31 de agosto, pela Secretaria do Município de Osasco.

Um menino de nove meses,  também vítima da doença, foi infectado antes da nova regra, no meio de julho deste ano. Mesmo sido atendido pela rede particular, faleceu em 6 de agosto, na capital. No caso da menina de quatro meses, as condições de doenças pulmonares foram consideradas um fator de risco na contração do vírus. Ela não poderia ter sido imunizada por causa da idade, assim como afirma o protocolo especial. Os sintomas dos dois começaram com pneumonia, uma das complicações mais comuns da infecção do sarampo.

Por questões de segurança e eficácia, as duas doses da vacina devem ser dadas aos 12 e 15 meses, porém, por conta do surto que está acontecendo no país, o Ministério da Saúde determinou que a imunização poderia ser feita a partir dos 6 meses. A imunização da “dose zero” continua sendo aplicada em bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias em creches/CEI e também em postos de saúde.

Entenda sobre a “dose zero”:

(Foto: Getty Images)

O Ministério da Saúde anunciou que, a partir do dia 22 de agosto, os bebês de 6 meses a 1 ano de todo o Brasil devem ser imunizados contra o sarampo. A recomendação vale até para as cidades em que a doença não foi identificada ou onde não há surto ativo.

Essa medida preventiva, que já valia para a população da cidade de São Paulo desde 25 de julho, deve alcançar 1,4 milhão de crianças, que não receberam a dose extra, chamada de ‘dose zero’, além das previstas no Calendário Nacional de Vacinação, aos 12 e 15 meses. Para isso, o Ministério da Saúde vai enviar 1,6 milhão de doses a mais para os estados. O objetivo é intensificar a vacinação desse público-alvo, que é mais suscetível a casos graves e óbitos.

Na terça-feira do dia 20 de agosto, o Ministério da Saúde divulgou novo boletim com os casos de sarampo. O Brasil registrou entre 19 de maio a 10 de agosto de 2019, 1.680 casos confirmados de sarampo, em 11 estados: São Paulo (1.662), Rio de Janeiro (6), Pernambuco (4), Bahia (1), Paraná (1), Goiás (1), Maranhão (1), Rio Grande do Norte (1), Espírito Santo (1), Sergipe (1) e Piauí (1).

“O Ministério da Saúde está fazendo uma medida preventiva. Nós estamos preocupados com essa faixa etária porque em surtos anteriores foram as crianças menores de um ano que evoluíram para casos mais graves e óbitos. Por isso, é preciso que todas as crianças na faixa prioritária sejam imunizadas contra o vírus do sarampo, considerando a possibilidade de trânsito de pessoas doentes para regiões afetadas e não afetadas”, esclareceu o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, em comunicado à imprensa.

É importante reforçar que a chamada dose zero serve apenas para proteger o bebê contra o vírus até que ele tome a primeira dose da vacina aos doze meses. A longo prazo, a dose zero não oferece proteção significativa, por isso, ela deve ser tomada como algo adicional, mas não substitui as vacinas presentes no calendário de vacinação. Ou seja: independentemente do seu filho tomar ou não a “dose zero”, ele precisa continuar seguindo o calendário normal de vacinação. Os bebês que tomarem a dose zero contra o sarampo devem esperar trinta dias até a primeira dose da Tríplice Viral.

(Foto: Getty Images)

Por que se vacinar?

Enquanto é pequeno, seu filho não tem o poder de escolha sobre a vacinação e depende exclusivamente de você. Imunizar a família toda também funciona como um ato coletivo. Pense que, para uma doença conseguir sobreviver e se propagar, é preciso que outras pessoas estejam infectadas. Quanto mais gente protegida, o ciclo de um vírus ou bactéria se encerra e a doença pode ser erradicada. “Exceto para as doenças com exposição de risco individual, como o tétano e a febre amarela, a vacina funciona como uma arma coletiva da redução de circulação do agente infeccioso”, explica a pediatra Melissa Palmieri, membro da Sociedade Brasileira de Imunizações e coordenadora médica de vacinas do Grupo Hermes Pardini, filha de Antônio Carlos e Maria. Segundo a especialista, não faz sentido deixar que doenças erradicadas há décadas voltem a aparecer como ameaça.

Quais os sintomas do sarampo?

A fase inicial lembra um resfriado. A criança pode apresentar febre, coriza, tosse e até conjuntivite. É característico que a partir do quarto dia o corpo mancha de vermelho, começando pela cabeça. Trinta por cento das pessoas infectadas evolui para outras doenças mais sérias como a pneumonia. Não há uma medicação específica para tratar o vírus, o que dificulta a recuperação.

  • Febre alta, acima de 38,5°C;
  • Dor de cabeça;
  • Manchas vermelhas, que surgem primeiro no rosto e atrás das orelhas, e, em seguida, se espalham pelo corpo
  • Tosse;
  • Coriza;
  • Conjuntivite;
  • Manchas brancas que aparecem na mucosa bucal conhecida como sinal de koplik, que antecede de 1 a 2 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas

Quais são as complicações do sarampo?

As complicações mais comuns do sarampo são:

  • infecções respiratórias;
  • otites;
  • doenças diarreicas;
  • doenças neurológicas.

Como o sarampo é transmitido?

transmissão do sarampo ocorre de forma direta, por meio de secreções ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Por isso, o contágio da doença é muito grande.  O período de maior transmissibilidade ocorre dois dias antes e dois dias após o início do exantema. O vírus vacinal não é transmissível. O sarampo afeta, igualmente, ambos os sexos.

Como é feito o tratamento do sarampo?

Não existe tratamento específico para o sarampo. Mas Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda administrar a vitamina A, em todas as crianças, no mesmo dia do diagnóstico do Sarampo, nas seguintes dosagens:

  • Crianças menores de seis meses de idade – 50.000 Unidades Internacionais (U.I.): uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
  • Crianças entre seis e 12 meses de idade – 100.000 U.I: uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
  • Crianças maiores de 12 meses de idade – 200.000 U.I.: uma dose, em aerossol ou cápsula, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.

Para os casos sem complicação é importante manter a hidratação e a ajuda nutricional. Muitas crianças precisam de quatro a oito semanas, para recuperar o estado nutricional normal. As complicações como diarreia, pneumonia e otite média, devem ser tratadas de acordo com normas e procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Em 2017, o Governo do Estado de São Paulo divulgou um alerta sobre como evitar o sarampodurante viagens e em casos se surto. As recomendações são:

– Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir
– Lavar as mãos com frequência com água e sabão, ou então utilizar álcool em gel
– Não compartilhar copos, talheres e alimentos
– Procurar não levar as mãos à boca ou aos olhos
– Sempre que possível evitar aglomerações ou locais pouco arejados
– Manter os ambientes frequentados sempre limpos e ventilados
– Evitar contato próximo com pessoas doentes

Informações retiradas do site do Ministério da Saúde.

Leia mais:

Campanha de vacinação contra o sarampo para jovens de 15 a 29 anos termina em São Paulo

Secretaria de Saúde confirma 2 mortes de bebês por sarampo em SP e caso serve de alerta!

Sarampo: todos os bebês de 6 meses a 1 ano agora devem tomar a vacina contra a doença