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Segundo pesquisa, crianças que usam aparelhos eletrônicos dormem menos

É importante evitar, principalmente à noite

Ana Beatriz Alves

Ana Beatriz Alves ,Filha de Maria de Fátima

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(Foto: istock)

Seu filho passa horas brincando com tablets e smartphones ou na frente da televisão? Ele pode estar dormindo menos do que crianças que não interagem tanto com a tecnologia.

Segundo um estudo publicado na Scientific Reports, cada hora que crianças  de seis meses a três anos passam usando aparelhos eletrônicos com tela de toque pode estar relacionada a 15 minutos a menos de sono.

Como funciona

A Glândula Pineal localizada no nosso cérebro tem a função de produzir o hormônio  neurormônio melatonina, responsável pelo controle do sono. Seu funcionamento é baseado na diminuição ou ausência de luz, ou seja, a presença da luz inibe o funcionamento dessa glândula e, consequentemente da produção de melatonina.

Quando você dorme mal o dia não rende muito, certo? Quando seu filho passa uma noite mal dormida, afeta a parte neurológica, fisiológica, psicológica e, principalmente, o processo de aprendizagem dele.

Segundo Alexandre Rezende, professor de Neurociência aplicada a Educação do IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores) e pai da Ana Júlia, a aprendizagem utiliza basicamente três processos: repetição, elaboração e fixação. “No momento que sonhamos, a consolidação das memórias ocorre.”

E o hipocampo é a parte do cérebro responsável por receber essas novas informações do dia-a-dia e integrá-las com as que já existem. “No final do dia, as crianças têm muitas informações no hipocampo, dentre elas, dados não relevantes que precisam ser eliminados. É nessa hora que entra a importância de dormir.”

Ele ainda explica que, ao dormir, o cérebro começa o processo de ‘limpeza’, organização e consolidação de memórias, por isso uma boa noite de sono garante um novo dia com hipocampo totalmente ‘limpo’ e organizado para receber novas informações. “Uma noite mal dormida representa acordar com o hipocampo ainda ‘bagunçado’. Várias noites mal dormidas podem levar a uma fadiga mental a médio e longo prazo.”

A desregulação da rotina de sono pode levar não só à insônia, mas afeta os processos que se ligam ao aprendizado e à memória. Além disso, mudanças no humor são muito frequentes, como irritações, agitações, ansiedades e outros. Isso tudo prejudica a qualidade de vida das crianças.

E para recuperar?

É errado pensar que uma noite mal dormida pode ser recuperada na noite seguinte ou no final de semana. A recuperação do sono deve ser trabalhada na própria rotina.

A medida mais adequada é uma padronização dos horários de dormir e os hábitos antes de deitar.

Por exemplo, evitar ir para cama muito tarde, atividades que aumentem a atividade cerebral, como por exemplo, ver TV com filmes muito agitados, alimentos doces, já que provocam agitação nas crianças prejudicando o sono. E não permitir o uso no período noturno de aparelhos eletrônicos (computadores, tablets, celulares, etc).

É difícil tirar a tecnologia da criança em um mundo tão conectado, mas o especialista sugere a ponderação,  principalmente à noite, estabelecer um limite e ter o acompanhamento dos pais. Afinal de contas, ter uma boa qualidade de sono, é prezar pela qualidade de vida.

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