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Vagas Abertas

Se você está lendo esta matéria, parabéns, já foi contratada. Mas será que está exercendo mesmo a função?

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Se mãe fosse um emprego, a lista abaixo seria uma pequena parte da descrição do cargo:

  • com perfil de liderança
  • que saiba administrar conflitos intergeracionais
  • saber motivar a equipe (essencial!)
  • seja firme
  • candidata equilibrada
  • conhecimento de primeiros socorros e organização de eventos são habilidades desejáveis (fundamental!)
  • multitarefa
  • talentos culinários
  • cumprir metas em prazos curtos
  • disponibilidade para plantões nos fins de semana e madrugadas pode ser necessária

Muitas mães têm medo de impor limites, estabelecer regras e fazer com que sejam cumpridas. Temem ser vistas como chatas. Temos uma notícia para você: não faz parte da sua job description ser legal o tempo todo. Se você abdica de suas responsabilidades e tenta ser amiga dos filhos, eles ficam sem mãe. E isso não é bom para ninguém.

Se numa empresa pode acontecer de o funcionário ir chorar no banheiro após uma discussão mais dura com o chefe. Em casa, muitas vezes é você que tem vontade de chorar escondido. Sim, não é fácil. Mas fica menos difícil se você tem em mente que esse é exatamente o seu papel. Assim como um líder, numa corporação, não pode se mostrar inseguro, você também não pode bobear em casa. A criança percebe essa insegurança. Você diz para ela tomar banho, ela se nega, você insiste, ela bate o pé e diz que você é chata, você se irrita, mas fica pensado “Será que sou tão chata assim?” É, sim! E tudo certo.

Você quer o melhor pro seu filho, a gente tem certeza. Pesquisa feita pela Nielsen em junho deste ano mostra que a educação dos filhos é a terceira maior preocupação para a classe alta, depois de saúde e segurança, e a segunda para as classes média e baixa, após apenas segurança. Então, é preciso trabalhar para isso.

Você pode pensar que vai ficar mais fácil conforme eles crescem. Por um lado, é verdade, você domina mais as competências necessárias para o posto, já sabe as primeiras providências a tomar quando seu filho está com febre, sacou que não basta mandar os convites de aniversário duas semanas antes, mas que precisa confirmar presença, monta uma lancheira equilibrada nutricionalmente. Só que, com filhos, vale a máxima do videogame: cada fase traz novos desafios e é mais complexa que a anterior.

E é normal. É esperado que a criança, conforme vai ficando mais velha, entre em conflito com os pais: o filho testa o tempo todo até onde pode ir. Faz parte do job description dele, para manter a nossa metáfora inicial. Seu filho quer saber se aquelas regras da casa ainda valem ou se os pais já deixaram de lado uma coisa ou outra. De novo vale a comparação com o escritório: regras que não são constantemente reforçadas acabam sendo abandonadas.

Se você estabelece que seus filhos têm de tirar os pratos da mesa e lavá-los e faz vista grossa um, dia, depois outro, daqui a pouco a exceção é que vira regra, fácil, fácil. Agora, outras regras caducam e é dever do seu filho mostrar a você isso: aos 2 anos ele ia pra cama às 19h, com 10, pode ser que possa dormir às 21h.

Para criança, a família é um grande laboratório. É nesse ambiente que ela testa como vai se comportar depois fora de casa, na escola, na casa dos amigos, no trabalho. Claro que é saudável que a criança questione. Para a psicóloga e psicoterapeuta de casal e família e autora do livro Mulher Sem Script, Natércia Tiba, mãe de Ricardo e Eduardo, o preocupante são as crianças que aceitam tudo que é dito ou negado. “Discordar não significa desrespeitar os pais, mas dialogar, isso também é importante para o desenvolvimento deles”, diz. Dito isso, a gente reforça: a palavra final tem de ser a sua. Sem medo de exercer o cargo.

A blogueira Débora Nunes, mãe de Clara e grávida de Caio, do blog Aventuras de uma Mãe Coruja (