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Bike Art: mãe cria projeto de inclusão social após ter filho com síndrome de Down

O trabalho será exposto em um evento

Yulia Serra

Yulia Serra ,filha de Suzimar e Leopoldo

A chegada do filho mudou o propósito dessa mãe (Foto: reprodução/Arquivo Pessoal)

Só no Brasil, existem mais de 45 milhões de pessoas com alguma deficiência, segundo o IBGE. Esse número representa 24% da população e não pode ser ignorado. Por isso, A ONG Nosso Olhar decidiu pôr a mão na massa e criou um projeto show. 

Criada para incentivar a inclusão social e gerar empregos para os jovens com síndrome de Down, tem como objetivo acolher e informar a sociedade sobre a Trissomia 21, sempre com aval técnico de especialistas e entidades representativas. 

“Nascemos para agir e mobilizar”, explica a fundadora da ONG Thaissa Alvarenga. A chegada do filho, mudou a vida dessa mãe. Chico têm a síndrome e despertou na mãe a vontade de ajudar. “A partir do nascimento dele, estamos trabalhando para transformar o mundo de muitas outras pessoas”, comenta.   

A primeira criação foi a ONG Down é UP, incentivando a inclusão de jovens no mercado de trabalho e convívio com as pessoas. Com as mudanças que ocorreram nesses três anos de história, a instituição se reformulou e passou a se chamar Nosso Olhar.

 

Projeto novo na área

Nessa nova fase, a ideia é mobilizar e educar a sociedade, ainda com o mesmo objetivo original: construir um mundo mais inclusivo. Com esse propósito, surgiu o Projeto Bike Art. 

Nessa iniciativa, várias bicicletas truck (adaptadas para incluir produtos para venda ou distribuição) são espalhadas pelos centros comerciais e são operadas por jovens com síndrome de Down para vender doces e chocolates.   

Hoje, no Brasil, existem mais de 70 milhões de bicicletas que circulam pelas cidades não apenas com o intuito de transporte, mas de transformação e cidadania, segundo a Abraciclo. E esse projeto vem para somar nesse número. 

Além desse movimento, também permite que esses profissionais contribuam no processo criativo dos artistas plásticos que customizam as bicicletas e desenvolvam o trabalho autoral em telas que serão expostas com os veículos. 

Esse foi o resultado do trabalho de Fernando Berg (Foto: reprodução/Murillo Denardo/Mosaiky)

 

Você pode conferir o resultado

A primeira exposição já tem data e local definidos. Na Galeria Zero (Rua Simpatia, 23), entre os dias 11 e 13 de julho, todo o trabalho poderá ser visto pelo público entre 11h e 22h. 

Para quem está ansioso e não quer esperar, pode conferir o Preview no dia 10 de julho das 19h às 22h. Ao fim de cada rodada, acontecerá uma exposição para leiloar as obras de arte e todo o lucro será revertido para o projeto.

É tudo pela mobilização social. “Esta é a única função da Arte”, afirma Fabio Benetti, um dos embaixadores do projeto. A partir de julho, o Bike Art também será exposto em shoppings, com a curadoria de artistas que participaram da ação. 

“A inclusão dos jovens é importante, tanto no trabalho quanto na sociedade e a arte é um instrumento maravilhoso e lúdico para isso acontecer”, resume a artista Rita Caruzzo. O projeto quer mostrar que pessoas com Síndrome de Down podem tudo o que quiserem, dentro do próprio tempo

“Fazer parte deste projeto me ajudou a entender sobre novas formas de inclusão e sobre respeito”, conta Fernando Berg, um dos maiores grafiteiros brasileiros. “Não há nada mais confortante do que saber que o meu trabalho acendeu mais uma estrela”, acrescenta o artista Claudio Takita. 

Todas as obras de arte participantes do projeto foram catalogadas e estão abertas para lances por telefone ou Whatsapp. O valor arrecadado será destinado para a ONG Nosso Olhar e para os artistas e jovens com síndrome de down que pintaram as telas. Os contatos para lances do leilão: http://mosaiky.com.br/leilaobikeart.html ou (11) 97229-4992

A artista Rita recebeu muito carinho das alunas Joana e Bia (Foto: reprodução/reprodução/Murillo Denardo/Mosaiky)

 

Conheça o Manifesto Nosso Olhar

A ONG possui um Manifesto próprio com 21 itens:

  1. Olhar para o T21 com amor
  2. Olhar positivamente para a causa
  3. Olhar e estar atento aos movimentos 
  4. Olhar para criar novas conexões
  5. Olhar para a mobilização e o engajamento
  6. Olhar para a construção de parcerias duradouras
  7. Olhar preocupado com o futuro da inclusão
  8. Olhar para a aceitação da diversidade
  9. Olhar para descobrir novas formas de incluir
  10. Olhar para o acolhimento e para a família estendida
  11. Olhar para a conscientização
  12. Olhar para a educação e cidadania 
  13. Olhar para a informação de qualidade
  14. Olhar para novas possibilidades de inovação
  15. Olhar para facilitar a vida das pessoas
  16. Olhar para a emoção das pessoas
  17. Olhar para a ação das pessoas
  18. Olhar holístico (inteligência + emoção + técnica)
  19. Olhar para o apoio científico
  20. Olhar para o desenvolvimento de legislações inclusivas
  21. Olhar para fazer o bem prioritariamente

Você pode conferir todas as obras no evento (Foto: reprodução/reprodução/Murillo Denardo/Mosaiky)

Todo mundo tem direito

O Nosso olhar está voltado para a aceitação da diversidade, inovação na descoberta de novas possibilidades, acolhimento das famílias de forma estendida, conscientização, educação cidadã, informação de qualidade, legislações e políticas públicas inclusivas. 

Thaissa Alvarenga, fundadora do projeto, relembra que empregar essas pessoas significa torná-los ativos profissional e financeiramente. “Nossa missão é transformar o mundo em um lugar mais inclusivo para que todas as crianças e jovens tenham oportunidade iguais”, conclui. 

Confira o conceito do projeto e a experiência do artista Claudio Takita e do jovem Felippe:

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