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Depressão pós-parto: “Queria deixá-los em seus berços e fugir, para nunca mais voltar”

O desabafo dessa mãe já ultrapassou de 72 mil curtidas

Nathália Martins

Nathália Martins ,Filha de Sueli e Josias

(Foto: iStock)

(Foto: iStock)

As pessoas provavelmente colocaram na sua cabeça que o nascimento de um bebê é sinônimo de 100% de alegria, não é? Na verdade, nem sempre isso é verdade. Muitas mulheres sofrem de depressão pós-parto, mas poucos falam sobre o assunto. A doença pode ser uma decorrência da queda brusca de hormônios que acontece após o nascimento do bebê, fatores emocionais ou estilo de vida.

Tiffany Jenkins, uma americana mãe de dois de Sarasota, na Flórida, teve que enfrentar a depressão pós-parto e, por conta disso, resolveu escrever e compartilhar seu relato em sua página no Facebook, Juggling The Jenkins Blog. Dá uma olhada:

“Eu não gostava dos meus filhos quando essa foto foi tirada. Eu realmente me ressentia por eles existirem.

Kaiden tinha 17 meses e Chloe um mês e eu não queria ser mãe deles, não queria trocar fraldas, alimentá-los e, na maioria das vezes, eu queria deixá-los em seus berços e fugir, para nunca mais voltar.

Estou falando sério.

Eu sei que algumas de suas bocas estão abertas e alguns de vocês provavelmente estão enojados, pensando: ‘Como diabos alguém pode não gostar de seus próprios filhos?’. Eu sei, é difícil. Por isso que demorei tanto para contar a alguém sobre isso.

Eu permaneci em silêncio e enterrei meus pensamentos. Eu sorri para as fotos e criei uma falsa admiração quando alguém falava sobre eles”

O desabafo fica ainda mais profundo…

“Eu chorei muitas vezes, a maior parte do dia, na verdade. Eu questionei minha sanidade e constantemente me repreendi por ser uma pessoa tão medrosa. Eu gritei, eu escondi, eu deixei eles chorarem e puxei meu cabelo. Eu não os queria mais. Eu não os queria.

Meu marido não sabia. Ele estava ocupado trabalhando. Eu não poderia dizer a ele, ele se arrependeria de ter filhos comigo. Eu estava sozinha.

Um dia, decidi que não iria tirá-los de seus berços. Eu ia deixá-los lá, deixá-los chorar e se sujar. Eu não me importei. Eu não poderia me importar. Eu tentei me importar. Eu não pude”

Então ela resolveu pedir ajuda

“Em vez disso, liguei para o consultório do meu médico. No momento em que minha recepcionista me atendeu, desabei em lágrimas. Eu disse a ela que não queria mais ser mãe e ela me disse: ‘Venha para cá imediatamente’. Eu fui. O médico falou comigo sobre depressão pós-parto como se ele tivesse tido essa conversa milhares de vezes.

Acontece que ele tinha mesmo. Acontece que eu era uma das milhões de mulheres que experimentam esses sentimentos naquele exato momento. Eu não estava maluca. Algo estava errado com o meu cérebro. Algo que eu não poderia consertar sozinha.

Meu médico e eu consertamos isso juntos.

Meus filhos têm dois e três anos agora e eu os amo e os adoro tanto que meu coração dói quando penso neles. Eu daria minha vida por eles sem piscar.

Buscar ajuda foi o maior presente que eu já dei a eles como mãe.

Se isso soa familiar para você, eu só queria que você soubesse – você não está sozinha. Você não é louca – e precisa contar a alguém”

A depressão pós-parto é mais comum do que a gente pensa

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 40% das mulheres no Brasil desenvolvem depressão pós-parto. E 10% delas sofrem com o nível mais severo. O número é alto, o termo assusta e parece que a gente falhou como mãe. Nada disso! A gravidez traz alterações corporais, hormonais e emocionais, o parto idem. E, além disso, uma nova pessoa acaba de chegar na nossa vida. Então, ficar um pouco estranha no período de adaptação é normal. O importante é não generalizar e achar que não tem solução.

Nem sempre a tristeza é o principal sintoma

É comum achar que todo mundo que tem depressão pós-parto apresenta um quadro melancólico em tempo integral. Não se engane. Em muitos casos, ela pode ser caracterizada por uma euforia excessiva ou uma necessidade de fazer tudo perfeito.

Não é um quadro permanente

O fato de estar com depressão pós-parto não significa que você vá ficar assim para sempre. A mãe não se torna a doença. Parece básico, mas é um conceito que precisa ser entendido e praticado ainda por muitas pessoas. Assim fica mais fácil de lidar com a situação.

Ela pode começar bem antes do parto

A depressão pós-parto costuma ser diagnosticada depois que o bebê nasce. Mas nem sempre ela começou nesse período, e pode ter se iniciado durante a gestação ou até mesmo antes da gravidez. Por isso é importante ser sincera com seus sentimentos e pedir ajuda quando sentir que algo não está legal.

Expectativa demais pode ser uma das causas

Anote: um filho não torna a vida de um casal livre de problemas ou faz com que as pessoas sejam felizes para sempre. A vida não é assim. E muitas mulheres sofrem uma quebra muito grande de expectativas em relação ao bebê e ao estilo de vida que se estabelece com a maternidade. Quando isso acontece é comum que se desenvolva sentimentos de fracasso em relação à nova vida.

Nem sempre tem relação direta com a maternidade

Um quadro de depressão depende de muitos fatores. Um deles é o momento da vida no qual a mulher se encontra, sua relação com o parceiro, o nível de vontade de ser mãe, a forma como enxerga o mundo, a forma como enxerga a si mesma. Portanto, é importante não achar que toda a situação gira em torno da gestação.

O bebê também é tratado

A ligação entre mãe e filho é muito forte, principalmente com o recém-nascido. Se a mãe apresenta um quadro de depressão o bebê também precisa participar do tratamento. Aí, vai de cada caso e só o especialista poderá indicar a dinâmica correta para cada um. Mas pode acontecer de a mulher precisar conversar com o filho e explicar o que está acontecendo com ela naquele momento.

Sem culpa!

Aqui na Pais&Filhos a gente vive falando sobre culpa. E sabemos bem que a culpa de uma mãe que teve ou tem depressão pós-parto é grande. Não deixe isso te consumir. Isso tem nada a ver com amar ou não do seu filho e, acredite, cuidar de você é a melhor forma de eliminar a dor, a doença e a culpa.

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