Pais

Mães relatam histórias de exaustão após viralizar vídeo de mulher deixando a filha na calçada

Todos os depoimentos foram feitos na nossa página do Facebook

Nathalia Lopes

Nathalia Lopes ,Filha de Márcia e Toninho

Beatriz Fernandes deixa a filha na calçada na porta da casa do ex-namorado (Foto: reprodução / Vídeo do Fantástico)

A atitude de esgotamento de Beatriz Fernandes está dando o que falar nas redes sociais. Ela é mãe de uma bebê de 11 meses e depois de tentar por dois dias entregar a menina para o pai, por um impulso deixou a criança na calçada e deu ré no carro.

Por mais que tenha se arrependido, saído do automóvel e pego a garota, um vizinho divulgou a gravação da câmera de segurança e Beatriz acabou perdendo a guarda da menina. O caso dividiu opiniões de muita gente, mas também trouxe uma oportunidade para que algumas mães desabafassem sobre a exaustão que chegam com os filhos.

A gente recolheu alguns comentários deixados na publicação do Facebook da Pais&Filhos para mostrar que as mães muitas vezes podem se esgotar e que isso não nos dá o direito de julgar, mas sim o dever de apoiar.

Anne, Rafaela, Camila, Tati, Luci, e Andressa são só alguns exemplos de que estresse e depressão pós parto são assuntos sérias e que precisam da devida atenção. Estamos com vocês. Mãe também é gente.

Veja os depoimentos na íntegra:

Andressa: “Já tive um surto de estresse e depressão pós parto, quando meus gêmeos tinham 7 meses.  Hoje eles estão com 15 anos, mas ainda não consigo me perdoar. Todos os dias da minha vida vou levar na memória aquele dia que deixei meu bebê chorando no berço e saí de casa. Eu estava muito surtada, sem dormir desde o parto, cuidando de dois bebês e ainda com depressão. É tão fácil virem aqui e vomitar os julgamentos, mas ninguém ajuda uma mãe. Ninguém. A mãe passa noites acordada, come mal, não toma banho direito… fica mega estressada por conta dos hormônios, do cansaço… e NINGUÉM socorre essa mãe para ela descansar. Daí, quando a mãe pira, chove de julgamento de mulheres perfeitas que nunca se cansaram na vida. Eu só observo essa hipocrisia”.

Luci: “Sou mãe solteira. Meu filho é e sempre foi uma benção e uma escolha minha.
Mas não posso dizer que não tive vários momentos de desespero nesses quase 23 anos!
Você se sente sozinha, sobrecarregada, avaliada, julgada, culpada. Estão culpando a mãe… Mas porque o pai não foi buscar a criança quando a mãe pediu?
Agora todos vão socorrer esse “coitado”. E essa mãe quem socorreu? Quem se dispôs a ficar com a criança para que ela tivesse alguns momentos para si?? Fácil julgar… difícil é estar no lugar dela. Foi errado? Sim. Também foi errado o pai não estar presente quando deveria”.

Tati: “É tão difícil, imagino o que essa mãe estava em mente, me separei quando minha filha tinha 1 ano, ela gritava pelo pai, chorava, ela até ficou doente chamando o pai, e o paizão gatão estava aonde? Em baladas. Nunca tive a reação que essa mãe teve, mas não a culpo porque só quem passa o momento sabe como é, quer um conselho amiga. Ceda a ele, aproveita que a guarda é dele e se arruma, se cuida, cuida do seu psicológico. Prepare se para recorrer na justiça, porque quando o juiz te devolver a guarda a sua filha, por mais pequena que ela seja, ela vai entender mesmo que todos os dias eu era a razão da minha mãe. E pro meu pai??? Sou a razão quando convém a ele. Hoje, minha filha tem 5 anos e decide se quer ir ou não pra casa do pai e ela vai 1 vez por mês quando ela decidi ir, e se ele quiser ir na justiça já estou preparada pra tudo! E assim que você deve estar preparada! Coloca nas mãos de Deus que vai da tudo certo!”.

Anne: Gente, não estou dizendo que atitude dela foi certa ou errada. Nós mães passamos por muitas situações difíceis e estressantes. Assim como ela nunca consegui entrar num acordo, a guarda do meu filho é minha, e o pai tem direito aos fins de semana e às vezes ele usa isso como uma forma de vingança, eu já tive que ir buscar meu filho com o conselho tutelar. E numa situação dessas as vezes perdemos o controle, ficamos transtornadas, então não vamos julgar… Nós mães sofremos em silêncio, e tudo que queremos é só um pouco de empatia. Que seja feito o melhor pela criança, pois eles são os mais vulneráveis nessa situação”.

Rafaela: “É tão triste ver tantos julgamentos, tantas mães PERFEITAS, sou mãe de 3, nunca fiz algo parecido porém, que mãe nunca sentou e chorou de exaustão??? Que mãe nunca quis sumir apenas para tomar uma xícara de café em silêncio??? Imagino que essa moça possa estar passando por um momento de exaustão extrema, se sentindo sozinha, ninguém aqui sabe a condição financeira que ela está vivendo. Antes de nos sentirmos no direito de julgar, vamos tentar ter mais empatia pelo momento do outro. Ser mãe doe também, ser mãe leva a exaustão, ser mãe nos consome de forma extrema. Portanto parem de quererem demonstrar uma perfeição que não existe. Apenas tenham empatia. O mundo precisa de EMPATIA. Desejo que essa moça se recupere, se reconstrua, se perdoe e seja muito feliz!”

Camila: “Já deu vontade de pegar a minha filha e deixar na porta do pai também e falar: se vira, a filha é sua também. Só nunca tive coragem de fazer mesmo porque pensei no bem estar da minha filha”.

ENTENDA O CASO

No último domingo, 21 de julho, um vídeo viralizou de uma mulher colocando um bebê de 11 meses na calçada, e depois entrando no carro para dar ré, e deixou todo mundo surpreso. A cena foi captada por uma câmera de segurança no dia nove de junho em João Pessoa, Paraíba.

Aparentemente a história é assim: Beatriz Fernandes, quem aparece na gravação, estava na frente da casa do ex-namorado, com quem compartilha a guarda da menina, para entregar filha e por conta do alto estresse acabou deixando a bebê na rua por alguns segundos. “Não teve um dia desde que isso aconteceu que eu não tenha me arrependido. Eu sei que jamais faria aquilo de novo. Eu tava nervosa, não foi pensado, quem é que nunca errou na vida?”, disse a mãe em entrevista para o Fantástico. Ela explicou que estava tentando entregar a filha para o ex desde a manhã do dia anterior, sábado. Os dois admitiram que não conseguem entrar em um acordo sobre dias e horários que cada um deve cuidar da criança.

A criança engatinhando na calçada enquanto a mãe dava ré para virar o carro (Foto: reprodução / Vídeo do Fantástico)

Desde a divulgação do vídeo, Beatriz perdeu a guarda para o pai, Eduardo Anibal, que a assumiu provisoriamente. “Ela está sendo acompanhada por um psicólogo e estou dando muito carinho. Pretendo continuar dando afeto e abrigo a minha filha”, comentou o pai. De acordo com a mãe, ela estava tentando entregar a menina para Eduardo desde o sábado e no domingo não conseguia entrar em contato com ele, então decidiu levar a filha até a porta da casa do ex.

“Quando eu cheguei, encontrei com os tios dele e perguntei se poderiam pegar minha filha”, explicou durante a entrevista. Mas a família do ex se recusou a ficar com a criança. Então ela decidiu colocar a menina na calçada. “Lembrei das coisas dela que estavam no carro e a coloquei na rua enquanto virara o veículo para tirar da frente do portão, mas vi minha filha pela câmera”, comentou chorando.

Depois de toda a confusão, um policial militar, que mora em frente a casa do advogado, foi chamado pelos vizinhos. “Ela parecia bastante transtornada, estava muito aflita”, comentou Marcos Barros, tenente-coronel da PM. Para retirar a guarda da mãe, o pai pegou o vídeo e fez um depoimento na delegacia para conseguir antecipadamente a tutela da criança. De acordo com o Fantástico, Beatriz vai prestar depoimento para a justiça esta semana sobre abandono de incapaz.

“Eu quero que as pessoas vejam que isso foi uma atitude de desespero. Num pico de estresse extremo que eu passei por muitos meses até chegar nisso. Não foi uma atitude pensada para machucar ou abandonar minha filha. Estou sentindo a falta dela”, disse a mãe bastante emocionada na entrevista. Assista ao vídeo que está no YouTube:

Nós, da Pais&Filhos, como você, ficamos tristes com uma cena assim. Mas é difícil julgar essa mãe! Em um momento de estresse e descontrole emocional, a pessoa fica mais suscetível ao erro. Não significa que o que ela fez está certo, porém a empatia é bem-vinda em primeiro lugar sempre que vemos histórias semelhantes. Acreditamos que unir forçar é um dos melhores caminhos para tentar evitar maiores danos às crianças.

Leia também:

Mãe que “abandonou” a filha na rua é afastada da criança pela Justiça

Mãe abandona filha de 4 anos na creche e não volta para buscá-la

Mãe abandona criança autista de 5 anos e deixa bilhete de partir o coração