Pais

Marcos Piangers e Ana Cardoso respondem a pergunta mais difícil de todas: o que é o amor?

A gente ama este casal! Todo mês, os dois escolhem um tema do universo familiar para debater e você sempre vai encontrar dois pontos de vista: o de mãe e o de pai

Isabella Zacharias

Isabella Zacharias ,Filha de Aldenisa e Carlos

(Foto: Reprodução)

Ana Cardoso é mãe de Anita e Aurora, jornalista e socióloga. Esse mês, ela nos convida a refletir sobre o amor.

Amor de mãe, para mãe

Quando pequenos, os filhos estão sempre atrás da gente. É preciso cuidar para não tropeçar neles. Tenho um sobrinho que sempre me assusta. Ele chega sorrateiro e fica atrás. A gente brinca dizendo que se ele está em casa é melhor não soltar um pum, porque existe uma chance muito grande de ir bem na carinha dele.

Estar perto é a forma de amor mais fácil de expressar entre os humanos. Gatos e cachorros que gostam da gente também sabem disso, estão sempre ao redor. Quem não gosta de assistir a um filme com a cabeça no ombro de outra pessoa? De dormir de pé encostado? De um abraço bem gostoso? É tão simples. Pele com pele. Os pequenos sabem disso. É uma pena que quando crescemos esquecemos. Corre pra cá, corre pra lá, o celular sempre tão interessante… É tão fácil se afastar fisicamente dos outros no mundo adulto.

Hoje decidi fazer uma surpresa para minha mãe. Apareci na casa dela sem avisar. No caminho, ouvia no rádio, a Inês de Castro falando sobre os diferentes desejos das mães. Contava a jornalista que mães de bebês pequenos sonham com um dia de folga sem choros nem trocas de fraldas. Ou uma tarde de sono ininterrupta.

Mães de filhos em idade escolar não achariam nada mal ter um dia inteiro sem ter que se preocupar com uniformes, transportes, lanches e lições de casa. Sou desse grupo e atesto: é verdade. É bom quando a gente consegue delegar para o marido ou outra pessoa estas responsabilidades por um tempo. Nem que seja só por um dia.

Seguindo na reportagem, Inês de Castro me deu uma dica preciosa: as mães com filhos adultos sonham com um tempo com seus filhos. Tempo exclusivo, sem interrupções. Havia chegado na garagem do prédio dela. Desliguei o rádio e subi. Abri a porta (minha mãe é dessas que não chaveia) e disse: mãe, eu estava louca pra passar um tempinho só com você. Dei um abraço apertado e explodimos numa gargalhada. Eu sabia que ela estava ouvindo a Band News. Conheço meu eleitorado. Nem sempre consigo estar lá. Ainda mais sem filhas ou o computador. Foi uma delícia nosso encontro.

Amar é estar perto. Quando não dá, precisamos encontrar outras formas. Mandar mensagens, comprar presentes ou simplesmente ligar o rádio na mesma estação. Já dizia o Cazuza: o nosso amor, a gente inventa.

(Foto: Getty Images)

Marcos Piangers é pai de Anita e Aurora, jornalista e palestrante. Esse mês, ele nos convida a refletir sobre o amor.

O que é o amor?

“É o que faz você sorrir quando você está cansado”, respondeu uma criança de quatro anos. Crianças respondem de forma espontânea, não caem no lugar comum adulto. Uma pessoa crescida, cheia de clichês, responderia que é um sentimento profundo que nos faz querer estar perto de outras pessoas. Mas é um resposta pré-pronta.

Crianças tentam explicar o mundo que veem elaborando respostas melhores, autênticas. “Quando alguém ama você a maneira como ela fala seu nome é diferente. Você sabe que seu nome está seguro na boca dela”, disse uma, de sete anos. Você sabe que está seguro na boca dela.

Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e bebe um golinho antes de lhe dar, pra saber se está realmente bom”. “Amor é quando você diz a alguém que gosta da camisa dele, então ele a usa todos os dias”. “Amor é quando seu cachorro lambe sua cara mesmo depois de você deixá-lo sozinho em casa o dia inteiro”. “Amor é quando você beija o tempo todo. Então, quando você cansa de beijar, você ainda quer estar junto da pessoa pra conversar mais. Minha mãe e meu pai são assim”.

O amor nunca é bruto. O amor não agride. O amor é paciente, tem sempre mais cinco minutos. Toma cafés demorados. Aceita ligações. Tem tempo para papo furado. Dorme abraçado, agradecido. O amor não se deixa pra depois. “Você não deveria dizer “eu te amo” a menos que seja verdade. Mas se for, você deveria dizer o tempo todo. As pessoas esquecem”. O amor se cultiva e quando está maduro se distribui.

O amor é mais forte do que aquilo que é anti-amor. Ele opera em silêncio. Ele é contagioso. “Eu sei que minha irmã mais velha me ama porque ela me dá todas as roupas velhas dela e tem que sair pra comprar roupas novas”, disse uma menina de quatro anos. O amor é sem vergonha. Há uma coisa que nós adultos sabemos mais do que crianças. Que a vida não é pra sempre. Que nossos corpos envelhecem. Que nossos filhos crescerão. Precisamos ser românticos.

Acreditar que nossa vida, nossos minutos aqui são valiosos demais pra serem perdidos. Que a vida deve ser preenchida com amor. Que, talvez, seja o sentido de estarmos aqui. E que tudo o que precisamos saber já sabíamos, quando éramos crianças.

Moral: “A vida é curta demais para não nos dedicarmos ao amor. Pratique, sem moderação”.

Ana Cardoso e Marcos Piangers com as filhas Anita e Aurora (Foto: Reprodução)

Leia também:

Marcos Piangers e Ana Cardoso te convidam para refletir sobre o choro

Ana Cardoso defende: “Conviver com as diferenças é o maior aprendizado que a vida nos proporciona”

Marcos Piangers manda recado para quem pensa em ser pai: “Não tenha filhos”