Criança

Amigo é tudo! Saiba como a amizade ajuda no desenvolvimento do seu filho

A criança precisa lidar com a frustração e a alegria dessas relações

Jéssica Anjos

Jéssica Anjos ,filha de Adriana e Marcelo

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(Foto: Stephanie Rausser/ Arquivo Pessoal)

Dizem que quem tem um amigo, tem um tesouro. Na vida adulta, o valor da amizade está em compartilhar experiências de modo espontâneo. Na infância, o tesouro da amizade talvez tenha uma repercussão ainda maior. “Ter amigos significa aprender a respeitar o outro, saber que o outro pensa diferente e tem outras vontades”.

Para desenvolvermos essas habilidades essenciais, precisamos fazer amigos presenciais desde pequenos”. Essa é a opinião de Teresa Ruas, consultora em desenvolvimento infantil da Fisher-Price, mãe de Maitê Maria. Em um mundo onde as pessoas estão cada vez mais focadas em seus próprios quadrados, estimular que seu filho se relacione e passe tempo com os amigos é essencial e necessário durante a infância.

Ter e fazer amigos, assim como manter amizades representam fatores fundamentais para o desenvolvimento saudável. Ao brincar com amigos, a criança tem a oportunidade ímpar de aprender a ser humano: um processo longo e complexo, que vai se estabelecendo pouco a pouco em diferentes situações.

“Aprender a partilhar, a se comunicar, a negociar, a ter autonomia… Enfim, aprender a se relacionar com seus semelhantes ou desiguais. Com um amigo, a criança aprende o diferente, se questiona”, explica a antropóloga e educadora Adriana Friedmann, especialista na temática da Infância.

Para ela, a função da amizade vai muito além do entretenimento: é capaz de fornecer estruturas para a fundação da própria identidade da criança. “Elas distinguem diferentes tipos de amigos e revelam diferentes graus de intensidade e de intimidade nas relações que estabelecem”, ressalta.

Regras básicas

Situação comum do dia a dia na escola: um brinquedo e duas crianças que o disputam fervorosamente. E agora, como resolver este impasse? Segundo o neuropediatra Saul Cypel, pai de Marcela, Irina, Eleonora e Bruna, desde muito cedo, por volta de um ano e meio a dois anos, a criança precisa ver que existe o outro, e que este também tem vontades, chora, briga pelo que quer etc.

“Nesta fase, não existe o discernimento de que as coisas não pertencem a ela. O contato com o outro faz com que a criança aprenda a fazer concessões e renúncias”, explica o médico, que é professor de neurologia infantil e consultor do programa de desenvolvimento infantil da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. “O contato com o próximo: atritos, disputas, alegrias, brincadeiras são experiências que vão preparando a criança social e cognitivamente, um aprendizado que ela levará para a vida”, completa. Fundamental!

Brinquedo x brincar

Brincar com o amigo é ótimo, necessário e a gente já sabe, mas aí vem outro ponto, o brinquedo e o ato de brincar sozinho também são importantes para o desenvolvimento infantil. “A solidão também pode ser criativa e necessária para que a criança mergulhe em seu universo mais profundo.

É saudável que elas brinquem também com seus amigos imaginários, seus brinquedos, que criem seus mundos”, explica Adriana Friedmann, que defende a importância de proporcionar momentos para que a criança acesse este universo solitário e enriquecedor:

“No ato de brincar a criança ‘narra’ suas histórias, suas fantasias, suas emoções. Explora, experimenta o mundo a sua volta, seus objetos, suas capacidades e dificuldades. Se expressa e aprende.”

Ou seja: ao ver seu filho quietinho e solitário ali brincando com as coisas dele, não precisa ficar com peso na consciência por ele não estar rodeado de colegas correndo no parque. As duas situações são importantes para o desenvolvimento da criança, e como sempre, a chave é saber dosar. Então, relaxa que os momentos com os amigos e sozinho são importantes do mesmo jeito, mas cada situação explora uma experiência diferente. Brincar junto ou separado é bom!

Por que ter amigos

Estudos mostram que a amizade na infância é uma importante ferramenta para a saúde emocional das crianças. Ter amigos pode significar maior estabilidade emocional, desenvolvimento de empatia e de autoconfiança. A amizade age como um fator de proteção social, que traz benefícios à autoestima e ao bem-estar da criança. Na escola, por exemplo, ela facilita um melhor entrosamento, além de melhorar seu rendimento escolar, bom demais!

Ter amigos é essencial para a adaptação psicossocial do indivíduo, que repercute tanto durante a infância como na vida adulta. Brincadeiras em grupo ou com um único amiguinho ajudam a criança a dominar novas habilidades sociais e faz com que ela se familiarize com as normas e processos sociais envolvidos nas relações interpessoais. Amigo é tudo, sim!

Sem muita intervenção

Se os adultos são cheios de frescuras e restrições, com criança não tem tempo ruim. Elas são desinibidas, brincam com brinquedo do outro, tiram da mão do colega, saem correndo para fugir dele… cenas clássicas! Um pouco inconvenientes para os adultos? Sim, sim. Mas fazem parte de uma fase da infância e não têm a ver com má educação.

“Os pais se afastam, por medo de que a criança esteja sendo inconveniente. Com isso, acaba isolando-a e não permitindo que ela vivencie uma experiência rica, de aprender a negociar ou ter de ceder”, diz Saul Cypel.

A intervenção dos pais, em casos mais extremos, deve acontecer como uma mediação do conflito, ao invés de julgar e decidir pelas crianças, deixando nas mãos delas a resolução final.

Pais modelos

Ok, então uma infância mais completa é aquela rodeada de novos amigos, velhos amigos e até aqueles amigos mais encrenqueiros. Todos são muito bem-vindos. Mas é importante lembrar de que os pais são os modelos dos filhos, pois suas atitudes são espelhadas neles.

“O convívio social dos pais é modelo para os pequenos. É importante que a criança veja que seus responsáveis tenham amigos para que possam e queiram criar seus próprios laços de amizade”, como bem lembrou o pediatra Cláudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia.

Então, cuidado para não ficar muito focado em estimular que seu filho tenha muitos amigos e esquecer que você também tem os seus. Se a mãe ou o pai tem uma turma animada, certamente os pequenos vão querer, e buscar, uma turminha bacana para chamar de sua.

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Você está pronta para lidar com o melhor amigo do seu filho?