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Nascimento do filho muda prioridades de mãe e ela decide empreender: “Descobri que nasci para isso”

Juliana Marques criou o Queremos Passear

Yulia Serra

Yulia Serra ,filha de Suzimar e Leopoldo

A vinda do filho trouxe um novo propósito para Juliana (Foto: reprodução/Arquivo Pessoal)

Quando a maternidade chega, não nasce apenas um filho, mas uma mãe também. E junto desse novo papel, outras vontades aparecem. No caso de Juliana Marques, o nascimento de Antônio a fez querer empreender e fundar o Queremos Passear:

“Ao longo da minha vida acadêmica, posso dizer que estudei em 11 escolas (se é que me lembrei de todas) e em 2 faculdades. Me formei no antigo 3º colegial nos Estados Unidos, onde fiz um intercâmbio de 1 ano. Voltei, fiz Relações Públicas e me especializei em Eventos.

Assim, a vida profissional começou. E nunca mais parou. Trabalhar com eventos me fez entender que o meu perfil era de uma pessoa workaholic, ou seja, viciada em trabalho.

Durante os quase 19 anos de mercado, dois terços dos meus dias eram focados no trabalho. Adorava a rotina de pedir comida e comer em cima do teclado. E também adorava sempre ir além. Como venho da old school (antigas práticas), costumava fazer de tudo. Do atendimento ao financeiro, passando pelo planejamento, pré produção, produção, etc. 

Hoje, o mercado é bem mais segmentado, leia-se, cada um no seu quadrado. E isso sempre me incomodou, porque acho que para executarmos bem uma função, precisamos entender o todo da coisa.

Pensando dessa forma, tinha que equilibrar os pratinhos para dar conta de tudo. E olha, muitas vezes não dei. Nesse momento, tive meu primeiro contato real com o empreendedorismo. Abri um perfil no Instagram para vender as coisas que ele já não usava.

Fiz o enxoval fora e comprei coisas para 20 bebês. A loja foi o maior sucesso! Todo santo dia eu fazia entregas ou ia para os Correios. Acabou se tornando uma pequena forma de receita. Ela está lá até hoje!

Quando meu filho completou 11 meses, exatamente no dia seguinte voltei a trabalhar. Mas dessa vez foi diferente. Fui gerenciar o departamento de eventos de uma agência de viagem. Feliz da vida.

A antiga Juliana ainda existia, mas estava há 19 meses fora do combate. Depois, o Antônio foi para a escola em tempo integral. À época, tinha 1 ano e meio. Se adaptou logo de cara. Eu que sofri, claro.

Nesse meio tempo, entendi que eventos em agência de viagens não são os eventos os quais eu tinha toda a expertise. Me frustrei e também frustrei minha superior direta, a dona da agência.

Fiquei lá há dias de completar 1 ano e mais um ciclo se encerrou. Aprendi demais. Sou grata por todos o momentos bons e ruins que passei por lá. Foi ali que entendi que a minha antiga e verdadeira paixão precisaria esperar. Não era mais o momento de viajar e passar quase todas as madrugadas na agência. Era o momento para ser mãe.

Com a chegada do Antônio, descobri que nasci para isso. Para ser a mãe dele e só dele, porque nunca quis ter outro filho. Sou filha única e meu marido me apoiou nessa decisão. Ele é o meu maior apoiador!

Conversando sério comigo, ele me disse que a ideia do que fazer viria de uma real necessidade minha. E foi assim, que no meio de uma madrugada qualquer, acordei falando: ‘já sei!’.

Ali seria criada uma plataforma que visasse conectar estabelecimentos kids friendly com todos que tem crianças por perto, sem patrocínios ou anúncios, nada que pudesse poluir a página e afetar a experiência de quem está navegando.

O mais importante é que seria segmentado por regiões e categorias. Em março de 2018, o Queremos Passear já estava registrado, mas ainda era preciso um plano de negócios, um estudo de viabilidade, uma pesquisa de concorrentes, criação de marca e posicionamento, criação da plataforma, definição da forma de atuação em redes sociais, etc.

Este foi o ano da concepção, de muito trabalho e de zero salário (de novo!). Apenas em 8 de dezembro de 2018, o Queremos Passear entra no ar. Quando achei que tudo já estava redondo, pronto para ficar sentada esperando o telefone tocar, vem a frustração.

Na internet, você não é ninguém até que ‘se faça ser’. Mas não tinha dinheiro para ‘me fazer ser’. Então me reinventei. Entendi que só dependeria de mim e da minha dedicação.

Detesto vender, mas vou precisar amar vender. Detesto postar o dia inteiro, mas vou precisar postar o dia inteiro. Detesto fazer autopropaganda, mas vou precisar fazer autopropaganda. Não entendo absolutamente nada sobre relatórios e métricas, mas vou precisar aprender.

No momento que entendi isso, a coisa fluiu. Em abril de 2019, comecei a ver retornos e a colher os frutos. Grandes marcas começam a se associar ao Queremos Passear. O orgulho explode e a cabeça fervilha com tantas e tantas ideias.

Ainda que sem salário, ‘empreguei’ minha tia (madrinha) e minha mãe, exatamente nessa ordem. A vida delas mudou e ainda mudará muito mais. É uma nova chance para elas. Estão se reinventando depois dos 60.

Hoje em dia, trabalho tanto ou mais do que antigamente, mas sabe de uma coisa, todos os dias, eu disse todos os dias, estou pontualmente às 17h45 para buscar o meu filho na escola. E se ele fica doente, é comigo que fica.

Voltei a sentir aquela paixão avassaladora, mas agora pelo meu negócio. E o prazer de ter o tempo do Antônio todos os dias não tem preço.”

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