Família

Você já ouvir falar em “mom-shaming”? Veja alguns relatos de mães sobre esse fenômeno

Deixem as mães em paz

Isabella Zacharias

Isabella Zacharias ,Filha de Aldenisa e Carlos

Você sabe o que é “mom-shaming”? (Foto: Getty Images)

Não existe uma tradução exata da expressão “mom-shaming” para o português. A palavra vem do inglês “mom“, que significa mãe, e do “shaming“, que significa constranger ou envergonhar.

O “mom-shaming” significa uma forma de assédio, em que o objetivo é constranger ou humilhar mães. Você pode não saber, mas muitas mulheres já passaram por isso. Uma das características é que ele ocorre independentemente das escolhas da mãe.

Embora as mulheres se questionem se são boas mães quando são vítimas do mom-shaming, o fenômeno não indica uma falha da parte delas e sim uma espécie de regra social, que normaliza censura e o policiamento das mães, feito por conhecidos e desconhecidos.

O BuzzFeed Brasil questionou algumas mães se elas já tinham sido vítimas do mom-shaming e o resultado foi muito triste, mostrando como as mães são alvos de críticas, não importa o que façam.

O mom-shaming na escolha do parto

A Natiele Seffer contou que tem 2 filhos e sofreu antes mesmo do nascimento: “Quando eu estava grávida do meu filho mais velho, ouvi da MÉDICA: Tu vai tentar parto normal? Eu não faria isso, tu não tem estrutura corporal para um parto normal, tu não vai aguentar não (sou baixinha, tenho 1,60m e 50kg). Na hora, eu até fiquei sem reação. No final, ele nasceu de parto normal super tranquilo”.

Outra mãe respondeu de forma anônima dizendo que foi criticada por querer ter um parto cesárea: “Já entrei numa treta homérica num grupo de mãe por aquele velho motivo nojento: mãe de cesária não pariu e é menos mãe”.

Só mãe podem saber como é ser julgada em escolhas mais simples (Foto: GettyImage)

Mom-shaming na amamentação

A Tatiane Araújo foi criticada por amamentou a filha até os 6 meses: “Minha ex-sogra dizia que eu ia matar a menina de sede e fome e, acreditem se quiser: enquanto ela mamou exclusivamente, parecia o bonequinho da Michelin de tanta dobra que tinha. Ela raramente fica doente”.

Outra leitora anônima disse que foi muito criticada por amamentar por pouco tempo: “Já me falaram que Deus ia me castigar por que estou COGITANDO amamentar apenas os 4 meses da licença-maternidade. Não sei nem se minha bebê vai pegar peito, nem se vou amamentar mais tempo, mas pelo visto só de cogitar essa possibilidade vou para o inferno”.

Outra leitora disse que não pode amamentar e passou por uma situação muito chata: “Entrei em depressão por isso e só saí com muita meditação, yoga, terapia e uma nova ótica de vida. O marido da minha tia, ao saber que não pude amamentar, gritou no meio da reunião de família (a reunião era porque minha vó estava morrendo): ‘MÃE QUE É MÃE, AMAMENTA'”.

A Ana Julia Matos disse que as pessoas a criticaram por ter dado fórmula para o filho ao invés de amamentar. “Todos na família ficavam: ‘Nossa, que absurdo esse guri não pegar peito, a culpa é sua, dar de mamar no peito é tão bom, você não amamenta porque não quer, vai fazer falta para ele’. Hoje ele tem 6 anos e é muito forte. Já o segundo filho, que está com 23 dias, fica no peito o dia todo e ficam falando: ‘Que absurdo, seu leite não sustenta ele, dá fórmula'”.

Nenhuma mãe é “menos mãe” por não poder amamentar (Foto: Shutterstock)

As mães são criticadas até por causa da fralda!

A Joice contou que foi muito repreendida ao fazer o desfralde do filho quando ele estava com 3 anos e 3 meses: “Esperei o tempo dele!”.
A Issa Lopes passou por uma situação muito chata com seu filho ao sair pela primeira vez sem a fralda: “Fui vítima de olhares e comentários porque meu filho fez xixi na roupa no shopping, a caminho do banheiro… (Acionei a segurança e pedi para chamar a limpeza na mesma hora). Ouvi uma mulher comentando com o marido que era uma irresponsabilidade sair com uma criança sem fralda. Poxa, ele estava aprendendo e não conseguiu segurar até o banheiro… Ele ficou muito chateado e começou a chorar baixinho”.

Respeite o tempo da criança para o desfralde (Foto: iStock)

O Mom-shaming existe na hora da escolha de trabalhar ou não trabalhar
“Todos me julgam por ainda não ter voltado a trabalhar para cuidar da minha filha…”, disse Kelly Felix.
“Já me criticaram porque tive que colocar meu filho na escola e ir trabalhar. Porque ‘lugar de mãe é em casa’, contou a Jéssyka Fernandes.
A Jessica Matamura disse que as pessoas a consideram uma péssima mãe porque ela trabalha em outra cidade e só volta aos fins de semana. “Ninguém sabe do nosso dia a dia, do quanto dói permanecer longe, o quanto sofremos, mas que ficamos orgulhosos por estar provendo uma condição financeira digna. O que me mantém forte é vê-la feliz, saudável e vivendo em um ambiente cheio de amor”.

Não é errado voltar a trabalhar depois de ser mãe (Foto: Getty Images)

As mães são criticadas se buscam um companheiro ou não!
“Já me criticaram por ter namorado. Porque agora que tenho filho, não devo namorar”, completou Jéssyka Fernandes.
A Grazielle Kusma é mãe solo e contou: “Já escutei algumas vezes sobre como vai fazer mal para minha filha a falta de um homem em casa”.
A Thaiane Luísa, de 21 anos, falou sobre sua mãe: “Esses dias contei para uma conhecida que minha mãe tava conhecendo um cara. Acredita que ela torceu a cara falando sobre mãe solteira? EU TENHO 21 ANOS, E MINHA MÃE PODE E DEVE FAZER O QUE BEM ENTENDER DE SUA VIDA AMOROSA”.

Não se sinta culpada por ter ou não um namorado! (Foto: Getty Images)

Até as mulheres que não são mães já passaram pelo mom-shaming, dá pra acreditar?
Por exemplo, a Manuela Alves relatou um absurdo: “Quando meu irmão nasceu, eu tinha 15 anos. Um dia, enquanto ele ainda era bebê, estávamos passeando e uma pessoa aleatória na rua começou a falar que era uma vergonha eu nova daquele jeito com um filho no colo e que eu não tinha como criar!”.
O mercado de trabalho também é um dos principais cenários do mom-shaming.
“Assim que voltei a trabalhar, ouvi da minha chefe que eu já deveria ter desmamado o meu bebê muito antes de voltar e que na época dela ela deixava o filho às 7 da manhã e só pegava às 20h. Claramente me intimidando”, disse uma leitora anônima.
A Dany Mucheroni fez um relato sobre entrevista de emprego: “Cansei de mandar currículos, fazer entrevistas que algumas vezes, apesar de sentir a aceitação do entrevistador, vinha a pergunta maldita: ‘Você tem filhos? Eles têm quantos anos?’. Depois disso é um nariz torcido pra cá e pra lá, um olhar de raio-x julgando a capacidade reprodutiva. Só nisso, já dá pra saber que é melhor sorrir, acenar e partir pra próxima”.
O mom-shaming é mais uma de muitas formas de dizer que as mulheres, no caso as mães, não são boas o suficiente. É sempre bom lembrar que não existe o jeito certo, existe o seu jeito.
Leia também: