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Aborto espontâneo: a culpa não é sua!

Acredite, no final fica tudo bem!

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Redação Pais&Filhos

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(Foto: iStock)

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Uma pesquisa sobre aborto realizada em 2015 comprovou que entre três mulheres que sofreram o aborto espontâneo, duas não conseguem contar nem para suas melhores amigas sobre o ocorrido. Triste, não é? Mas essa maré está passando e muitas mulheres estão quebrando esse tabu – ainda bem!

À medida que mais e mais mães corajosamente se abrem para o público sobre seus abortos espontâneos, nós damos uma luz sobre o que é preciso para se abrir e como essa tendência inspiradora pode mudar a maternidade para melhor – e para sempre.

Tirando a culpa 

De acordo com historiadores, desde a idade média as mulheres se culpam por não conseguirem dar filhos homens aos seus maridos. “O estigma do aborto foi em grande parte econômico”, explica Edward Shorter, professor de história da medicina. As razões para o aborto foram um mistério médico até muito recentemente, pois as mães sempre foram consideradas o problema. Nos anos 1500, o médico inglês Thomas Reynalde escreveu que dançar ou pular; sentir raiva, tristeza ou alegria repentina; e gastar muito tempo no frio poderia levar ao aborto.

Séculos depois, as consequências a longo prazo de toda essa humilhação materna e culpabilização da mãe são fáceis de ver. As mulheres tradicionalmente mantêm o segredo da gravidez até os três meses e escondem sua dor se abortarem a qualquer momento ao longo do caminho. De acordo com um estudo publicado no Obstetric and Gynecology, 41% dos casais que viveram um aborto espontâneo sentiram que eles haviam feito algo de errado. Mas na realidade, os abortos são quase sempre causados por fatores que estão fora do controle da mãe – como anormalidades genéticas no embrião.

Isso tem um forte impacto na vida dessas mães. A perda de um bebê pode ser traumatizante, isoladora, provocadora de culpa e difícil de esquecer. Uma pesquisa sobre relações familiares mostrou que a ausência de apoio de famílias e amigos nessa situação pode até mesmo fazer com a mãe tenha depressão. A maioria das mulheres que passaram por isso sentem que a melhor ajuda pode ser a de alguma pessoa que também sofreu de um aborto espontâneo.

O efeito do feed de notícias 

À primeira vista, a postagem de Anna Myers no Facebook parecia um anúncio de gravidez. Mas quando seus amigos e parentes leram atentamente, a verdade era clara. A mãe de quatro filhos de Indiana, nos Estados Unidos, postou uma foto das mãos de sua família segurando uma foto de ultrassom e, ao lado dela, sua triste notícia: “Eu estaria fazendo 11 semanas amanhã, mas nosso doce bebê morreu há algumas semanas”. O post recebeu 200 comentários de apoio, incluindo um em que uma amiga revelou seu próprio aborto espontâneo. “Virou um lugar para receber apoio. Eu recebi muitos abraços virtuais de uma vez só”, ela disse.

Muitas mulheres dizem que as mídias sociais lhes dão o controle do que precisam e desejam quando contam suas histórias. “Eu não tive que estabilizar minha voz ou lutar contra as lágrimas. Eu poderia chorar enquanto eu digitava e poderia ter reações sinceras aos comentários das pessoas. Eu poderia parar de ler os comentários que eram prejudiciais ou reler comentários que foram úteis”, disse Cristal Henry. Mas a decisão do post não é fácil para todas as mães, então fique tranquila se não conseguir compartilhar esse tipo de coisa nas redes sociais.

Esperando um rainbow baby 

Quando uma mulher que já teve um aborto espontâneo fica grávida de novo, a ansiedade pode ser esmagadora. Mesmo que você tenha perdido o bebê cedo, qualquer pequena coisa faz com que você fique preocupada. Muitas mães realmente não conseguem ficar calmas enquanto não estão com o bebê em seus braços. A gente sabe que sofrer um aborto espontâneo deve ser uma dor horrível, mas não se culpe e, acredite, no final fica tudo bem!

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