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Estudo explica se progesterona pode ou não evitar abortos espontâneos que acontecem mais de uma vez

Eles analisaram mais de 4 mil grávidas

Nathalia Lopes

Nathalia Lopes ,Filha de Márcia e Toninho

Os pesquisadores resolveram entender a ligação entre a progesterona e os abertos

Muitas mulheres têm o sonho de serem mãe, e as vezes o processo não é o mais tranquilo de todos. Algumas mulheres passam por alguns abortos espontâneos e até por dois ou mais seguidos. É o caso de Samantha Allen, que perdeu dois bebês. Ela resolveu que não aceitaria mais essa situação e decidiu que iria fazer um tratamento com progesterona.

Um estudo da Universidade Birmingham, no Reino Unido, tenta entender a relação entre o hormônio e aborto recorrente. Os pesquisadores queriam ajudar mulheres que sofrem com isso, eles achavam que a progesterona poderia ajudar. O hormônio poderia engrossar o endométrio e também fortalecer o sistema imunológico. Os chefes do estudo analisaram 4.000 mulheres.

Eles separaram aleatoriamente as mulheres em dois grupo e 2.ooo delas receberam a progesterona, enquanto a outra metade recebeu apenas placebo. Elas recibam duas doses de 400 mg de progesterona  por meio de supositórios vaginais ou duas doses de placebo pareado.

Para fazer parte do estudo as mulheres já tinham que estar grávidas de até seis semanas, se estivessem de sete semanas, já não seriam aceitas. E a medicação foi feita até a 12ª semana. Por mais que o estudo não tenha a confirmação de que o hormônio realmente ajude, Samantha decidiu que seguiria com o tratamento.

Ela tomou as duas doses do hormônio até a 18ª semana de gestação. Ela contou à BBC que teve um sangramento nas primeiras semanas que estava tomando o hormônio (as mulheres do estudo também tiveram esse mesmo problema), mas depois seguiu com a gravidez normalmente.

Hoje, ela e o marido são pais do Noah, um menino supersaudável e toda a família vive feliz com o sonho realizado. O casal britânico disse que espera que outras pessoas possam se inspirar com essa ideia e com o estudo e tentar mais uma vez. Eles também torcem por essas pessoas. “Só espero que eles não tenham que passar pela mesma mágoa”, disse.

Por mais que os resultados do estudo não confirmem em 100% que a progesterona realmente ajude a evitar o aborto, Jane Brewin, que cuida de um centro de apoio pra quem passou por uma situação parecida, disse que o estudo é significativo.

‘Os resultados deste estudo são importantes para pais que sofreram aborto espontâneo, eles agora têm uma opção de tratamento robusta e eficaz que salvará muitas vidas e evitará muita mágoa. Isso nos dá confiança para acreditar que mais pesquisas produzirão mais tratamentos e, finalmente, tornarão muitos mais abortos evitáveis”, disse Jane.

Afinal, mesmo que o estudo tenha mostrado que nem todas as mulheres com sangramento precoce poderiam ser ajudadas pelo hormônio, os benefícios foram maiores entre as que tinham histórico de abortos recorrentes. Houve um aumento de 15% na taxa de nascidos vivos – com 98 de 137 mulheres que continuaram a ter um bebê, em comparação com 85 de 148 no grupo placebo.

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