Engravidar

Paolla Oliveira fala sobre congelamento de óvulos

A atriz também comentou sobre sentimentos que teve e sobre os efeitos do tratamento no corpo

Nathalia Lopes

Nathalia Lopes ,Filha de Márcia e Toninho

Paolla falou sobre como se sentiu ao fazer congelamento de óvulos (Foto: Reprodução/Instagram @paollaoliveirareal)

Paolla Oliveira ainda não é mãe e nem sabe se quer ter filhos.  A atriz não gosta de rótulos e nem de definir nada, mas por conta da idade precisou tomar uma decisão que muitas mulheres precisam tomar: “Congelar ou não os meus óvulos”.

Depois de passar por todo o tratamento, que pode ser longo, Paolla contou quais foram os efeitos das injeções hormonais no físico e no psicológico. As mulheres precisam de uma superdose de hormônios para deixar os óvulos prontos para o procedimento.

A maternidade tardia é cada vez mais real para as mulheres brasileiras, que muitas vezes se preocupam primeiro com o emprego e com a carreira para encontrar uma estabilidade para criar os filhos.

Paolla revelou em entrevista ao Jornal O Globo, em julho deste ano, que havia passado pelo procedimento de congelamento. “Levo a vida sem a obrigação de ter que estar em algum lugar. E, mais importante, não gosto de ter que me encaixar em rótulos, padrões. E, para não ficar à mercê do tempo, tratei de me cuidar e fiz o congelamento de óvulos. Eu não sei se quero ter filhos, mas não sei o dia de amanhã”.

Os sintomas

Já com os óvulos muito bem congelados, ela falou para a revista Bazaar como foi passar por todo o tratamento. “Nunca entendi o que era o relógio biológico para mim. Esse relógio ainda não despertou para filhos, mas, sim, para o meu corpo, e a médica disse que era a hora de fazer o procedimento”, começa.

“Em setembro passado, eu estava sob o efeito de quase 60 injeções de hormônios, tomei as taxas máximas, engordei, mas me dediquei a voltar a ser quem eu era.”, começa.

“Mexeu com o emocional ver que o envelhecimento do corpo não é só ruga no rosto, e sim comparar as taxas dos exames. É clichê dizer isso, mas me olhei de dentro para fora, o tempo passou, por isso aceitei fazer tudo que fiz”, encerra.

Entenda o congelamento

Entenda o congelamento de óvulos

A especialista em reprodução humana Ana Lucia Beltrame, mãe de Rafael e Guilherme, conta que a técnica de congelamento melhorou muito nas últimas três décadas. “Se na década de 80 somente 10% dos casos davam certo, hoje esse número aumentou para 30% e 40%”, explica.

Quem faz?

A vitrificação é indicada para mulheres que têm idade superior a 35 anos; as que têm histórico de menopausa precoce na família; para as que passarão por quimioterapia ou radioterapia; as que desejam conservar sua fertilidade; e para casais que obtiveram óvulos em excesso durante um processo de fertilização in vitro.

Como funciona?

O processo é feito em duas etapas. Primeiro é induzida a ovulação por meio de aplicação de medicação. Essa etapa dura de 9 a 11 dias. Em seguida é feita a coleta do óvulo. “Por meio do ultrassom, eu consigo visualizar os folículos dos ovários. Pela medida do folículo, vejo quando o óvulo está maduro”. Isso indica que o folículo pode ser extraído. A coletagem do folículo é feita por meio de um procedimento realizado em ambiente cirúrgico, com sedação venosa e que dura em torno de 15 minutos”.

Riscos

De acordo com o presidente do Instituto Ideia Fértil e professor responsável pelo setor de genética e reprodução humana da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Caio Parente Barbosa, de 3% a 5% das mulheres que são submetidas à fertilização podem ter síndrome da hiperestimulação ovariana.

“Normalmente em um ciclo menstrual fisiológico o organismo da mulher libera um óvulo. Quando a mulher é submetida ao processo de indução, chega a produzir de 15 a 20 óvulos. Para que os óvulos sejam liberados de dentro dos folículos, os vasos sanguíneos liberam substâncias que rompem as paredes desses folículos. Como a produção de óvulos está acima da média, a quantidade de substâncias também aumenta e podem vazar para dentro do abdômen e do tórax”, alerta.

Os principais sintomas são desconforto abdominal, dificuldade de respirar e aumento da circunferência abdominal. Barbosa diz, no entanto, que existem medicamentos que diminuem e formação de líquido. Por isso é importante o acompanhamento constante de um profissional durante todas as etapas do procedimento.