Uma em cada 100 mulheres não sente dor durante trabalho de parto, afirma estudo

Os pesquisadores descobriram que elas possuem uma variação no gene KCNG4, que tem ligação direta com essa sensação

Resumo da Notícia

  • Um estudo de Cambridge mostrou que algumas mulheres não sentem dor durante o trabalho de parto
  • Isso acontece por uma variação em um gene, que está associado ao limite em relação à dor
  • Os pesquisadores dizem que as conclusões abrem caminhos para descobrir novas formas de controlar a dor nesse momento

O momento do parto é sempre muito aguardado (e, até, temido) pelas mulheres. Porém um estudo feito na Universidade de Cambridge provou que nem para todas, ao concluir que uma em cada cem não sentem nenhuma dor durante esse processo.

Os pesquisadores disseram que as descobertas podem ajudar em tratamentos (Foto: Shutterstock)

Os cientistas descobriram que isso acontece por conta de uma rara variação no gene KCNG4 nessas mulheres, que está associado diretamente a um limite maior de tolerância a dor. Ao que tudo indica, essa alteração reduz a habilidade das células nervosas de enviar os “sinais de dor” para o cérebro.

A descoberta deixou os pesquisadores animados. Eles acreditam que isso pode “abrir caminhos para o desenvolvimento de novos medicamentos para controlar a dor”.  Dr. Ewan St. John Smith do departamento de farmacologia e coautor do estudo afirmou ao The Sun que a variação leva a um defeito na troca de informação entre as células e cérebro.

“Isso significa que é necessário um sinal muito mais forte, em outras palavras contrações mais intensas durante o trabalho de parto, para a troca acontecer”, completa. A pesquisa foi publicada no jornal Cell.

Durante o estudo, foi analisado um grupo de mulheres que deram à luz primeiro filho através do parto natural e não pediram nada para aliviar a dor. Em comparação ao grupo de controle, essas mulheres com alteração no gene KCNG4 apresentaram maior tolerância em relação ao calor, frio, e pressão mecânica.

O professor David Menon, coautor do estudo, finalizou: “Essa abordagem de estudar pessoas que, inesperadamente, apresentaram extremos de experiências de dor também pode encontrar mais aplicações em outros contextos, nos ajudando a entender como nós sentimos a dor e desenvolver novos medicamentos para tratar isso”.