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Dia Nacional do Teste do Pezinho: a importância e a luta para a ampliação do exame na rede pública

O teste básico, direito de todo bebê, detecta seis doenças, enquanto o pago consegue descobrir até 50 doenças graves antes de surgir qualquer sintoma

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

Pezinho nervosos (Foto: Getty Images)

Hoje, dia 6 de junho, é o Dia Nacional do Teste do Pezinho. Muitas pessoas acabam deixando de lado o exame por medo de machucar o bebê ou por não saberem da importância do teste e, por isso, viemos bater na tecla: o teste do pezinho é essencial para seu filho!

Como funciona o exame?

Desde 1992, o Teste do Pezinho é obrigatório em todo o território nacional e hoje está previsto no Programa Nacional de Triagem Neonatal, adotado pelo Ministério da Saúde em 2011. O exame é bem simples, rápido e praticamente indolor: tira-se algumas gotinhas de sangue do calcanhar do bebê, em uma parte com poucas terminações nervosas, entre seu terceiro e quinto dia de vida. Essas gotinhas vão permitir o diagnóstico de algumas doenças raras, sejam elas genéticas ou metabólicas, para tratá-las antes que elas possam gerar sequelas na criança, como a deficiência intelectual ou outros prejuízos à qualidade de vida. Muitas delas não apresentam sintomas ao nascimento e podem aparecer mesmo sem casos na família.

Existem três tipos de testes do pezinho disponíveis no país:um básico e dois ampliados. O mais simples é gratuito e pode identificar até seis doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme e demais hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. Já as duas versões ampliadas podem detectar de 10 a 48 doenças. Apenas o teste básico está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) — os outros dois existem somente em clínicas, maternidade e hospitais particulares.

A luta para o teste do pezinho ampliado na rede pública

Diversas ONGs e associações de pais de crianças com doenças raras se mobilizam para que a versão ampliada do exame também seja disponibilizada de graça na rede pública. A APAE DE SÃO PAULO, por exemplo, oferece testes mais ampliados, em que é possível se detectar até 50 doenças graves, incluindo falhas imunológicas que podem levar a óbito caso não sejam tratadas precocemente.

“É importante que cada vez mais crianças tenham acesso ao diagnóstico precoce de doenças graves para que possam receber os tratamentos adequados e ter mais qualidade de vida. A APAE DE SÃO PAULO atua para prevenir e promover a saúde das pessoas. Investimos em pesquisas e tecnologias, o que nos possibilita atender pessoas de todo o País. Somente no ano passado, nosso laboratório realizou mais de 2,6 milhões de exames do Teste do Pezinho, mas é possível aumentar esses números com a ampliação da cobertura”, explica Aracélia Costa, superintendente-geral da Organização.

Teste do pezinho

Atualmente, a APAE é responsável pela realização do teste de 80% dos bebês nascidos na capital paulista e 67% dos recém-nascidos do Estado de São Paulo triadas no Brasil por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e de maternidades e hospitais privados. O Laboratório da APAE DE SÃO PAULO é o maior da América Latina em número de exames realizados e desde a sua implantação triou mais de 16 milhões de crianças brasileiras.

Para os pais que querem ser ainda mais precavidos, é possível complementar o teste do pezinho com outro exame que investiga imunodeficiências. “São doenças graves que, a princípio, podem não causar sintomas. A criança com imunodeficiência é mais sujeita a infecções. Mesmo infecções sem gravidade para pessoas com imunidade normal, podem ser extremamente graves e letais em pacientes com imunodeficiências congênitas. O teste é chamado SCID e AGAMA, conhecido também por TREC e KREC. Se houver casos de imunodeficiências na família, a realização do exame é ainda mais indicada”, explica a Dra. Monica Carceles, pediatra e neonatologista da Pro Matre Paulista.

Junho Lilás

Para conscientizar a população sobre a importância do exame, a APAE DE SÃO PAULO e a Unisert (União Nacional dos Serviços de Referência em Triagem Neonatal) promovem a ‘Campanha Junho Lilás’, durante todo o mês, com a participação de personalidades como a apresentadora Ticiane Pinheiro, a atriz Karina Bacchi, a dupla sertaneja Maria Cecilia e Rodolfo e a médica pediatra e embaixadora da saúde da APAE de São Paulo Ana Escobar.

Também no Dia Nacional do Teste do Pezinho, o Instituto Vidas Raras dá visibilidade a campanha para o exame ampliado com o objetivo de reunir parceiros de diversas regiões do país. A atriz Bianca Rinaldi, mãe de gêmeas, apoiou a causa do ao lado do Instituto. O projeto visa reunir 1 milhão de assinaturas para tornar a ampliação do teste do pezinho uma realidade acessível a todos no país. Para participar da campanha de coleta de assinaturas, acesse o portal do Instituto Vidas Raras.

Monumentos públicos, como o Congresso Nacional, no Distrito Federal, receberão iluminação especial com a cor lilás. Na capital paulista, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo, também haverá iluminação especial, entre os dias 3 e 10 de junho, em alguns pontos, como a Ponte Octávio Frias de Oliveira, Viaduto do Chá, Prédio da Prefeitura (Edifício Matarazzo-Viaduto do Chá), Fonte do Parque do Ibirapuera, Memorial da América Latina e Monumento às Bandeiras.

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