Dia Nacional do Teste do Pezinho: a importância e a luta para a ampliação do exame na rede pública

O teste básico, direito de todo bebê, detecta seis doenças, enquanto o pago consegue descobrir até 50 doenças graves antes de surgir qualquer sintoma

Resumo da Notícia

  • Hoje é o Dia Nacional do Teste do Pezinho
  • Esse procedimento é fundamental para o bebê e não pode ser pulado
  • Veja como funciona e os benefícios para o seu filho
Não deixe de fazer o Teste do Pezinho (Foto: Getty Images)

Hoje, dia 6 de junho, é o Dia Nacional do Teste do Pezinho. Muitas pessoas acabam deixando de lado o exame por medo de machucar o bebê ou por não saberem da importância do teste e, por isso, viemos bater na tecla: o teste do pezinho é essencial para seu filho!

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Como funciona o exame?

Desde 1992, o Teste do Pezinho é obrigatório em todo o território nacional e, atualmente, está previsto no Programa Nacional de Triagem Neonatal, adotado pelo Ministério da Saúde em 2011. O exame é bem simples, pouco invasivo, rápido e praticamente indolor: tira-se algumas gotinhas de sangue do calcanhar do bebê, em uma parte com poucas terminações nervosas, entre seu terceiro e quinto dia de vida. Essas gotinhas vão permitir o diagnóstico de algumas doenças raras, sejam elas genéticas ou metabólicas, para tratá-las antes que elas possam gerar sequelas na criança

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“O diagnóstico precoce facilita o tratamento e pode trazer mais qualidade de vida para as famílias”, explica Dra. Milen Mercaldo pediatra do Hospital Anchieta. Muitas das crianças não apresentam sintomas ao nascimento e podem aparecer mesmo sem casos na família.

Existem três tipos de testes do pezinho disponíveis no país:um básico e dois ampliados. O mais simples é gratuito e pode identificar até seis doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme e demais hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. Há também a possibilidade de realizar o teste estendido, capaz de identificar de 40 a 50 patologias. Apenas o teste básico está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) — os outros dois existem somente em clínicas, maternidade e hospitais particulares.

Caso o resultado do exame seja positivo para alguma das doenças, é preciso tirar a prova com um novo teste comprobatório. Mesmo assim, não é certeza que a criança irá desenvolver a complicação em questão. Nesses casos, é preciso repetir o teste e manter o acompanhamento de um pediatra, que deve ficar atento a qualquer manifestação clínica da doença.

A luta para o teste do pezinho ampliado na rede pública

Diversas ONGs e associações de pais de crianças com doenças raras se mobilizam para que a versão ampliada do exame também seja disponibilizada de graça na rede pública. A APAE DE SÃO PAULO, por exemplo, oferece testes mais ampliados, em que é possível se detectar até 50 doenças graves, incluindo falhas imunológicas que podem levar a óbito caso não sejam tratadas precocemente.

“É importante que cada vez mais crianças tenham acesso ao diagnóstico precoce de doenças graves para que possam receber os tratamentos adequados e ter mais qualidade de vida. A APAE DE SÃO PAULO atua para prevenir e promover a saúde das pessoas. Investimos em pesquisas e tecnologias, o que nos possibilita atender pessoas de todo o País. Somente no ano passado, nosso laboratório realizou mais de 2,6 milhões de exames do Teste do Pezinho, mas é possível aumentar esses números com a ampliação da cobertura”, explica Aracélia Costa, superintendente-geral da Organização.

É necessário fazer o teste do pezinho para garantir a saúde do bebê

Atualmente, a APAE é responsável pela realização do teste de 80% dos bebês nascidos na capital paulista e 67% dos recém-nascidos do Estado de São Paulo triadas no Brasil por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e de maternidades e hospitais privados. O Laboratório da APAE DE SÃO PAULO é o maior da América Latina em número de exames realizados e desde a sua implantação triou mais de 16 milhões de crianças brasileiras.

Para os pais que querem ser ainda mais precavidos, é possível complementar o teste do pezinho com outro exame que investiga imunodeficiências. “São doenças graves que, a princípio, podem não causar sintomas. A criança com imunodeficiência é mais sujeita a infecções. Mesmo infecções sem gravidade para pessoas com imunidade normal, podem ser extremamente graves e letais em pacientes com imunodeficiências congênitas. O teste é chamado SCID e AGAMA, conhecido também por TREC e KREC. Se houver casos de imunodeficiências na família, a realização do exame é ainda mais indicada”, explica a Dra. Monica Carceles, pediatra e neonatologista da Pro Matre Paulista.

Junho Lilás

Para conscientizar o público sobre a importância desse teste, o mês de Junho é dedicado a isso. Por isso, o Instituto Jô Clemente (antiga APAE DE SÃO PAULO) e a União Nacional dos Serviços de Referência em Triagem Neonatal (Unisert) lançam hoje a campanha Junho Lilás, com a hashtag #VamosDarMaisUmPasso.

“Nosso foco este ano é orientar a sociedade sobre a necessidade da ampliação do teste do pezinho para o diagnóstico precoce de até 50 doenças, incluindo as doenças raras, que demandam intervenções clínicas emergenciais e tratamentos específicos”, afirma Daniela Mendes, superintendente-geral do IJC. A especialista reforça a importância de expandir o acesso a toda a população.

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