Saúde

Campanha contra a gripe termina hoje e Ministério divulga segunda chance para quem ainda não vacinou o filho

Até agora eles não conseguiram atingir a meta de vacinação

Samirah Fakhouri

Samirah Fakhouri ,filha de Rose e Fauzi

Campanha de vacinação acaba e as vacinas serão liberadas para outros públicos (Foto: Getty Images)

Nesta Sexta-feira, 31 de maio, termina a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe que está direcionada a um público específico: idosos, crianças até os 6 anos, gestantes, profissionais de saúde e professores. O Ministério da Saúde, anunciou que a partir de segunda-feira, 3 de junho, as doses restantes da campanha estarão disponíveis para o público geral. Ou seja, se você ainda não vacinou a família terá uma segunda chance!

A meta do Ministério desde o início era vacinar 59 milhões de pessoas, esse número corresponde a 90% público-alvo. Alguns estados já bateram a meta como Amazonas e Amapá. A campanha tem em todo o país, uma estrutura com mais de 40 mil postos de vacinação e a participação de 196 mil pessoas trabalhando. No Brasil, foi a OMS que decidiu quem entraria no público-alvo para receber a vacina de forma gratuita.

Dúvidas sobre a vacinação

Quais as doenças crônicas e condições especiais que também qualificam o paciente a receber a vacina?

– Doenças neurológicas crônicas (AVC, paralisia cerebral, esclerose múltipla…)

– Doenças hepáticas crônicas (hepatites, cirrose…)

– Doenças respiratórias crônicas (asma, DPOC, fibrose cística…)

– Doenças cardíacas crônicas (hipertensão, insuficiência cardíaca…)

– Doenças renais crônicas (paciente em diálise, síndrome nefrótica…)

– Diabetes

– Obesidade

– Imunossupressão (indivíduos que estão com o sistema imune abalado por doenças ou medicamentos)

– Trissomias (síndromes de Down, de Klinefelter, de Wakany…)

– Transplantes (órgãos sólidos e medula óssea)

Se você não faz parte desses grupos, é possível se proteger na rede privada. O preço sai entre 100 e 200 reais, dependendo da cidade.

Como é a vacina?

A gripe pode ser causada pelos vírus influenza A, B e C. Segundo o Ministério da Saúde, os vírus A e B são os mais preocupantes. Em média, as cepas A causam 75% das infecções, mas pode acontecer predomínio das cepas B em algumas temporadas também — por isso, as vacinas são mudadas todos os anos.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou as vacinas antigripais aprovadas para a campanha de 2019. A lista, revisada anualmente, contém as injeções cujas fórmulas foram atualizadas para se adequar às mutações do vírus influenza e outros subtipos que podem aparecer no país.

As vacinas aprovadas são:

– Fluarix Tetra, da GlaxoSmithKline Brasil Ltda

– Influvac, da Abbott Laboratórios do Brasil Ltda

– Influvac Tetra, da Abbott Laboratórios do Brasil Ltda

– Vacina Influenza trivalente (fragmentada e inativada), do Instituto Butantan

– Vacina Influenza Trivalente (subunitária, inativada), do Medstar Importação e Exportação Eireli

– Vaxigrip – Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda

Uma novidade no tipo ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é que a vacina trivalente já distribuída vai proteger também contra os vírus vírus H1N1, o H3N2 e o influenza do tipo B Victoria.

Na rede particular de saúde, o tipo tetravalente da vacina vai proteger também contra o tipo B Yamagata.

Vacinar é preciso

Em 2018, foram registrados 6.754 casos de influenza no Brasil, sendo que 1.381 pessoas morreram. E o mais preocupante: 9,3% eram crianças com menos de 5 anos. Segundo o Ministério da Saúde, 2,8 milhões de crianças menores de 5 anos não foram vacinadas durante as campanhas vacinais do ano passado. De acordo com o Programa Nacional de Imunizações, a vacinação de crianças atingiu o nível mais baixo no Brasil em 16 anos.

Vamos sempre bater na tecla da importância da vacinação. Essa queda histórica precisa levar à uma reflexão sobre o porquê dos pais não estarem cumprindo com a obrigação de proteger os filhos por meio da vacina. Deixar de imunizar as crianças na época adequada é ilegal no Brasil, já que esse é um direito assegurado há 28 anos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Enquanto é pequeno, seu filho não tem o poder de escolha sobre a vacinação e depende exclusivamente de você. Imunizar a família toda também funciona como um ato coletivo. Pense que, para uma doença conseguir sobreviver e se propagar, é preciso que outras pessoas estejam infectadas. Quanto mais gente protegida, o ciclo de um vírus ou bactéria se encerra e a doença pode ser erradicada. “Exceto para as doenças com exposição de risco individual, como o tétano e a febre amarela, a vacina funciona como uma arma coletiva da redução de circulação do agente infeccioso”, explica a pediatra Melissa Palmieri, membra da Sociedade Brasileira de Imunizações e coordenadora médica de vacinas do Grupo Hermes Pardini, filha de Antônio Carlos e Maria.

Sem medo da vacina

Qualquer pessoa que queira se proteger da doença pode ser vacinada, no entanto você precisa estar atento as contraindicações. A vacina não é indicada para pessoas que tiveram reações anafiláticas em doses anteriores ou com qualquer componente contido na solução. “Aqueles que têm alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados também não podem se vacinar”, aconselha Ivelise.

Mas aquela velha história de que a vacina leva a um quadro de gripe é mentira. Os pedaços de vírus usados na fabricação da vacina estão inativados e não conseguem causar mal algum.

Além disso, segundo a especialista, as reações são mínimas. “As vacinas utilizadas durante as campanhas contra influenza são constituídas por vírus inativados, fracionados e purificados, portanto, não contêm vírus vivos e não causam a doença”, comenta. Reações como dor no local da injeção, eritema e enduração ocorrem em 15% a 20% dos casos e geralmente vão embora em 48 horas. “Reações anafiláticas são extremamente raras”, conclui Ivelise.

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