Saúde

Dia Mundial de Combate à Meningite: entenda a doença que pode causar morte entre 24 e 48 horas

O Brasil ainda está abaixo da meta de vacinação contra a doença

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Getty Images)Nesta quarta-feira, 24 de abril, é o Dia Mundial de Combate à Meningite. Entre o grupo de doenças, destacam-se no Brasil as meningites bacterianas, como a meningocócica, que merece atenção. Trata-se de um processo inflamatório das meninges — membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela é causada por uma bactéria e tem transmissão direta (de pessoa para pessoa). Segundo Felipe Lorenzato, Gerente Médico para Vacinas na GSK Brasil e PhD em Patologia Molecular pela University College London,  a meningite meningocócica pode acontecer por troca de secreções respiratórias e da garganta, como tosse, espirro, beijo ou do compartilhamento de utensílios de cozinha.

Por que ela é tão perigosa?

A meningite bacteriana é uma doença de evolução rápida: quando os sintomas aparecem, o quadro já está grave e pode levar a óbito em poucas horas. Ele também pode trazer consequências como convulsões, perda auditiva e retardo cognitivo. O tempo entre a exposição e a manifestação dos primeiros sintomas da infecção pela bactéria normalmente é de 2 a 10 dias, mais comum entre 3 e 4 dias.

A bactéria adere à boca e ao nariz, penetra a mucosa e vai para as membranas que recobrem o cérebro e a medula espinhal. Então, causa meningite meningocócica, e/ou atinge a corrente sanguínea, causando infecção generalizada. A meningite bacteriana pode causar deficiências sérias, permanentes e inclusive causar morte entre 24 e 48 horas após a manifestação da doença. Por isso, é muito importante que o tratamento seja feito de forma rápida.

Doença silenciosa

Aproximadamente 10% das pessoas, principalmente adolescentes e jovens, podem portar a bactéria na garganta ou nariz sem desenvolver a doença. Algumas pessoas que aparentam não estar doentes, ao tossir, espirrar ou beijar  podem transmiti-la. Basta que uma pessoa desenvolva a doença para que exista a possibilidade da ocorrência de um surto.

Quais os sintomas?

Os sinais iniciais da doença, como febre, irritabilidade, dor de cabeça, perda de apetite, náusea e vômito, são iguais a de doenças menos agressivas como o resfriado e outras doenças virais. Só depois que o paciente pode apresentar manchas arroxeadas na pele, rigidez na nuca e sensibilidade à luz. Os bebês em fase de aleitamento materno apresentam um quadro diferenciado. Por isso, deve-se observar: febre, irritabilidade ou agitação, gemido de dor ao mexer em suas pernas, recusa alimentar, vômitos, convulsões e o surgimento de uma protuberância arredondada no topo da cabeça do bebê.

(Foto: Getty Images)

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico inicial é clínico, com exame físico, feito por exclusão, já que os sintomas iniciais não são tão específicos. O diagnóstico laboratorial tem resultado entre 1 e 3 dias. Quando há suspeita clínica de doença, no entanto, o início do tratamento deve ser imediato e não deve aguardar o resultado dos testes.

Como se proteger?

A vacinação é uma das melhores formas de proteção não só contra meningite, mas também outros problemas de saúde. Além de causar morte entre 24 e 48 horas após a manifestação da doença, a meningite bacteriana pode causar deficiências sérias e permanentes. Por isso, é importante que o tratamento seja feito de forma rápida. Se você ou alguém da família tiver algum dos sintomas citados anteriormente, não deixe de procurar o médico.

As crianças pequenas correm maior risco de ser infectadas e são o grande alvo das campanhas de vacinação. Mas isso não significa que adultos estão livres — até 23% dos adolescentes e adultos são portadores da bactéria, podendo transmiti-la para outras pessoas através da saliva e partículas respiratórias, sem necessariamente desenvolver a doença. Por isso, é importante se vacinar e vacinar o seu filho, ok?

Cobertura vacinal

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil ainda está abaixo da meta de vacinação. Em 2017, a cobertura ficou em 86%. Em 2018, os dados preliminares mostram que a cobertura ficou em 79%. Em 2018, foram registrados 17.219 casos de meningite no Brasil. Já em 2017, foram 16.992. São Paulo é o estado com o maior número de casos registrados nos últimos anos.

Quais são as vacinas?

Hoje, existem vacinas para a prevenção dos cinco sorogrupos mais comuns no Brasil: as vacinas contra a meningite meningocócica causada pelo tipo B e as vacinas contra os tipos A, C, W e Y.

A vacina contra os tipos A, C, W e Y é recomendada para crianças com mais de 3 meses de idade, além de jovens e adultos, dependendo da situação epidemiológica. Já as vacinas para a prevenção do tipo B têm indicações de idade diferentes, mas abrangem a faixa etária dos 2 meses aos 50 anos.

Nos postos de saúde, a vacina contra a doença causada pelo meningococo C é disponibilizada para crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes de 11 a 14 anos.

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