Criança

Dia mundial do vitiligo: entenda a importância do acompanhamento psicológico desde cedo

A doença, que é autoimune, pode aparecer do dia para a noite e mexer com a autoestima. Saiba mais sobre o assunto!

Gabrielle Molento

(Foto: iStock)

(Foto: iStock)

Dias de conscientização sobre doenças são muito importantes para que as pessoas entendam mais sobre elas, suas causas, tratamentos e até diminuam seu preconceito. Por isso, hoje, dia 25 de junho, dia mundial do vitiligo, não poderia ser diferente. Tem gente que ainda não sabe muito bem do que estamos falando, por isso, esclarecemos algumas dúvidas e batemos na tecla da importância do acompanhamento psicológico.

De acordo com o Dr. Caio Castro, médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pais de Pedro, Felipe e Giulia, o vitiligo é uma doença genética e autoimune que causa manchas brancas na pele devido à diminuição ou ausência de melanócitos. Mas o que é isso? Bom, melanócitos são células responsáveis pela formação de melanina, pigmento que dá cor à nossa pele. A despigmentação acontece principalmente em áreas de atrito, como braços, cotovelos, mãos e pés.

Nem todos os motivos que desencadeiam a doença foram esclarecidos, no entanto, traumas emocionais podem estar relacionados aos fatores que desencadeiam e agravam as manchas. “O vitiligo pode aparecer do dia para a noite em pessoas com tendências genéticas. Elas podem sentir leve coceira na região e a área fica sensível à luz do sol. Mas diferente do que se imagina, essas pessoas não tem mais tendência a ter câncer de pele. Isso acontece porque a pele afetada fica mais grossa e uma proteína chamada P53 a protege”, explicou o médico.

Existem dois grupos que classificam as pessoas com vitiligo: O grupo segmentar, que tem o vitiligo mais localizado apenas em algumas regiões e que começa mais cedo, geralmente com 14 anos, e o grupo comum, que é considerado mais grave, que aparece por volta dos 24 anos e que, geralmente, a pessoa pode estar mais instável e as manchas continuam aparecendo. Apesar dessa classificação, o vitiligo pode aparecer também na infância, até mesmo nos primeiros meses de vida.

Quem tem essa doença, precisa ter alguns cuidados, como usar filtro solar para proteger-se do sol – na verdade, essa é uma regra que deveria ser seguida por todas as pessoas -, controlar o estresse e evitar roupas apertadas ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele. Assim, é possível prevenir que novas lesões apareçam e que as manchas existentes se de acentuem. Os principais tratamentos são feitos com cremes corticóides, com tacrolimus inibidores de calcineurina e em cabines de ultravioleta A e B.

Além das manchas

Os sintomas ‘físicos’ do vitligo, na maioria dos casos, não afetam tanto quanto os psicológicos. Por conta das manchas, essa doença pode causar uma retração social e levar à diminuição da autoestima da pessoa. De acordo com a doutora Monica Pessanha,  psicoterapeuta infantil e mãe de Melissa, a pessoa pode aprender a conviver com as lesões desde que consiga gostar do que vê e se amar independente do olhar dos outros. Esse papel começa, principalmente no caso das crianças, em casa, com os pais.

“O ideal é que os pais conversem com os filhos, sobre o papel deles e a importância na família, na escola, como eles são bonitos”, explica. Ensinar as crianças desde cedo a conviver com o vitiligo e gostarem de si mesmas, é essencial. “Tenho uma paciente com vitiligo e fizemos uma sessão de fotos, pra ela conseguir se aceitar, por exemplo. Ela se angustiava muito com as manchas, e por isso, passamos a trabalhar a ideia dela se ver pelo olhar de uma câmera. Começamos a fazer pequenas fotos no consultório e depois fomos para um estúdio. No final, ela levou o álbum para a escola e compartilhou com os amigos. Ficou muito bonito”, contou Monica.

O acompanhamento psicológico é muito importante nos pacientes também para o controle de estresse e alterações emocionais, que podem agravar a despigmentação. “Sempre avalio o nível de preocupação dos pacientes com o com futuro. Tento trabalhar o comportamento deles e a importância deles no presente. Tento fazer com que eles se acalmem e que entendam que podem ser felizes, independente da doença”, disse a médica.

Leia mais:

Criança com vitiligo se sente mais confiante tendo um amigo na mesma condição

Fora do comum! Bebê nasce com mecha branca igual a da mãe

Pais fazem tatuagem que imita manchas da filha

Você gostou desse conteúdo?

Sim Não