Bebês

Estudo mostra que crianças menores de 2 anos comem mais açúcar do que o recomendado para adultos

As americanas consomem pouco mais de 7 colheres de chá de açúcar por dia

Giovanna de Boer

Giovanna de Boer ,filha de Karen e Christiano

 

O açúcar se torna um alimento básico na dieta dos americanos antes do primeiro ano de vida, descobriram os pesquisadores. No momento em que os bebês se tornam crianças de 19 a 23 meses, eles consomem uma média diária de mais de 7 colheres de chá de açúcar adicionado – passando longe da quantidade diária máxima recomendada para adultos.

A Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição analisou mais de 800 bebês e crianças, na qual os pais que participaram resgistravam tudo o que os filhos comiam durante o período de 24 horas. Assim, eles descobriram que:

  • 85% dos bebês e crianças pequenas consomem mais açúcar a cada dia.
  • Cerca de 60% dos bebês de 6 a 11 meses, em média, bebem um pouco menos de 1 colher de chá de açúcar por dia.
  • 98% dos bebês de 12 a 18 meses, consomem em média, 5 colheres e meia de chá de açúcar adicionado por dia.
  • 99% dos bebês de 19 a 23 meses em média mais de 7 colheres de chá de açúcar adicionado em um determinado dia.

A Associação Americana do Coração não recomenda mais do que 25 gramas (6 colheres de chá) para mulheres adultas e crianças de 2 a 19 anos. A recomendação se estende para os homens também, 36 gramas (9 colheres). Porém, pesquisas anteriores sugerem que a maioria dos americanos consome mais do que o recomendado. “Esta é a primeira vez que observamos o consumo adicional de açúcar entre crianças com menos de dois anos de idade”, disse a principal autora do estudo, Kirsten Herrick, epidemiologista nutricional do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

De acordo com os autores do estudo, uma alimentação rica em açúcar adicionado tem sido associadas à asma, cáries dentárias e obesidade, bem como a fatores de risco para doenças cardíacas, como colesterol alto e pressão alta. Embora não haja diferença significativa entre os açúcares que ocorrem naturalmente e os adicionados aos alimentos processados, os pesquisadores disseram que os açúcares adicionados são considerados prejudiciais porque “muitas vezes não são acompanhados por outros benefícios nutricionais derivados da ingestão de alimentos que naturalmente contêm açúcar, fibras e vitaminas contidas em uma maçã “.

“A maneira mais fácil de reduzir os açúcares adicionados na sua própria dieta e na dieta de seus filhos é escolher os alimentos que você sabe que não os tem, como frutas e vegetais frescos “, disse Herrick.  Ela disse que as descobertas podem afetar as próximas Diretrizes Dietéticas para os americanos de 2020-2025.

Açúcar não! Saiba porque essa substância faz mal a seu filho 

Sabemos que o açúcar em excesso é perigoso. O consumo dessa substância na infância tem limites ainda mais rígidos. De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 32,3% dos bebês com menos de dois anos de idade já consomem refrigerantes ou sucos artificiais, o que é um grande problema.

A nutricionista comportamental Ariane Bomgosto diz que não é recomendado que nenhuma criança com essa faixa etária consuma açúcar refinado por motivos nutricionais. “O açúcar é uma caloria vazia. Além disso, ele tem um malefício muito grande de viciar o paladar infantil. Depois dos dois anos, na minha postura, a criança também não precisa consumir, mas a gente sabe que isso muito difícil, por isso vamos introduzindo aos poucos”, explica a nutri.

Não existe uma quantidade em gramas adequada para o consumo dessa substância, já que o excesso sempre vai ser maléfico. Além disso, não é só o açúcar branco refinado que vira açúcar no organismo. Os carboidratos refinados também viram açúcar no sangue da criança. “Se somarmos o consumo desses tipos de alimentos e nos depararmos com o excesso de açúcar no sangue, temos um problema grande para essa criança até mesmo em relação ao peso ou diabetes. Evitar o excesso é importante”, completa Ariane.

O açúcar entra no sangue da criança e, em quantidade elevada, leva a um organismo inflamado, o que dificulta a perda de peso e cria células de gordura. Por isso ele está diretamente ligado com a obesidade.

E o vilão da dieta que evita o consumo de açúcar é o refrigerante! “A criança pode ter a alimentação toda errada, se cortamos o refrigerante já vemos uma diferença porque ele é composto em 90% de açúcar. Os doces voltados especialmente para crianças, todos coloridos, também são açúcar puro. Isso porque o paladar infantil é naturalmente voltado para o doce e a indústria é muito cruel e se aproveita disso”, disse a nutricionista comportamental.

E para evitar que os pequenos consumam alimentos ruins? Devemos aprender a ler os rótulos. No caso do açúcar, por exemplo, o produto pode estar disfarçado com outros nomes, como: xarope de glicose, por exemplo, xarope de milho ou sacarose.

Devemos ter força de vontade e reeducar o paladar das crianças com os próprios alimentos para garantir uma alimentação balanceada, diminuindo a quantidade de alimentos açucarados e fazendo trocas saudáveis, como: farinha branca por farinha integral ou, até mesmo, outros carboidratos complexos, tipo aipim, mandioca ou quinoa.

Se você tem um filho que é viciado em açúcar, fique tranquilo, isso pode mudar. “O paladar infantil pode mudar numa velocidade muito rápida, às vezes em até duas semanas, não tem mistério”, conclui Ariane.

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