Saúde

Flora intestinal do bebê indica se ele vai ser obeso no futuro

A descoberta é importante para identificar crianças em risco de obesidade no começo da vida

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Getty Images)

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Sabemos que ter um intestino regulado faz muita diferença no funcionamento do organismo, na digestão e até na produção de nutrientes e vitaminas. Mas um estudo publicado no jornal científico mBio mostrou a importância da microbiota (ou flora) intestinal logo no começo da vida.

A pesquisa revelou que avaliar a composição da microbiota intestinal aos 2 anos de idade está diretamente associada ao IMC (Índice de Massa Corporal) de quando completamos 12 anos. Por isso, avaliar esse conjunto de microrganismos do intestino da criança pode ajudar a identificar se ela está em risco de se tornar um adulto com sobrepeso ou obeso.

“Nosso estudo fornece evidências de que a microbiota intestinal desempenha um papel na obesidade posterior, e que ela pode ser importantíssima no algoritmo de predição da obesidade”, afirmou Maggie Stanislawski, autora principal do estudo.

Durante o estudo, os cientistas constataram que o IMC das crianças aos 2 anos não era consideravelmente maior no grupo que se tornou obeso mais tarde. Isso provou que a composição da microbiota é um indicativo mais eficaz e importante para ter o alerta de uma futura obesidade.

O estudo da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, começou a ser feito em 2002, com o acompanhamento de 165 bebês noruegueses, e foi um dos primeiros no mundo a investigar o microbioma de intestinos de crianças. Os cientistas acompanharam as mães e filhos logo após o parto até as crianças completarem 12 anos, quando 20% delas já estava acima do peso ou obesas. Ao compararem os IMCs das crianças de 12 anos com suas microbiotas quando bebês, os pesquisadores encontraram taxas específicas que previam o aumento de peso.

“A descoberta é importante para identificar crianças em risco de obesidade no início da vida, antes que elas comecem a ganhar peso excessivo. É melhor identificar crianças em risco precocemente, já que é mais fácil prevenir a obesidade do que revertê-la,” explicou a autora.

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