Saúde

Licença-paternidade maior beneficia a saúde materna e reduz o uso de remédios

O estudo foi feito na Suécia, país onde a licença parental é de até 30 dias

Caroline Passos

Caroline Passos ,Filha de Maria Aparecida e Agnaldo

Pai também ajuda no pós-parto (Foto: iStock)

A licença-paternidade ainda é um assunto polêmico e pouco discutido em alguns países. No Brasil, é lei que os pais tirem pelo menos cinco dias seguidos, já na Suécia é permitido que os pais tenham até 30 dias não consecutivos para cuidar de sua esposa e de seu filho na recuperação pós-parto. Duas pesquisadoras de Stanford desenvolveram um novo estudo chamado “Quando os Pais Podem Ficar em Casa”, que aborda os benefícios que os 30 dias alternados concedidos ao pai geram na saúde da mãe.

A pesquisa se baseou em dados coletados sobre a licença-maternidade, saúde e em registros de nascimento. Ela mostrou que, depois que a nova medida entrou em vigor em janeiro de 2012, caiu em 26% o uso de ansiolíticos e 11% de antibióticos por parte das mães. Além disso, caiu em 14% o número de visitas a especialistas ou internações para o tratamento de complicações no parto.

Antes disso, os pais tinham direito a apenas 10 dias corridos com a família nos primeiros três meses de vida do recém-nascido. A nova lei possibilitou ao casal a chance de escolher o melhor momento em que o pai deve ficar em casa ou não.

Nos Estados Unidos, não há licença-paternidade e é o único país superdesenvolvido do mundo onde a taxa de mortalidade materna aumenta a cada dia. De acordo com a Universidade de Washington, em 1990 morreram 17 mulheres por complicações no período da gestação a cada 100 mil gestantes. Já em 2015, o número aumentou para 26, superando em seis vezes a taxa da Suécia que é de quatro mulheres.

Além disso, a licença-maternidade remunerada não está prevista pela Constituição, fazendo com que as mães possam se ausentar somente por 12 semanas de seu trabalho. Esse benefício só vale para mulheres que trabalhem no mínimo há um ano em empresas que tenham mais de 50 funcionários. Nova York, Califórnia e Washington são exceções onde é possível obter a licença remunerada, sem ultrapassar o limite das 12 semanas.

 

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