Criança

Dor do crescimento: sim, ela existe!

A gente te ajuda a lidar com essa fase

Redação Pais&Filhos

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(Foto: iStock)

Se o seu filho te acorda no meio da noite falando que está com dor na perna, não se engane. Ele não está só querendo carinho ou faltar na aula do dia seguinte. Pode ser dor do crescimento! O tema é controverso, mas não é exatamente um grande mito.

A controvérsia da existência ou não dessa dor se deve justamente ao período de crescimento versus o período da dor. “O período de crescimento é maior no primeiro ano de vida e na pré-adolescência, momentos que não coincidem com o pico da dor”, explica Francisco Nogueira, diretor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e pai de Pedro e Maria Paula. Geralmente, a dor do crescimento acontece entre 3 e 12 anos, com um pico de incidência por volta dos 6. Estatisticamente, entre 3% e 37% das crianças sofrem com dor do crescimento. Cerca de 15% da demanda das consultas pediátricas ocorre em razão disso.

De onde vem?

Alguns estudos mostram que crianças com deficiência de Vitamina D, baixa densidade mineral óssea, síndrome das pernas inquietas, baixo limiar de dor e que foram amamentadas com o leite materno por menos de 40 dias são mais propensas a apresentar essas dores, de acordo com o ortopedista Rui Maciel Godoy, pai José Rui, Juliana e Mariana e médico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

O sofrimento pode atingir também filhos de pais que tiveram o mesmo problema. É o caso de Monica Ferreira, mãe de Vicente e Leonor. Ela conta que sofreu com as dores até os 24 anos. E diz que se não tivesse tido essas dores quando era criança, ficaria assustada ao ver os filhos sofrendo.

Mas ela confessa que às vezes se esquece, e lembra que se preocupou muito quando o filho de 2 anos e meio começou a ter um caminhar estranho, queixando-se de dores nos joelhos e pés. Mas foi consultar um especialista, que disse o que ela já devia saber: eram as dores de crescimento.

Depois de seguir todas as orientações do médico, Monica diz que o que deu jeito mesmo nas dores dos filhos foi o calor! Bolsinha de água quente, banho de imersão e massagem na zona onde está a dor já vai aliviando. Só em ultimo caso deve-se dar remédio.

Entretanto, o médico explica que o diagnóstico é feito por exclusão. Eles consideram dor de crescimento os incômodos que, depois de uma investigação criteriosa, não apresentam uma causa determinada.

Onde dói?

O desconforto existe e pode durar de poucos minutos até horas e atrapalhar a vida da criança. É comum que as dores apareçam no final do dia e durante a noite (concentrada na perna, panturrilha e coxa), e diminuam a intensidade e periodicidade com o passar dos anos.

O crescimento ocorre principalmente no período noturno. Seu filho pode, inclusive, acordar de noite reclamando de dor. Por essa razão, algumas crianças dormem mal. Aí, ninguém descansa direito! Que pai consegue dormir tranquilo com o filho com dor?

Criança cansada fica estressada, não vai bem na escola… “Não é incomum ouvirmos no consultório relatos de ausências na escola e queda do rendimento escolar da criança”, confirma o dr. Rui.

Muitas crianças passam pela dor do crescimento sem atrapalhar seu cotidiano. O pediatra Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia e nosso colunista, percebe que a criança mesmo com dor de crescimento geralmente está em ótimo estado e desempenha bem suas funções.

Mas uma coisa é certa: o diagnóstico deve ser realizado pelo pediatra e ortopedista. O médico vai fazer um exame físico cuidadoso e, em casos de dúvida, radiografias e exames de sangue. Isso é muito importante, porque outras complicações podem ser confundidas com a dor do crescimento, como a osteomielite, infecção nos ossos, e alguns tipos de câncer, como a leucemia, que pode se manifestar com dor nas pernas ou nos braços.

Segundo dr. Claudio, a boa notícia é que essas doenças são raras, e na maioria das vezes vêm acompanhadas de outros sintomas, como febre, fraqueza, dificuldade para andar ou inchaço nas articulações. E atenção: uma dor localizada em uma única articulação ou nas costas também deve despertar a atenção dos pais.

As dores persistentes, com inchaço local, vermelhidão ou manchas na pele, devem ser investigadas. As do crescimento não apresentam alterações nos locais e passam sem deixar sequelas. O dr. Rui afirma que as dores do crescimento podem aparecer em dias alternados. “E não são acompanhadas de inchaço, calor ou fraqueza e, no dia seguinte, a criança acorda sem qualquer resquício de dor”, esclarece.

Por Isabela Kalil de Lima, filha de Kátia e Fábio

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