Saúde

Terror noturno e pesadelos: entenda a diferença e saiba como ajudar seu filho com os distúrbios do sono

É essencial saber diferenciar os distúrbios e o que fazer em cada situação

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

O terror noturno acontece na primeira metade da noite, antes do sono REM, estágio em que as crianças sonham (Foto: Getty Images)

Todos dormiam bem e parecia uma noite tranquila em casa, até que seu filho acorda assustado no meio da madrugada. Pesadelos podem fazer com que a criança acorde com o coração disparado e transpirando. Os gritos desesperados e choros inconsoláveis também são alguns sintomas do terror noturno. A parassonia — transtornos comportamentais que ocorrem durante o sono — é muito frequente em crianças, principalmente entre os 2 e 5 anos de idade, e algumas vezes pode ser confundida com os pesadelos.

Segundo Renata Federighi, consultora do sono da Duoflex, o terror noturno acontece na primeira metade da noite, antes do sono REM, estágio em que as crianças sonham. “É importante diferenciar os distúrbios. Durante as crises, as crianças podem gritar, chorar, conversar, se debater, abrir os olhos e até sentar na cama, tudo isso sem despertar, e não terão consciência do acontecido no dia seguinte. Já o pesadelo acontece nas horas finais do sono e as crianças conseguem acordar e se lembrar do que estavam sonhando”, explica.

O terror noturno ainda é um enigma, mas acontece na infância, principalmente com bebês. Seu filho pode estar com os olhos abertos, mas, na verdade, está dormindo ainda. O ideal para lidar com isso é não tentar acordá-lo e esperar passar. Acordar seu bebê significa deixá-lo chateado e mais confuso, o que pode dificultar para dormir novamente. “Não é necessário acordar a criança durante o episódio para evitar que ela se assuste ou fique muito confusa com o que está acontecendo. Deixe o ambiente seguro, com as janelas fechadas ou protegidas por redes, sem fios que possam enroscar ou objetos que quebrem por perto, caso apresente sintomas como se debater e levantar”, orienta Renata.

No geral, o problema assusta mais os pais do que os filhos e, normalmente, os episódios desaparecem conforme a criança cresce. “As causas ainda não são conhecidas, mas podem estar relacionadas a um estímulo grande do sistema nervoso central durante o sono, que aconteceria porque as suas células ainda não estão maduras, por isso as crises tendem a desaparecer por completo conforme o desenvolvimento da criança”, explica a especialista. 

Existem algumas situações que podem desencadear a crise, como privação do sono, cansaço extremo, febre, presença de luzes e barulhos ou distúrbios respiratórios (como a apneia obstrutiva do sono). Outros dois distúrbios, que estão na mesma classificação do terror noturno e demandam os mesmos cuidados, são o sonambulismo e o despertar confusional. Todos acontecem na fase inicial do sono.

Se os pesadelos ocorrem com muita frequência, algo pode estar errado e é preciso avaliar o que está acontecendo durante o dia (Foto: Getty Images)

Pesadelo ou terror noturno?

Segundo Deborah Moss, neuropsicóloga especialista em comportamento e desenvolvimento infantil, mãe de Ariel e Alicia, ter um sonho ruim é normal tanto para crianças quanto para adultos. “Principalmente com as crianças, o pesadelo pode ter relação com coisas que elas viveram e ficaram impressionadas ou assustadas”, explica. Em resumo, o que a gente vive de dia é guardado no cérebro durante a noite. As crianças que vão muito exaustas para cama, ou que não tiraram a soneca da tarde, também podem ter pesadelos, já que agitação demais durante o dia pode ser um fator desencadeante.

Para a especialista, as crianças pequenas não sabem diferenciar o que foi um pesadelo do que aconteceu de verdade. Se seu filho assistiu um desenho que tem uma bruxa e vai dormir com aquilo na cabeça, ele pode ter um pesadelo relacionado. No entanto, não é uma relação de causa e efeito. Não necessariamente um medo vai fazer com que um sonho ruim aconteça.

Como evitar os pesadelos?

Diferente do terror noturno, no caso dos pesadelos, conversar com a criança sobre o que aconteceu é uma excelente opção, já que ela se lembra do que aconteceu durante a noite. “Esse é o momento para os pais se solidarizarem com os filhos, confortar e explicar que o sonho está só na cabeça dele”, sugere Renata.

Um agravante do pesadelo nas crianças é que elas podem ter medo de voltar a dormir. O que você pode fazer é confortar, acolher, passar calma e explicar que foi só um sonho. Demonstre compreensão, mas não estenda o assunto de madrugada, para que seu filho não fique mais desperto. Se você ou ele quiserem conversar sobre isso, o melhor é esperar o dia seguinte.

Estabeleça uma rotina regular para o sono e adote ambientes silenciosos para evitar pesadelos (Foto: Getty Images)

Tente acalmá-lo para que ele volte a dormir tranquilamente. É normal que isso leve um tempo, mas a dica da neuropsicóloga é não hipervalorizar o medo a ponto de chamar seu filho para ir dormir com você, porque, neste caso, você reforça, sem necessidade, a gravidade da situação. 

Outros cuidados como evitar que a criança fique muito estressada ou cansada demais, estabelecer uma rotina regular para o sono, com horários regrados para dormir e acordar, adotar ambientes escuros e silenciosos, usar travesseiros adequados ao seu biótipo e postura, além de acordar durante a noite para se certificar que seu filho está descansando bem, também podem contribuir para o sono das crianças e evitar o terror noturno.

Mas fique atenta: se os pesadelos ocorrem com muita frequência, algo pode estar errado e é preciso avaliar o que está acontecendo durante o dia. Um conflito na família, algo que esteja deixando seu filho aflito, ansioso, com medo e receio de ficar sozinho podem ser a origem do problema. Quando isso persiste, pode ser hora de procurar ajuda profissional.

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