“Interesse é o melhor suporte e apoio que uma criança pode receber na fase da escola”, diz educadora da Finlândia

Consultora educacional e ex-chefe de de Assuntos Internacionais do Departamento de Educação de Helsinque, Eeva Kaarina fala sobre como os pais são peças fundamentais na formação da educação dos filhos

Eeva disse o que o Brasil pode aprender com a educação da Finlândia (Foto: Divulgação/Mind Lab)

A Finlândia é referência quando o assunto é educação. O país nórdico possui um sistema de ensino igualitário que garante educação gratuita e compulsória para crianças e adolescentes dos 7 aos 16 anos. Para entender como os pais são peças fundamentais na formação da educação dos filhos, conversamos com Eeva Kaarina Penttila, consultora educacional e responsável por atender grupos do mundo todo para apresentar o modelo de educação do país nórdico.

-Publicidade-

A educadora foi chefe de Assuntos Internacionais do Departamento de Educação da Cidade de Helsinque e atuou durante muitos anos no Conselho Nacional Finlandês de Educação. Para ela, o mais importante é que a criança seja ouvida. “Quando eles percebem que estão sendo ouvidos e com uma boa escuta, se sentem mais livres para discutir com a escola, com os professores e as opiniões deles precisam ser ouvidas”, começa. “Quando isso acontece, eles continuam falando e contam como se sentem. Por isso, aqui na Finlândia a gente nunca manda eles ficarem quietos, nós tentamos entender porque eles estão falando ou sentindo”.

Eeva não acredita que as crianças tenham que crescer com uma ideia de que existe uma maneira certa e única de se pensar. “A escuta ajuda na escola, principalmente porque a criança sabe que vai ter ajuda, tanto com dificuldades para na aprendizagem ou para manter contato com outras pessoas”. Ela também afirma que essa “ajuda” acontece por meio de grupos dirigidos por cada diretor das escolas, que discutem sobre o que as crianças precisam.

-Publicidade-

Escolas e pais de mãos dadas

Já sobre o papel dos pais na educação e como os finlandeses se comportam em relação à isso, Eeva explica que nada na escola acontece sem que os pais estejam cientes — eles não dividem obrigações, mas somam apoio.

“Os pais estão e precisam estar em nosso dia-a-dia. É preciso ter interesse em olhar o que os filhos estão estudando e manter um diálogo entre pais e mestres. Quando algum problema acontece, os pais são chamados para uma conversa”.

Mas além desse diálogo entre pais e o colégio, Eeva faz questão de dizer que é importante de trazer a criança para dentro de qualquer assunto e discussão que ela possa ser centro da conversa. “Em nosso país, a escola é a responsável pela educação formal, tanto que não existe muita lição de casa, as atividades são feitas na escola para os professores saberem onde estão os pontos fracos do aluno”.

Em compensação, os pais sabem da importância de estarem disponíveis para ajudar os professores. “Os pais precisam estar presentes. Não é dever deles ensinar matemática, mas eles precisam criar um bom ambiente familiar”.

Ser presença 

“O principal trabalho dos pais e ser interessado naquilo que os filhos fazem. Principalmente sobre a aprendizagem. Eles precisam perguntar “o que você aprendeu hoje?”, “como foi na escola?”, “o que fez na escola?”. Assim as crianças se sentem validadas e mais uma vez ouvidas (e importantes)”.

Para encerrar, Eeva fala uma das coisas mais importantes “Interesse é o melhor suporte e apoio que uma criança pode receber na fase da escola”.

Leia também: 

Primeira infância no século XXI: a importância da escola para a educação do seu filho

Educação na primeira infância: como fortalecer a parceria entre pais e escola

Dia Nacional da Alfabetização: entenda como a educação integral pode ajudar seu filho

-Publicidade-