Ansiedade infantil: como lidar, quando buscar ajuda e 7 sintomas de que seu filho pode ter

Apesar de ser cada vez mais comum o sentimento de ansiedade nas crianças, é preciso identificar e procurar ajuda quando ela se torna excessiva e atrapalha na rotina. Conversamos com a psicóloga Ana Gabriela Andriani, que explicou como a influência dos pais pode interferir nesse processo

Resumo da Notícia

  • As buscas pela palavra "ansiedade" tiveram um recorde em maio de 2021
  • Pais ansiosos também podem transmitir esse sentimento para os filhos
  • Quando existem sintomas físicos e psicológicos, é muito importante que a família procure por ajuda

Com a chegada da pandemia, muita coisa mudou, inclusive os comportamentos e questões psicológicas. Segundo dados inéditos do YouTube, que foram divulgados ao UOL, a busca por termos como ansiedade, depressão e relaxamento mental tiveram uma marca histórica na plataforma desde 2008.

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Em especial, as buscas pela palavra “ansiedade” tiveram um recorde em maio de 2021, ficando atrás apenas de abril de 2020, quando a pandemia causou um impacto grande no país. Com as crianças, esse cenário não foi diferente e pode ter uma grande influência dos adultos, segundo a psicóloga Dra. Ana Gabriela Andriani, mestre e doutora pela Unicamp, filha de Claudilene e Delfino. “Pais ansiosos também tem filhos ansiosos, seja por algo pontual na vida familiar, a própria pandemia, ou ainda se estiverem assustados, com medo e inseguros por ameaças financeiras, afetando o modo como a criança reage”.

Mas afinal, o que é ansiedade?

De acordo com a especialista, o termo pode ser definido como “a vivência de uma agitação interna, de preocupação exagerada e de uma preocupação contínua, ou seja, um estado de tensão”. Mas, vale lembrar ainda que a ansiedade também pode ser considerada como algo comum, tanto para adultos como em crianças.

As buscas pela palavra “ansiedade” tiveram um recorde em maio de 2021 (Foto: Shutterstock)

“É normal que sejamos ansiosos, especialmente agora neste momento da pandemia, pois vivemos uma instabilidade econômica, de saúde, muita preocupação. Então, as famílias estão passando por isso é a natural que as crianças fiquem ansiosas também”.

E quando a ansiedade é um sinal de alerta?

Quando o momento de tensão se torna excessivo, contínuo e traz outros sintomas na bagagem, há indicativos de que algo não vai bem na rotina da criança. “Um exemplo é a queda do rendimento escolar, mudanças nos hábitos alimentares, quando há queixas de enxaqueca e também dores que não tem uma causa física”, reforça a psicóloga. Além disso, é importante ficar de olho também em:

  • Pesadelos recorrentes
  • Dificuldades para dormir
  • Dormir excessivamente
  • Medo frequente
  • Quando a criança passa a se isolar
  • Agressividade
  • Apatia

Como ajudar a criança se acalmar?

O primeiro passo para tranquilizar a criança durante uma crise de ansiedade é manter a calma, pois desta maneira, naturalmente seu filho passa a ficar menos nervoso ou inseguro. A Dra. Ana Gabriela Andriani recomenda ainda que os pais não julguem ou briguem, mas sim que procurem entender o que aconteceu.

“É muito importante os pais mostrarem que estão presentes e prontos para ajudar e tentar entender o que a criança está sentindo. No geral, as crianças não sabem identificar os sentimentos, mas quando a família auxilia na compreensão, elas se acalmam”, comenta a especialista.

É essencial ainda mostrar para a criança que a crise de ansiedade vai passar. Mas, é recomendado que os pais procurem a ajuda de um psicólogo se o problema passar a acontecer com cada vez mais frequência e começar a atrapalhar a rotina da criança.

Tipos de ansiedade

Apesar de existirem vários tipos diferentes de ansiedade, a psicóloga listou os mais frequentes. São eles:

  • Estresse pós-traumático: quando há um fator de trauma na vida da criança
  • Transtorno de ansiedade de separação: pode estar relacionado desde ter que deixar os pais para ir a escola, ou até mesmo ao luto de perder alguém importante
  • Transtorno de pânico: é pontual e vem carregado de sintomas físicos e emocionais
  • Ansiedade comum: na qual a maior parte das crianças e adultos possuem

Como diferenciar a ansiedade de uma crise de pânico

No caso da ansiedade, a Dra. Ana Gabriela Andriani explica que é um estado cada vez mais comum e esperado tanto em crianças, como adultos. “Vivemos em uma sociedade que exige performance, rendimento, é bem competitiva e isso afeta a vida das crianças já na escola, expectativa dos pais, então um certo grau de ansiedade é considerado normal”.

A ansiedade é cada vez mais um estado esperado tanto em crianças, como em adultos (Foto: Shutterstock)

Mas, quando o problema fica mais agressivo e é pontual, a crise de pânico precisa ser investigada de perto por um especialista. “É algo pontual, circunscrito, e vem carregado de sintomas físicos e emocionais. A criança costuma ter muito medo, sensação de falta de controle e ainda sintomas físicos como taquicardia, sudorese, tremor, choro e náuseas que podem levar ao vômito”.

Por que a ansiedade acontece?

Geralmente, o estado permanente e excessivo de ansiedade tem muito a dizer sobre a criança. A especialista explica que isso pode acontecer quando ela tenta estabelecer uma comunicação, mas não consegue expressar o que está sentindo. “Então, podemos suspeitar que a criança esteja se sentindo insegura ou ameaçada, e é importante entender as causas disso”.

Além disso, as causas de ansiedade também podem estar ligadas com a separação, ou refletindo algo que esteja acontecendo na família. Então, outros motivos da ansiedade aparecer são: “Pais ansiosos, algo pontual na vida familiar, a pandemia se os pais estiverem assustados, com medo e inseguros por ameaças financeiras. Pode ser também uma situação difícil na escola”.

Ansiedade tem cura?

Ter um certo nível de ansiedade é considerado normal e caso a criança tenha, vai se tornar um adulto que também tem, de acordo com a psicóloga. “Adultos comprometidos, responsáveis e que planejam o seu futuro tem um grau de ansiedade. Mas, é importante reforçar que ansiedade tem cura e com a ajuda de um profissional, sem dúvidas vai passar”, conclui.