Família viaja o mundo por 22 anos e conhece 102 países

A família Zapp partiu com duas pessoas e voltou para casa com seis

Resumo da Notícia

  • A família Zapp visitou 102 países no cinco continentes durante 22 anos de viagem
  • O destino final era o Alasca, lugar onde planejavam chegar em seis meses
  • O carro transportou a família toda durante todos os 362 mil quilômetros

A família Zapp visitou 102 países no cinco continentes durante 22 anos de viagem, tudo isso com um carro de 1928. Segundo o site BBC, o casal, Herman e Candelaria Zapp, deixaram a Argentina no ano de 2000 e seguiram com o sonho de conhecer o mundo. Ao fim da viagem, em fevereiro deste ano, eles voltaram para casa com 4 filhos e muitas histórias para contar.

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“Conheço a Cande desde que ela tinha 8 anos, e quando ela fez 14, começamos a namorar, e sempre nos imaginamos viajando. Planejamos que dois anos depois de casados, ​​iríamos fazer isso, mas você sabe como é a vida! As desculpas, os medos… tudo ia adiando o sonho”, conta Herman.

O casal planejava a grande viagem desde quando eram adolescentes, mas, como muitas vezes acontece, o sonho deles foi ficando de lado com o tempo. Após seis anos de casados, eles se viram pensando na possibilidade de ter filhos, mas parecia loucura fazer uma viagem dessa magnitude com crianças. “Se tivermos (filhos), nunca vamos conseguir viajar, porque com filhos não é possível”.

A data da viagem foi marcada para o dia 25 de janeiro de 2000. (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)

Para impedir que o sonho não se realizasse, eles marcaram uma data de partida, o dia 25 de janeiro de 2000. Agora não havia como fugir, e o destino final era o Alasca, lugar onde planejavam chegar em seis meses. Esse era o único planejamento da dupla, que pensava apenas em se virar no meio do caminho.

O que veio de última hora foi o carro que transportou a família toda durante todos os 362 mil quilômetros, o Graham-Paige, um veículo clássico, fabricado em 1928, em Detroit. Herman se apaixonou pelo carro e decidiu que seria o meio de transporte deles.

Na época, a família e amigos do casal não deram um grande apoio a eles, que pareciam estar cometendo um grande ato de loucura. “Falar em realizar um sonho em 2000 não era o mesmo que em 2020; os sonhos eram algo para sonhar. Não havia redes sociais mostrando outros viajantes ou para se comunicar com pessoas de outros países, então as pessoas sentiam que o que estávamos planejando era muito, muito louco”, explica. Por isso, com o tempo, eles pararam de compartilhar os detalhes da aventura.

Os dois contam que, ao longo da trajetória, sempre encontraram muita ajuda e apoio das pessoas.  “No começo foi um pouco difícil, mas logo percebemos que o melhor da viagem é o que você faz sem dinheiro”, relatam.

Quando eles estavam no Equador e o dinheiro apertou, várias pessoas auxiliaram o casal. Umas das formas que encontraram para se sustentar foi escrevendo livros, já que as pessoas queriam saber sobre os sonhos e as histórias que eles colecionavam.

E a vontade de ter filhos chegou após dois anos viajando, quando eles sentiam que algo estava faltando. “Além disso, a irmã de Candelaria não tinha conseguido ter filhos e estava fazendo todos os tratamentos possíveis, então pensamos que se tivéssemos o mesmo problema, era melhor começar antes que os anos passassem. E, então, naquele famoso 11 de setembro 2001 nós nos abraçamos um pouco mais forte”, contou Herman.

A confirmação da gravidez aconteceu em Belize, e eles chegariam ao Alasca a tempo do bebê nascer lá. Mas, várias oportunidades surgiram no caminho, e o primeiro filho do casal, Pampa, nasceu em 2002 em Greensboro, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

A conta alta do hospital foi paga pela imensa ajuda de pessoas locais. Igrejas, médicos, enfermeiros e diversas famílias que ofereceram ajuda para que eles pagassem a conta. “No final, acabamos pagando nada além da hospedagem do hospital. Foi muito bom não termos dinheiro porque agora temos uma família na Carolina do Norte”, contam.

Claro que o casal não chegou ao Alasca em seis meses, mas sim, em três anos e nove meses. Faltando apenas 30 quilômetros para chegar ao destino final, Cande quis parar a viagem: “É que se chegarmos, o sonho acaba, e a beleza de um sonho não é realizá-lo, é vivê-lo, estar nele”, explicou ela.

O casal chegou ao Alasca após três anos e nove meses de viagem. (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)

Mas, os planos mudaram, novos sonhos surgiram e a viagem não parou: “E descobrimos que o Alasca era o fim de um sonho, mas também o começo de outro”.

Uma pausa na viagem precisou acontecer porque a mãe de Cande estava doente. Nesse momento, o segundo filho do casal nasceu, em 2005, na cidade argentina, Capilla del Señor. Tahue saiu para viajar o mundo com apenas 13 dias de vida.

Os quatro filhos do casal foram nascendo ao redor do mundo. (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)

Em 2007, nasceu Paloma, em Vancouver, no Canadá. A última criança do casal nasceu em Wallaby, na Austrália, em 2009. Com os novos membros, a família precisou adaptar o carro, apelidado de Macondo Cambalache, e a rotina, mas a viagem não parou.

A família Zapp voltou a Argentina em fevereiro deste ano para que os filhos possam fazer a escolha sobre que vida querem levar. Sobre a educação, os pais não possuem a menor dúvida de que eles estudaram: “Eles aprenderam geografia passando por ela; línguas, brincando com outras crianças; ciências sociais, compartilhando com pessoas de todas as camadas sociais e culturais, e viram que havia milhares de maneiras de rezar, viver e comer. Viram a cadeia alimentar em ação na África, quando um guepardo comia um veado que estava comendo grama, e um leopardo roubava a presa do guepardo, e aprenderam biologia mergulhando no mar… Tiveram a melhor e mais linda sala de aula”.

Eles retornaram para a Argentina em fevereiro de 2022. (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)

“Agora eles estão experimentando estar em uma única casa, com horários, esperar as férias… para depois decidirem o que preferem, porque se você nunca provou chocolate, não sabe se é gostoso”. Apesar da vida dos filhos seguir um rumo diferente, os pais não se cansaram das viagens: “O que mais queremos fazer agora é ajudar a realizar sonhos, e vamos de cidade em cidade levando a notícia de que, apesar da política, da economia, da situação mundial, da guerra, do vírus, você pode criar sua própria realidade”, revela o casal.

Com planejamento de dar a volta ao mundo em um veleiro no próximo ano, o casal, cheio de bagagem, conta os itens essenciais para um viagem no mundo todo: “Só duas coisas: lenço umedecido e gana, porque se você tiver gana, quem vai te impedir?”.