Mãe e mulher: você pode ser o que quiser dentro da maternidade!

Nesta terça-feira, 22 de março, a Pais&Filhos conversou com Pam Nascimento, mãe de Luna e Tatah Fávero, mãe de Dominic, sobre as marcas que a maternidade traz

Resumo da Notícia

  • Nesta terça-feira, 22 de março, a Pais&Filhos teve uma live incrível sobre as marcas que a maternidade traz
  • Os convidados da vez foram Pam Nascimento, mãe de Luna e Tatah Fávero, mãe de Dominic
  • Vem conferir todos os detalhes!

Nesta terça-feira, 22 de março, a Pais&Filhos teve mais uma live em parceria com a Mynd! Dessa vez, o papo foi sobre as marcas que a maternidade traz. A conversa foi mediada pela nossa editora Yulia Serra, filha de Suzimar e Leopoldo, com Pam Nascimento, mãe de Luna, atriz, criadora de conteúdo digital, ativista e comunicadora negra e Tatah Fávero, criadora de conteúdo digital desde 2012 e sua comunicação ganhou ainda mais propósito com a chegada do Dominic, o “Dom”, que nasceu com a Trissomia do 21 (Síndrome de Down). Mãe atípica descomplicada, Tatah encoraja mulheres a desenvolver sua independência e amor próprio através de suas redes sociais e do podcast #TahViajando.

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Como pontapé inicial, Yulia questionou as convidadas sobre as melhores reações sobre a chegada da maternidade. “É muito interessante essa reflexão sobre como foi se descobrir mãe, porque hoje eu faço o contrário: hoje eu estou no processo de me entender mulher. Como minha gravidez foi precoce, com 18 anos, eu decidi que seria a melhor mãe que pudesse ser. Agora, depois das redes sociais, eu entendi como mãe que não preciso ser só: as redes sociais me trazem para esse lugar de acolhimento e troca. É um privilégio a gente poder acolher e conversar com outras mães”.

Tatah, sobre isso e sendo uma mãe atípica, completa. “A gente se reconhecer como mulher, sendo mãe atípica, é muito valioso. A solitude muito me apetece, e a maternidade para mim veio de uma maneira muito linda – quando nasceu veio a questão da síndrome de down. E aí a questão veio: será que eu dou conta?”, comentou Tatah.

E ainda completa, “Eu fiquei com muito medo de ter que abrir mão de tudo. Tive que reaprender a questão da maternidade, porque a gente se prepara para tudo e tem que ir para outro lugar. Eu me senti muito culpada por ser tão nova e ter um filho com Síndrome de Down. Eu me vi tendo que me preparar, estudar, e ser forte para passar isso para outras mulheres: ser uma mãe atípica que não abre mão como feminilidade”.

Não dá para se deixar de lado – e para estar no seu melhor, mães e pais devem priorizar a individualidade. Por isso, Pam ressalta: “Eu me tornei uma adulta com a minha filha. São mini exercícios que a gente vai introduzindo no dia a dia para se entender mulher – tanto que, quando me pedem uma bio, eu coloco minha profissão antes de ser mãe de Luna!”.

“Quando Luna era menor, eu me sentia muito culpada por sair, ter encontros, dormir fora, era babado!”, brincou ainda Pam, “Agora, é um exercício que eu faço e é o momento que consigo me conectar com outras mulher – a gente se torna um ponto de apoio e acolhimento. Eu posso fazer isso, e tenho que entender que posso falar sobre outras coisas que não sejam minha filha”.

“A revolução começou depois que eu entendi que a mulher é sempre coisa de alguém – nunca algo por ela mesma. Quando eu me vi mãe atípica, eu pensei ‘Meu Deus, acabou com a minha vida’, que eu ia ser uma mãe que não me cuidava, que eu não ia poder viajar. Se tudo o que eu for fazer for com o propósito do anticapacitismo, eu perco o que eu sou. Então falar de viagem – tanto sozinha, quanto com os meus filhos – eu recupero o que sou enquanto mulher”, disse Tatah.

“A gente vê que toda mãe tem muito medo do que o filho vai passar. Tanto para mãe típica quanto atípica, a gente não tem o controle do que acontece no futuro. O que a gente pode fazer é plantar a sementinha, e esperar que eles sejam crianças gentis e ensinar sempre. Porque quando você está com uma criança do lado, você não tem tempo de sofrer. E, quando você vê, passou 14 anos”, completou ainda Tatah.

Acima de mãe, você é mulher!
Acima de mãe, você é mulher! (Foto: Getty Images)

Pam, sobre isso, declarou: “Não dá para gente prever o futuro e acertar o tempo inteiro. Porque isso vem muito daquela questão patriarcal: a mãe vivendo para cuidar do filho, e a questão profissional não existe. O meu entendimento enquanto mãe era esse, com aquelas frases que eu ouvia muito “Ih, a vida acabou” e “Coitada dessa criança sem pai”. Essa frases são parte de uma estrutura patriarcal e machista que nos colocam nesses lugares, e quando a gente escolhe não sofrer porque “Eu vou ser aquilo que consigo agora”, as coisas fazem mais sentido”.

Mulheres são colocadas em caixas e perdem a oportunidade de serem outras coisas. “Eu sou uma mãe romântica, e não quero perder esse lugar. Mas é a gente ir quebrando essas barreiras – como eu querer trabalhar fora enquanto tenho uma filha pequena – que não é um problema. A gente pode fazer milhões de coisas, porque a gente tem o nosso poder de mulher!”.

“É o que somos: plurais!”, comentou Tatah. “As pessoas me falam ‘nossa, você fala sobre Síndrome de Down e ainda faz dancinha?’ e eu digo ‘Gente, e daí! Uma coisa não anula outra’. É um perfil que engloba várias coisas e, entre elas, a trissomia do meu filho”, diz Tatah.

E as marcas físicas? As mulheres são muito pressionadas e, sobre isso, Tatah comentou: “Esse processo de entendimento do meu corpo vem de muitos anos. Foi agora que eu entendi que comer bem e se exercitar pode ser algo bem mais simples que eu faço não por ódio ao meu corpo. E o que eu falo é da minha experiência: o meu corpo virou uma batalha tão secundária dentro de outras batalhas que eu enfrento, que eu não me importo. Mas, mesmo assim, eu continuo falando sobre isso porque entendo que é um processo e que as pessoas precisam de ajuda. Quando eu engravidei, eu enjoei muito e passei muito mal: vomitei tanto que tive o Dom dez quilos mais magra do que quando eu engravidei. Mas foi porque eu me alimentei melhor, pelo meu filho”.

E completa: “É importante a gente acompanhar pessoas reais falando sobre isso. A pressão estética é uma coisa que afeta todo mundo, e quanto mais longe do padrão uma pessoa, menos acesso a coisas básicas ela tem. E quando você é mãe, você perde uma noção de pertencimento porque não tem tempo para nada – tem um ser dependendo de você 24 horas por dia. Então quando a gente mostra as marcas do corpo, sendo magra ou não, só mostrando que somos reais, as mães vão entender que não são obrigadas a nada. Nem a emagrecer por causa de marido, família. A sua jornada é sua”.

Pam, dentro da própria experiência, completa: “É muito interessante quando a gente faz esse recorte de tempo e compara a maternidade da minha mãe com a minha, por exemplo. Porque hoje a gente tem um monte de informações. Quando eu engravidei, eu engordei dez quilos – então é óbvio que o corpo vai mudar. E eu passei a criar estratégias para como me vestir e me portar para não mostrar a minha barriga. Mas foram anos até que eu conseguisse falar sobre isso sem me sentir culpada também”.

“E não é sobre a aceitação do outro. A decisão de tirar fotos e olhar para minhas marcas que vieram com a maternidade, é respeitar os processos do meu corpo”, disse ela. “Quando eu escrevi uma carta para minha autoestima, foi nesse momento que eu entendi que precisava respeitar esses processos”, diz Pam.

“Eu quero não ter que ser forte sempre. Eu quero poder ser fraca e cuidada. E vejo que minha filha traz esse desejo de conversar. Então quem tiver oportunidade, faça terapia, faça esse processo, não se sinta culpada”, comenta ainda Pam.

Sobre a saúde mental, Tatah ainda completa: “Fui diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada. Mas já estou me curando, e quando você começa a se curar de outro processos, você muda. E como pessoa pública, você precisa entender o que é nosso e do outro – e entender que se a pessoa está chateada com o que você está fazendo, isso tem a ver com ela. Hoje eu perdoo o maternar da minha mãe, porque é em uma época muito diferente da minha. A gente precisa parar de bater o pé e sofrer por coisas que a gente não tem culpa. Se acolher e conversar de igual para igual”, diz Tatah.

“Não adianta você acolher outras mulheres nas redes sociais e não ajudar sua mãe. Minha mãe, depois de 50 anos, conseguiu começar a terapia agora. E vai fazer muito bem para ela! Porque foram muitos processos que ela precisa falar sobre. Se você acha que não tem tempo, saiba que tem tempo de ser feliz sim!”, comemora ainda Pam! Para ver a live completa, clique AQUI.