Tipo sanguíneo influencia na transmissão do novo coronavírus? Especialista tira dúvidas

Estudo realizado na China sugeriu que pessoas com sangue tipo A seriam mais vulneráveis à doença

Resumo da Notícia

  • Pesquisa feito na China estabeleceu relação entre o tipo sanguíneo e a transmissão do novo coronavírus
  • De acordo com os dados divulgados, pessoas do tipo A seriam mais vulneráveis à nova doença
  • Especialista afirma que o estudo ainda é preliminar e não se aplica diretamente ao Brasil
  • Medidas de prevenção devem ser tomadas independente do tipo sanguíneo
Pesquisa chinesa relacionou o tipo sanguíneo de pessoas infectadas com o novo coronavírus (Foto: Unsplash)

Foi divulgado na China um estudo sobre a relação entre o tipo sanguíneo e a contaminação de pessoas pelo novo coronavírus (Covid-19). De acordo com a pesquisa, realizada com mais de 2.000 pacientes infectados nas regiões de Wuhan e Shenzhen, pacientes com sangue do tipo A apresentaram uma taxa mais alta de infecção e tinham tendência a desenvolver sintomas mais graves quando contaminados. Por outro lado, pessoas do grupo sanguíneo O tiveram um risco significativamente menor para a doença infecciosa em comparação com os grupos sanguíneos não-O. Dos 206 pacientes que morreram de Covid-19 em Wuhan, 85 tinham sangue tipo A, que era 63% a mais do que os 52 com tipo O. O padrão persistia em diferentes grupos etários e de sexo.

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Isso significa que se você possui tipo sanguíneo A ou AB corre mais risco de contrair a nova doença? Ou, caso você tenha sangue do tipo O, pode ignorar a quarentena? Vamos com calma. “A pesquisa foi feita com um grupo muito pequeno, se levarmos em consideração a quantidade de pessoas infectadas no mundo e na própria China. Novos estudos ainda precisam ser feitos, a relação entre o novo coronavírus e o tipo sanguíneo não é um fato consumado”, alerta a Dra. Fernanda de Oliveira Santos, hematologista do Hospital 9 de Julho.

Ainda de acordo com a especialista, o comportamento e a transmissão do Covid-19 na população chinesa não reflete necessariamente como o vírus se comporta no Brasil. “É um estudo unicêntrico, com uma população completamente diferente da nossa. E, novamente, não comprova cem por centro a relação entre o tipo sanguíneo e a vulnerabilidade ou não para contágio do coronavírus”, explica Fernanda.

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Mas o estudo traz, sim, um alerta importante. Os pesquisadores responsáveis fizeram um apelo aos governos e hospitais para que levassem as diferenças de tipo sanguíneo ao planejar medidas de contenção ou mesmo no tratamento de pacientes positivos para Covid-19. “As pessoas do grupo sanguíneo A podem precisar de proteção pessoal particularmente reforçada para reduzir a chance de infecção. Um acompanhamento mais vigilantes e tratamento mais agressivo”, escreveu Wang Xinghuan, do Centro de Medicina da Universidade de Wuhan, responsável pelo estudo.

Os tipos sanguíneos são determinados pelo chamado antígeno, um material na superfície dos glóbulos vermelhos que pode desencadear uma resposta imune. Foi o biólogo austríaco Karl Landsteiner quem descobriu os principais grupos sanguíneos em 1901, denominando-os de tipo A, B, AB e O. A descoberta permitiu transfusões de sangue seguras, combinando tipos sanguíneos em pacientes.

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