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Muito stress durante a gravidez? Cuidado com a ansiedade pós-parto

É mais recorrente do que depressão pós-parto

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Redação Pais&Filhos

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(Foto: iStock)

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A gravidez é um momento delicado na vida de uma mulher. Além de todas as preocupações com o bebê, a mãe deve se preocupar com ela também. Abaixo temos o relato de Jennifer King Lindley, que achou que estava ficando maluca até procurar um médico que pudesse ajudá-la e mostrar que o que ela estava passando era completamente normal: ansiedade pós-parto.

“Quando meu segundo filho, Ethan, tinha 9 meses de idade, eu cheguei a deixar pegadas no tapete da nossa sala de estar de tanto caminhar com ele pra lá e pra cá. Meus braços tremiam, meus músculos não aguentavam mais, e meus pensamentos estavam a mil por hora. Eu amo meus filhos, mas durante os meses que passaram, o êxtase que eu tive depois que meu segundo filho nasceu, passou. Meu cérebro se tornou um vizinho muito mau-humorado, e eu fiquei com medo de ficar muito tempo sozinha com meus pensamentos. Durante os pequenos intervalos que meu marido ficava com as crianças, eu fazia pequenas caminhadas, tentando driblar a ansiedade que me seguia que nem uma nuvem cinzenta de chuva. Como que eu ia tomar conta de dois seres tão pequenos que precisavam de mim? Fiquei imaginando quando que os pais de verdade voltariam para casa.

Mas é claro que, sendo uma mãe de segunda viagem, eu sabia que o stress e a preocupação viriam em algum momento. Mas dessa vez foi definitivamente um desafio: Ethan continuava acordando a cada duas horas que nem os recém-nascidos, e a sua irmã de 3 anos, Hannah, estava perdendo seu posto de centro do universo. Eu tinha reduzido a amamentação, então meus hormônios estavam em queda livre. Mesmo assim, nada conseguia explicar meus pesadelos, ataques de pânico e o medo de estar ficando louca. Isso não parecida com nada que eu já tivesse passado antes.

Depois de uma noite bem ruim, eu resolvi finalmente ir ao médico que atende nossa família. Ele descartou causas físicas e começou a ligar os sintomas à stress, me deu uma receita de antidepressivos e me mandou pra casa. Eu duvidei um pouco de que aqueles comprimidos iriam melhorar a confusão dentro da minha cabeça, mas depois de algumas semanas a medicação fez efeito. Ethan começou – finalmente! – a dormir melhor. Gradualmente, essa combinação permitiu que minha mente tivesse um descanso, e meu corpo seguiu o mesmo processo. Comecei a me sentir normal de novo.

Eu sei que agora tem um nome clínico para o que passei: ansiedade pós-parto. Enquanto a depressão pós-parto é uma condição que artistas e a mídia falam sobre, a verdade é que a ansiedade atinge muito mais mães: 17% de casos de ansiedade comparados com 5% de depressão. Mas muitas dessas mães não percebem que essa ansiedade que elas sentem não é algo normal. Algumas ainda se sentem envergonhadas em admitir que não estão se sentindo realizadas como a maioria das outras mães”, conta Jennifer, que passou poucas e boas durante o primeiro ano de vida de seu segundo filho Ethan.  “Ansiedade pós-parto é um problema enorme que quase ninguém ouve falar”, diz Tamar Gur, professor médico psiquiatra  da Universidade de Ohio, no estado de Columbus, Estados Unidos.

Não é só preocupação

A diferença entre o nervosismo de ser mãe e ansiedade pós-parto é que o segundo problema te impede de curtir o seu bebê recém-nascido. “A preocupação se torna um trem bala”, diz Tamar. “É doloroso e consome por dentro.” Os sintomas podem incluir insônia, dor de estômago, e um medo que não passa. Uma mãe que checa o sono do seu bebê milhares de vezes por noite, ou tem medo de carregar ele pelas escadas porque teme derrubá-lo. Os sintomas podem se mostrar durante qualquer ponto do primeiro ano de vida do seu bebê.

Muitas mães dizem que os piores sintomas são pensamentos ruins – quando você imagina catástrofes como se fossem um vídeo que se repete. “Se eu ouvisse no noticiário que uma mãe esqueceu seu filho no carro, eu tinha certeza de que eu faria o mesmo”, diz Jenny Oldenburg, uma mãe que mora em Memphis.

Na verdade, esse tipo de fantasia são sinais que você tem ansiedade pós-parto, não que você é uma pessoa perigosa.

As causas são complexas

Ter ansiedade durante a gravidez é um grande fator de risco para ansiedade pós-parto. Um histórico familiar ou pessoal de depressão e ansiedade vem como um indício do problema. Os hormônios que sobem e descem o tempo todo também podem aumentar os riscos. Como qualquer problema de ansiedade ou humor, a ansiedade pós-parto está relacionada com circunstancias biológicas também. Adicione a tudo isso privação de sono, isolação, e mudanças na vida do casal. Isso pode ser o gatilho para o problema começar.

Se você está sofrendo em silêncio, faça o seguinte:

Marque uma consulta com seu médico. Pode ser seu obstetra, terapeuta ou clínico geral.

Deixe bem claro o quão mal você se sente. Você deve dizer algo como: “Estou muito preocupada, tão preocupada que não durmo a noite. Você pode ajudar?”. Se seu médico não te levar a sério, procure outro.

Siga a risca seu tratamento. Seu médico pode sugerir terapia, um jeito de liberar o stress, ou medicação. A maioria vai ser própria para se você estiver amamentando.

Saiba que você não está sozinha. Achar amigos que entendam o que você está passando é crucial. Procure por grupos de apoio na sua área, eles podem ser muito úteis.

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