Criança

Autismo: a luta para sair do casulo

Presente na vida de muitas famílias, o autismo afeta 1 em cada 50 crianças. A luta é contínua para que autistas rompam o casulo e consigam voar!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

“Theo foi um bebê totalmente normal, risonho e interativo até um aninho. Tenho vídeos dele fazendo imitações (de tosse, piscando), batendo palmas, falando “mamã” e “papá”. A partir do primeiro aninho, começou a ficar mais sério, introspectivo. Não olhava quando chamávamos. Parecia surdo. Também não se interessava por outras crianças e desenvolveu uma estranha fixação por rodinhas”, conta Andréa Werner, autora do blog Lagarta Vira Pupa.

Leia a coluna de Silvia Ruiz, mãe de Tom, sobre a experiência de ter um filho autista

Leia a coluna de Priscila Dutra, mãe de Lorenzo, sobre o Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Andréa procurou ajuda cedo para Theo e recebeu o diagnóstico precoce de autismo. O caso dele é classifcado como autismo regressivo e representa cerca 30% dos casos  diagnosticados como dentro espectro do autismo. “São crianças que aparentemente são normais até 1, 2 anos de idade e, a partir daí, começa, a perder as habilidades que já tinham adquirido”, explica o neuropediatra José Salomão Schwartzman, pai de André, Flavia e Maria Luisa.

“Às vezes, a mãe conta que o filho desevolveu o autismo aos 3 anos, mas, na realidade, o autismo existe há muito tempo”. Por isso é preciso que os pais e o pediatra observem os sinais precoces. Quanto mais cedo é feito o diagnóstico, as intervenções podem gerar melhores resultados.

O dr. Salomão explica que o bebê com autismo não faz contato visual desde o início de vida. Por volta de 6 meses não interage e, um pouco mais tarde, não atende pelo nome, no mesmo período em que os bebês normais já estão respondendo. “Isso faz com que muitos pais pensem que são surdos e os levem a otorrinos”. Por volta de 1 ano, 18 meses, a pessoa com autismo não compartilha interesse.

Michella Franca, autora do blog Sou Mãe de um Autista, conta que Lucas apresentou atraso psicomotor desde que naceu e passou a fazer hidroterapia e fisioterapia. Mas o diagnóstico realmente aconteceu quando ele tinha 2 anos. “Todos os médicos atribuíam o atraso ao seu nascimento prematuro, porém nós percebíamos que algo não estava bem. Ele andou aos 2 anos e, logo depois, os sintomas do autismo ficaram muito nítidos”.

Segundo pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, 1 a cada 50 crianças está no espectro do autismo, sendo que a probabilidade de desenvolver em meninos é três a quatro vezes maior que em meninas. Por isso a cor do autismo é azul, uma referência ao sexo masculino.

No Brasil, não existem estatísticas atualizadas, mas acredita-se que os números não mudem muito. Segundo informações do site Autismo & Realidade (A&R), a taxa de pessoas que preenchem diagnósticos dentro do espectro do autismo está entre de 1 a 2 milhões (IBGE/2001).

O autismo está incluído nos Transtornos Globais do Desenvolvimento, os TGD e destes também fazem parte as Síndromes de Asperger e de Rett, o Transtorno Desintegrativo da Infância e o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento Sem Outra Especificação.

As possíveis causas

Ao se falar em Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) – que abrangem dos casos mais leves aos mais graves –, a genética e os fatores ambientais são considerados as causas e esta relacão é definida como multifatorial.

Segundo o psiquiatra da infância e adolescência, Caio Abujadi, filho de João Moysés e Evanir, as causas envolvem sequências de manifestações genéticas influenciadas diretamente e indiretamente por fatores ambientais. “Estes fatores estão convivendo com o ambiente familiar desde antes da gestação, relacionados aos hábitos familiares até situações gestacionais, intraparto e nos primeiros anos de vida”.

O que se sabe é que o autismo não é causado apenas por fatores ambientais. Algumas teorias antigas acreditavam que a culpa era da mãe, que não soube interagir e criar vínculo com seu filho, a chamada “mãe-geladeira”.

Hoje, esta crença está totalmente fora de hispótese! As mães passam por um luto, juntam forças e saem atrás das melhores intervenções, terapias e tratamentos para seus filhos: são mães-guerreiras!

“Ao ler uma reportagem sobre autismo me dei conta dos sintomas. Fiquei arrasada por dois dias depois da confirmação do neurologista. Mas rapidamente me informei o quanto pude sobre o assunto e vi que o futuro dele dependia de mim. Então enxugamos as lágrimas e, em menos de uma semana, começamos com a terapia e a trabalhar por horas em casa com o Tom”, conta Silvia Ruiz, que também é mãe de Myra e madrasta de Gabriel, que estreia uma coluna sobre o tema aqui no site da Pais & Filhos.

A importância do diagnóstico precoce

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais cedo também serão os processos de intervenção!

Como aconteceu com o Tom. Sua mãe conta que a evolução dele está sendo fantástica. “Tom é um menino valente. Em nove meses de trabalho, os resultados são muito animadores. Ele voltou a falar e, principalmente, a expressar suas vontades e frustrações e desejos”.

Para identificar uma criança apresentando sinais sugestivos de riscos de autismo é preciso ficar atenta a alterações no comportamento. Mas não é porque o seu filho ficou sem te olhar uma vez que ele pode ter algum distúrbio. É importante observá-lo e consultar seu pediatra para tirar dúvidas. Se a dúvida persistir, vale consultar uma segunda opinião.

Quando o pediatra detecta algum sinal fora dos considerados de normalidade no desenvolvimento dos bebês ou das crianças, ele encaminhada a família a um médico especialista. O diagnósticode autismo e de outros quadros do espectro é clínico. São feitas entrevistas com os responsáveis e análises e testes com a criança.

“Três linhas de sintomas são impo