Grávidas que tomaram 1ª dose da AstraZeneca podem receber 2ª dose da Pfizer ou Coronavac

O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica liberando a aplicação de vacinas de fabricantes diferentes em gestantes ou puérperas: a Coronavac também é recomendada, mas apenas quando não houver doses da Pfizer

Resumo da Notícia

  • Ministério da Saúde autorizou que grávidas que tomaram primeira dose da Astrazeneca "misturem" vacinas para completar a imunização
  • Como segunda dose da vacina deverá ser ofertada, preferencialmente, a vacina Pfizer. Somenta na falta dela, poderá ser aplicada a Coronavac
  • O prazo para aplicação continua o mesmo: 90 dias depois da primeira dose
 

O Ministério da Saúde passou a recomendar a aplicação da segunda dose da vacina da Pfizer — ou da Coronavac, em caso de falta da Pfizer — em grávidas e puérperas que receberam a primeira dose da AstraZeneca. O prazo para aplicação continua o mesmo: 90 dias depois da primeira dose.

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O ministério também está orientando a aplicação de vacinas de fabricantes diferentes na mesma pessoa em brasileiros que receberam a primeira dose no exterior e, já no Brasil, não tenham à sua disposição o mesmo produto.

Ministério da Saúde autorizou que grávidas que tomaram Astrazeneca “misturem” vacinas para completar a imunização (Foto: Getty Images)

“De maneira geral não se recomenda a intercambialidade de vacinas covid-19, no entanto, em situações de exceção, onde não for possível administrar a segunda dose da vacina com uma vacina do mesmo fabricante, seja por contraindicações específicas ou por ausência daquele imunizante no país (exemplo, indivíduos que receberam a primeira dose de uma vacina covid-19 em outro país e que estarão no Brasil no momento de receber a segunda dose), poderá ser administrada uma vacina covid-19 de outro fabricante. A segunda dose deverá ser administrada no intervalo previamente aprazado, respeitando o intervalo adotado para o imunizante utilizado na primeira dose”, diz trecho da nota técnica, assinada por Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde.

Em maio, após a morte de uma gestante que tomou a AstraZeneca, o Ministério da Saúde interrompeu a a aplicação dessa vacina nas grávidas e puérperas, que passaram a receber doses de outros fabricantes. Mas quem já tinha recebido a primeira dose continuou sendo vacinada com a AstraZeneca no momento da segunda dose.

A segunda dose deverá ser administrada no intervalo previamente aprazado, respeitando o intervalo adotado para o imunizante utilizado na primeira dose (Foto: Ministério da Saúde)

Como os estudos sobre intercambialidade usaram a Pfizer, essa foi a vacina escolhida pelo Ministério da Saúde, em vez da Coronavac, sobre a qual ainda não há dados, embora haja estudos em andamento. É somente na falta da Pfizer que a Coronavac deverá ser aplicada: “Às mulheres que receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca/Fiocruz e que estejam gestantes ou no puerpério (até 45 dias pós-parto) no momento de receber a segunda dose da vacina deverá ser ofertada, preferencialmente, a vacina Pfizer/Wyeth. Caso este imunizante não esteja disponível na localidade, poderá ser utilizada a vacina Sinovac/Butantan. Os indivíduos que receberem vacina no esquema de intercambialidade deverão ser orientados a respeito das limitações referentes aos dados existentes e do perfil de risco benefício”.

A nota diz que “ainda não existem estudos de eficácia/efetividade e segurança em larga escala”. Mas destaca que todas as vacinas induzem uma resposta contra o coronavírus e que a prática da intercambialidade já foi verificada em alguns países, como Alemanha, França, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega.

Pelo menos 48.202 gestantes brasileiras tomaram a primeira dose da Astrazeneca e agora poderão se beneficiar da nova recomendação, segundo dados do Ministério da Saúde.