Homem que foi preso por engano e perdeu nascimento do filho recebe indenização de R$60 mil

Nelson Neves foi preso na véspera do Natal de 2017 mas foi inocentado do crime

Resumo da Notícia

  • Nelson Neves foi preso por engano em 2017
  • O homem perdeu o nascimento do filho enquanto estava preso
  • Após meses Nelson irá receber uma indenização por danos morais

Nelson Neves foi preso por engano em 2017 por um suposto roubo, porém após apurarem o caso perceberam que o homem era inocente. Agora Nelson irá receber R$60 mil por danos morais, e acabou perdendo o nascimento do filho mais novo enquanto estava na cadeia.

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O caso aconteceu na Praia Grande, litoral de São Paulo e o homem ficou preso por seis meses. O crime ocorreu em junho de 2014. Segundo apurado pelo portal G1, dois homens roubaram R$1.400 de uma pessoa que foi abordada e intimidada na área de caixas eletrônicos em uma agência bancária no bairro Guilhermina. Além do dinheiro, a dupla teria levado o cartão da pessoa.

A vítima identificou um dos suspeitos em um álbum fotográfico na delegacia. “Mas os dados atribuídos ao homem na foto eram, na verdade, do Nelson. Os dois têm fisionomias distintas: traços do rosto, cor da pele e até mesmo cabelos diferentes”, explicou o advogado Erico Lafranchi, que defendeu o marceneiro no caso.

O homem perdeu o nascimento do filho enquanto estava preso
O homem perdeu o nascimento do filho enquanto estava preso (Foto: Reprodução/G1)

O inquérito foi finalizado sem a indicação do comparsa e apresentado ao Ministério Público, indicando Nelson como um dos autores do crime. Ele foi denunciado, e a Justiça decidiu pela prisão preventiva. Nelson foi preso em casa às vésperas do Natal em 2017, e levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande.

“Eu acreditava que tudo não passava de um mal-entendido. Não era possível. Eu falei para minha mulher que voltava logo, pois acreditava que iria esclarecer tudo na delegacia, mas eu demorei quase seis meses para voltar. Quando eu fui algemado, eu não acreditei. Perdi o nascimento do meu filho mais novo em janeiro”, contou o marceneiro.

Felizmente o advogado de Nelson conseguiu provar que o homem estava trabalhando na hora que o crime foi cometido. A contradição nos depoimentos da vítima, a falta de provas e a comprovação de que Nelson cumpria expediente em um terminal portuário em Santos no momento do crime absolveu o marceneiro da acusação do suposto roubo em março de 2018.

No período em que estava preso a mulher de Nelson estava grávida e os dois tinham planos de terminar a casa. “Foi difícil. Faltava um mês e pouco para ele nascer. Nós estávamos com planos, fazendo a nossa casa. Eu não sabia o que estava acontecendo, fiquei quase oito dias sem saber o que tinha acontecido”.

Nelson conseguiu um emprego temporário por meio do tio que sempre o ajudou. “Fiquei fazendo bico, trabalhando como avulso”, disse. Atualmente, ele trabalha em uma empresa na área de floricultura e paisagismo, mas nunca mais conseguiu um emprego com registro na carteira de trabalho. Ele contou que ninguém quer contratar um ex-presidiário. “A sociedade não acredita muito que você é inocente, mesmo o juiz batendo o martelo, deixando você em liberdade, a sociedade não acredita”, disse ele.