Hospital é condenado após retirar rim saudável de criança de 5 anos no Ceará

Segundo acusações, o Hospital São Vicente de Paulo, retirou o rim saudável, ao invés do rim debilitado da paciente. Na realidade, a criança tinha o órgão esquerdo atrofiado, no entanto, foi retirado o rim direito

Resumo da Notícia

  • O hospital retirou o rim errado de uma garota que sofria com o órgão atrofiado
  • A criança morreu 5 anos após a cirurgia ter sido realizada de maneira errada
  • O médico e o hospital estão sendo investigados, no entanto, estão sem segredo de justiça

A família acusa o Hospital São Vicente de Paulo, localizado em Barbalha, no interior do Ceará, foi condenado em 1ª instância pelo Tribunal de Justiça do Ceará, após um erro médico. A família disse a Elise Bezerra teve o rim saudável retirado durante uma cirurgia na unidade realizada em 2018. A garota morreu em 18 de março de 2022, 5 anos após a retirada do rim.

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Nos primeiro anos de vida da menina, a mãe, Daniele Bezerra dos Santos, disse que a filha foi diagnosticada com o rim esquerdo atrofiado e precisou passar por uma nefrectomia, para que fosse possível retirar o órgão. Durante o procedimento, de acordo com a mãe da criança, a equipe médica retirou o rim saudável, ao invés do rim debilitado.

Logo em seguida da retirada do órgão, a criança teve complicações graves de saúde e precisou passar por um novo transplante. No entanto, durante o procedimento, contraiu um vírus. Elise teve várias internações, fez tratamento, porém, não resistiu e morreu no início do mês passado.

“Elise adquiriu logo após o transplante, depois de seis meses transplantada, o vírus EBV que acomete pessoas transplantadas. Mesmo com todas as terapias não conseguiram fazer com que ela se curasse. Então ela conviveu o tempo todo com esse vírus, o que trouxe muitas outras consequências. Minha filha veio a óbito justamente por conta das complicações pós transplante”, disse a mãe de Elise, em entrevista ao G1.

Hospital retira órgão errado ao realizar cirurgia em criança (Foto: Reprodução/Sanar Medicina)

Em complemento, Daniele falou: “Eu quero que o Conselho [de Medicina] veja a gravidade desse erro que ele cometeu e realmente tome as medidas cabíveis. Que faça o que para mim acho que é certo, para que seja tomado de exemplo também para outros profissionais”.

Em nota à imprensa, o Hospital São Vicente de Paulo lamenta o falecimento da menina. Além disso, a instituição médica disse que irá recorrer da decisão judicial, que determinou o pagamento de indenização à família da vítima. Ademais, o advogado Filipe Santana, que representa a família da criança, alega que mesmo com a exclusão do processo, o médico pode ser responsabilizado em outras questões.

O médico não foi responsabilizado no momento porque há um entendimento no STF de que primeiro é preciso responsabilizar o prestador do serviço público, que no caso é o hospital. Isso não significa que ele não tenha errado e que não possa ser punido em outras esferas, inclusive, perdendo o direito de exercer a medicina junto ao Conselho. A família confia que a justiça será feita, pois, há provas robustas do que foi feito com a Elise. Lamento profundamente que a pequena Elise não tenha resistido para ver a justiça ser feita em seu nome e para sua família”, disse Filipe.

Segundo informações do G1, o médico que participou da cirurgia disse que não pode falar sobre o caso, pois, o processo corre em segredo de justiça.