Mãe brasileira de três filhos conta rotina e realidade das famílias na Itália após coronavírus

Ruas desertas, escolas fechadas e o isolamento em casa marcam a vida das famílias que vivem no país. Mas a população também mostra muita esperança e união em meio às dificuldades

Janelas em casas da Itália mostram mensagens de união e esperança (Foto: Reprodução/Twitter)

A pandemia do coronavírus mudou a realidade de muitas famílias que moram na Itália. Ruas desertas, escolas fechadas e o isolamento em casa marcam a rotina em diversas cidades do país, que já enfrenta mais de 20 mil casos de coronavírus. 

Marcela Vecchi Xavier, brasileira que está vivendo em Roma, na Itália, com a família, é enfermeira e mãe de três filhos — Matthew, de 16 anos, Maya, 6 anos, e Mia, 4 anos. “Desde o dia 5 de março estão todos em casa”, conta em entrevista à Pais&Filhos. 

“Meus filhos estão estudando à distância. Temos um site da escola e os professores colocam diariamente lições a serem feitas em casa. E pelo grupo de WhatsApp, uma mãe ajuda a outra com eventuais dúvidas ou dificuldades”, explica Marcela.

Ela ainda conta que o país não divulgou informações de quando as aulas voltam a se normalizar nas escolas. “Não temos uma previsão segura de quando volta a escola. As aulas à distância estão confirmadas até o dia 5 de abril, mas pode ser que prorrogue o tempo”, diz.

Isolamento em casa

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas famílias que vivem na Itália é o isolamento social. “O problema é ter que manter as crianças em casa e não poder contar com a ajuda dos avós para poder trabalhar”, desafa. 

As pessoas com mais de 60 anos formam o maior grupo de risco ao coronavírus. Segundo dados divulgados pelo governo italiano, a taxa de letalidade é mais alta entre a população idosa, com mais de 70 anos de idade. Por isso, a recomendação é evitar o contato direto com pessoas idosas, que são mais vulneráveis ao coronavírus. “Nós, por exemplo, estamos evitando o contato com os meus sogros. É inútil querer isolar o vírus e não respeitar as regras primordiais que é evitar o contato e não arriscar um contágio, ainda mais com pessoas vulneráveis”, defende. 

“Ainda é cedo para saber o sucesso da quarentena. Só quando passar os 15 dias, que seria o período de uma possível incubação. As crianças são mais resistentes a esse vírus, ainda não soube de nenhum caso fatal. Infelizmente, os idosos, diabéticos, hipertensos, imunodeprimidos fazem parte do grupo de risco”, conta Marcela.

Otimismo e união

Nos últimos dias, vídeos de italianos cantando e tocando instrumentos nas janelas e varandas de suas casas viralizaram nas redes sociais. Essa atitude foi considerada um verdadeiro símbolo de resistência e esperança ao redor do mundo. 

“Tem muita gente nas varandas, cantando ou tocando algum tipo de instrumento musical. É uma manifestação otimista até mesmo para sair da rotina de ficar sempre preso em casa e também uma forma de diversão até mesmo nesse momento de tensão”, diz Marcela.

Ela ainda contou que as crianças também fazem parte desse movimento. “Elas estão fazendo cartazes com arco-íris, junto com a mensagem ‘Andrà tutto bene’”. Centenas de janelas e paredes das casas italianas estão ocupadas pelos cartazes e lençóis com essa mensagem de esperança e união. 

(Foto: Reprodução/Twitter)

A expressão positiva significa “Tudo vai ficar bem”, em tradução literal, e também dá nome à uma canção da cantora italiana Levante. “Virou um símbolo contra o coronavírus”, define.

*Com reportagem de Helena Leite

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