Mãe de Moïse conta que família deseja sair do Brasil após conclusão do caso

O jovem congolês de 24 anos foi espancado até a morte após cobrar o salário atrasado para o chefe

Resumo da Notícia

  • A mãe de Moïse diz que família irá sair do país após justiça ser feita
  • O jovem foi morto após cobrar pagamento atrasado ao chefe
  • O caso aconteceu na semana passada

Por volta das 20h desta última quarta-feira, 03 de fevereiro, Ivana Lay, mãe de Moïse Kabagambe, jovem congolês que foi morto por espancamento após ir cobrar o salário atrasado que o chefe devia, comentou sobre as intenções de sair do Brasil depois que o caso for concluído.

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“Depois disso a gente quer sim sair do país, mas não antes de concluírem o caso do meu filho. A gente não pode deixar o Brasil enquanto a justiça não for feita”, disse Ivone Lotsove para o TAB da UOL, após enfrentar uma tarde de depoimentos sobre o crime, que aconteceu na noite de 24 de janeiro.

Ivone Lotsove comentou sobre os planos da família após assassinato do filho
Ivone Lotsove comentou sobre os planos da família após assassinato do filho (Foto: REUTERS/Alexandre Loureiro)

“Só vamos sair depois que tivermos uma resposta, depois que tudo for concluído. Prenderam três pessoas, mas até agora ninguém explicou o que de fato aconteceu. A gente quer saber a verdade, o motivo de tanto ódio. Cadê as outras pessoas que viram e não prestaram socorro?” afirmou o irmão da vítima, Djodjo Baraka, enquanto a família se reunia na casa de Ivone para prestar apoio.

As investigações da polícia apontam Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, o Dezenove; Brendon Alexander Luz da Silva, o Totta; e Fábio Pirineus da Silva, o Belo, como os assassinos de Moïse. Até o momento da produção desta matéria, os três homens seguem presos.

Relembre o caso

Moïse Kabagambe trabalhava por diárias em um quiosque na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade. Seu corpo foi achado amarrado em uma escada, o chefe devia à ele dois dias de pagamento atrasado.

A mãe de Moïse, Ivana Lay, irá prestar depoimento na Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro. Ela chegou acompanhada dos irmãos de Moïse – que também vão depor -, e do procurador da comissão de direitos Humanos da OAB-RJ, Rodrigo Mondego.

“A gente sabe que quem está dando paulada em alguém que está desacordado não está revidando uma injusta agressão nem está tentando garantir uma legítima defesa. É nítido que houve sim uma intenção de matar. É fato que houve um dolo”, disse o advogado ao G1. Mondego comentou ainda que há uma tentativa de “desqualificar Moïse”

Moïse foi espancado no quiosque em que trabalhava
Moïse foi espancado no quiosque em que trabalhava (Foto: Reprodução/G1)

“Existe uma tentativa de transformar ele na pessoa que gerou o resultado da própria morte. Falar que ele estaria alcoolizado, que estaria alterado”, pontuou. Ele contou ainda um pouco das condições de vida de Moïse, que fazia bicos no quiosque Tropicália e para outros bares próximos, e que ele dormia no trabalho para economizar.

Mondego contou ainda que a defesa e a família só tiveram acesso ao vídeo que mostra a morte do congolês pela imprensa, que o vídeo está picotado, e que vão pedir acesso ao conteúdo do inquérito. Os suspeitos da morte do jovem já estão presos e devem responder por homicídio duplamente qualificado — por impossibilidade de defesa da vítima e meio cruel. O processo corre em sigilo.