Família

Nossos sapatos podem transportar mais de 421 mil bactérias para dentro de casa

Para ambientes com crianças pequenas a sujeira é ainda pior

Jéssica Anjos

Jéssica Anjos ,filha de Adriana e Marcelo

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(Foto: iStock)

Imagina a quantidade de coisas em que você pisa na rua. Imaginou? Não precisamos descrever aqui, porque temos certeza de que passou pela sua cabeça milhares de imagens nojentas. Agora, pense que o seu sapato carrega tudo isso para dentro da sua casa.

Um levantamento feito pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, detectou 421 mil tipos diferentes de bactérias nos sapatos. 96% dos calçados analisados continham coliformes, microrganismos presentes nas fezes. “Se a gente pensar nas secreções, sujeiras, restos de comida, fezes de animais, água parada… Não entraríamos em casa com os sapatos que usamos na rua”, diz Flávia Oliveira, pediatra neonatologista, mãe de Pedro e Lucas.

Para casas com crianças pequenas a sujeira é ainda pior.

Se seu filho está na fase de engatinhar, ele vai estar sempre com a mão no chão. De acordo com a especialista, para menores de 2 anos, cuja imunidade é baixa, o contato com esse tipo de bactéria é perigoso. “Nessa idade as crianças levam tudo à boca, o que aumenta o risco de contaminação”.

A Universidade de Houston, também nos Estados Unidos, encontrou em 26% das amostras coletadas nos sapatos durante sua pesquisa, uma prevalência do coliforme Clostridium difficile. Essa bactéria pode causar dores no estômago e diarreia, além de se multiplicar nos carpetes. “Um piso de banheiro público, por exemplo, contém 2 milhões de bactérias por polegada quadrada”, compartilha a pediatra. O hábito de retirar os sapatos antes de entrar em casa veio dos orientais, e, segundo a especialista, nós deveríamos fazer o mesmo.

Higienização é importante
A exposição frequente e elevada a essas bactérias pode aumentar o risco de infecções gastrointestinais e intoxicações alimentares. Mas sem neura! Seu filho está diariamente em contato com microrganismos nos parques, praça e brinquedos de uso coletivo. “Essa exposição é habitual e dentro da normalidade nas várias etapas de desenvolvimento da criança”, tranquiliza Milton Lapchik, infectologista do Hospital São Luiz do Morumbi, pai de Fábio e Diego.

De acordo com o especialista, há uma maior preocupação por parte da sociedade em relação aos bons hábitos de higiene, por isso vemos muitas famílias, aqui no Brasil, adotando a prática de retirar os sapatos antes de entrar em casa. Apenas devemos tomar cuidado com os excessos. Cuidar da higiene da casa e dos objetos com que seu filho tem contato é necessário, mas não pode se transformar em su