Pai de 82 anos faz tatuagem para homenagear filho que morreu por covid-19: “Nunca vou esquecer”

A lembrança do seu bordão foi eternizado no corpo pela família em sinal de carinho da pessoa alegre e presente que ele era

Resumo da Notícia

  • A primeira tatuagem de Antônio, Murilo, Adão e Maria Júlia Borges foi o bordão do ente querido vítima da covid-19
  • O avô e pai, Gerônimo Neto, tinha como bordão a frase: "só alegria"
  • Gerônimo era alegre, com vontade de viver e gostava da casa cheia

Antônio Borges sofre ao falar do filho, que morreu de covid-19 há quatro meses, em homenagem a família decidiu marca-lo além das lembranças presentes na memórias, mas por meio da pele, em Rio Branco, no Acre. O idoso aos 82 anos escolheu como primeira tatuagem uma frase que vai ficar eternizada no antebraço, o bordão de Gerônimo Neto: ‘só alegria’, que batalhou durante 30 dias contra a doença, morrendo no dia 9 de março, aos 59 anos, deixou o filho Murilo e a neta Maria Júlia, e será lembrado como o homem alegre e com vontade de viver. “nunca mais vou esquecer”, disse o idoso ao G1.

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O pai, o filho, o irmão e a neta decidiram homenagear o ente querido com uma tatuagem. (Foto: Reprodução/G1/Arquivo Pessoal)

“Foi minha primeira tatuagem e única. É difícil falar muito porque é muita emoção e alegria em fazer essa homenagem para meu filho. Nunca pensei em fazer uma tatuagem, mas a perda do meu filho é um acontecimento que nunca mais vou esquecer e agora tenho o prazer de sempre trazer comigo a frase que ele sempre falava: ‘Só alegria!’. É algo que está gravado no meu coração e que pra mim é um orgulho ter tido essa coragem, porque é muito emocionante e agora tenho muito prazer em expor meu braço com a frase que ele sempre dizia”, diz o pai tatuado.

Família tatuou junto em homenagem

Gerônimo era pai e avô presente e querido por todos, que gostava da casa cheia nos almoços de domingo e demostrava amor por meio de palavras e gestos. Quando o pai, que mora e Rondônia foi visitar o túmulo do filho mais velho, junto do seu outro filho Adão Sobrinho, para se despedir devido não o ter conseguido a tempo, a família se reuniu para conversar e todos se animaram com a ideia da tatuagem.

Esse carinho já tinha sido feito antes por Murilo Borges, de 33 anos, que fez a primeira tatuagem em homenagem ao pai no braço, escrito: “Parte de mim entende sua partida, outra parte morre de saudades, pai”. Com a ideia da família também fez o bordão dele a baixo da anterior.

“Todo mundo que esteve com meu pai por algum dia, uma hora, ouviu ele falar esse lema, tudo girava em torno disso. Meu pai sempre foi uma pessoa muito positiva, que eu nunca vi desanimar. Em momentos difíceis ou em qualquer situação, ele tentava enxergar o lado bom das pessoas; a maior qualidade do meu pai era acreditar nas pessoas, mesmo que elas decepcionassem, ele acreditava que elas podiam melhorar”, contou Murilo.

Gerônimo Neto tinha o bordão: “só alegria”. (Foto: Reprodução/ G1/ Arquivo Pessoal)

Além de Antônio e Murilo, o irmão Adão Sobrinho, de 55 anos, também fez a primeira tatuagem. “Meu irmão era um cara tão especial que é até difícil falar tudo de bom que ele tinha. Era um cara que não tinha tristeza, mesmo em um momento difícil, ele dizia: ‘só alegria’. Meu irmão merecia muito mais que só uma tatuagem, porque isso a gente vai levar no coração o resto da vida e meu mano era tão querido que por ele eu faria tudo”, diz.

A mais nova a entrar no time dos tatuados foi a neta Maria Júlia, de 15 anos, que inclusive foi quem sugeriu o bordão, pois o avô sempre falava a frase e encontrou escrita nas agendas antigas dele. “Não era só uma frase, era um estilo de vida. Foi por isso que não podia ser algo diferente. Meu avô foi sempre família, ele sempre dava muito valor a isso. A gente se reúne sempre aos domingos, como ele gostava, para manter contato com a família, meus avôs, bisavôs, é nisso que a gente se apega. A gente sofre junto quando tem que sofrer, mas também se fortalece.”