Família

“Preciso de você”: o desabafo de uma mãe ao marido que não ajuda em casa

Esta carta é um pedido de socorro sincero e legítimo

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

(Foto: Reprodução/Facebook Breastfeeding Mama Talk)

(Foto: Reprodução/Facebook Breastfeeding Mama Talk)

Cuidar dos filhos não é uma tarefa fácil e muito menos uma obrigação apenas da mãe. Infelizmente em muitas famílias os pais se acomodam e até arranjam desculpas para não ajudar a esposa com as crianças. Era isso que acontecia na casa da norte-americana Celeste Erlach. Em um grupo de mães no Facebook, Celeste escreveu uma carta ao seu marido, relatando que estava cansada de levar a criação dos filhos sozinha e que estava chegando ao seu limite. A publicação viralizou e está circulando nas redes sociais. Você se identifica? Confira o desabafo:

“Querido marido,

Eu preciso de ajuda!

A noite passada foi difícil para você. Te pedi para você cuidar do bebê para eu poder ir para a cama cedo. O bebê estava chorando. Sério. Eu podia ouvi-lo lá de cima do nosso quarto, e o meu estômago se revirava de pensar se eu devia ir lá embaixo para te liberar ou devia fechar a porta para poder ter um sono desesperadamente necessário. Escolhi a segunda opção.

Você entrou no quarto 20 minutos depois com o bebê ainda chorando freneticamente. Colocou-o no berço e gentilmente empurrou o berço para mais perto do meu lado da cama – claramente um gesto de que você já estava cansado de cuidar dele.

Eu queria gritar com você. Queria iniciar uma briga épica naquele momento. Eu estive cuidando do bebê o dia todo! Eu iria acordar a noite toda para alimentá-lo. O mínimo que você podia fazer era ficar com ele durante algumas horas para eu tentar dormir.

Só queria umas horas de sono precioso. É pedir muito?

Sei que nós dois vimos nossos pais cumprirem os papéis típicos de pai e mãe. Nossas mães eram as principais guardiãs e os nossos pais eram relativamente “livres”. Eram excelentes pais, mas não era esperado que eles gastassem tempo trocando fraldas, alimentando e cuidando das crianças. Nossas mães eram as super-heroínas que mantinham a dinâmica familiar. Cozinhar, limpar e criar as crianças. Qualquer ajuda do pai era bem-vinda, mas inesperada.

Estou vendo a gente a cair nestas dinâmicas familiares a cada dia. Minha responsabilidade de alimentar a família, manter a casa limpa e cuidar das crianças é assumida, mesmo quando eu voltar ao trabalho. Também me culpo pela maior parte. Eu achei que conseguia fazer, e na verdade eu quero. Sem ofensa, mas não sei se quero saber como seria uma semana de jantar com você no comando.

Também vejo as minhas amigas e outras mães fazendo tudo – e fazendo bem. Eu sei que também vê. Se elas conseguem e se as nossas mães faziam tão bem, por que eu não posso?

Eu não sei.

Talvez nossas amigas estejam fazendo esse papel em público, mas vivendo uma luta secreta. Talvez as nossas mães tenham sofrido em silêncio durante anos e agora, trinta anos depois, simplesmente não se lembram como era difícil. Ou talvez, e isto é algo que penso todos os dias, não sou tão qualificada para o trabalho como todas as outras mães. E por mais que me destrua só de pensar, vou dizer: preciso de mais ajuda.

Parte de mim se sente um fracasso só de pedir isso. Quer dizer, você me ajuda. É um pai fantástico, e faz um ótimo trabalho com as crinças. Além disso, isto devia ser fácil para mim, certo? Instintos maternais, né?

Mas eu sou humana, e estou tendo apenas cinco horas de sono e estou absurdamente cansada. Preciso de você.

De manhã, preciso que prepare o nosso filho [mais velho] para que eu possa cuidar do bebê, fazer a comida para todos e tomar um café. E não, preparar nosso filho não significa coloca-lo em frente da TV. Significa ter a certeza que ele fez xixi, dar o café da manhã, ver se ele quer água, e arrumar sua mochila da escola.

À noite, preciso de uma hora para relaxar na cama sabendo que a nosso filho está dormindo no seu quarto e que o bebé está sob seus cuidados. Sei que é difícil ouvir o bebê chorar. Acredite: eu sei. Mas se eu posso cuidar e acalmar o bebê o dia inteiro, você pode fazer isso durante uma hora ou duas à noite. Por favor, preciso de você.

Aos fins de semana, eu preciso de mais pausas. Momentos em que possa sair de casa sozinha e me sentir um indivíduo. Mesmo que seja apenas um passeio pelo quarteirão ou uma ida ao mercado. E alguns dias em que eu tenho algum compromisso e parece que tenho tudo sob controle, preciso que me ofereça uma ajudinha, ou sugira que eu me deite na hora da soneca das crianças, ou comece a pôr a mesa sem eu pedir. Preciso de você.

Por último, preciso de ouvir que está grato por tudo o que faço. Quero saber se você reparou que as roupas estão lavadas e que um bom jantar foi preparado. Eu quero saber que você admire que eu amamente toda hora e tire leite quando estou no trabalho quando o mais fácil para mim seria a fórmula alimentar. Espero que repare que nunca peço para você ficar em casa quando tem seus compromissos ou seu futebol. Como a mãe, presume-se que vou estar em casa o tempo todo e sempre disponível para cuidar das crianças enquanto você está fora, e eu alimento essa suposição porque, bem, sempre estou em casa mesmo.

Sei que não foi assim que os nossos pais fizeram, e eu odeio sequer ter que pedir. Gostaria de poder fazer tudo e ainda fazer parecer fácil. Gostaria de não precisar de elogios por fazer coisas que a maioria das pessoas espera de uma mãe. Mas estou acenando com uma bandeira branca e admitindo que sou só um ser humano. Estou te dizendo o quanto preciso de você. Se eu continuar nesse ritmo, não vou aguentar. E isso machucaria você, as crianças e a nossa família.

Porque, vamos encarar, você precisa de mim também.”