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Sexo e casamento não precisam combinar o tempo todo

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Publicado em 05/06/2013, às 11h27 - Atualizado em 20/11/2021, às 06h02 por Redação Pais&Filhos


Nos anos 60, o movimento hippie defendia o amor livre. Quarenta e cinco anos depois do revolucionário ano de 1968, 66% dos entrevistados por um site de relacionamentos acreditam que sexo virtual é traição. A fidelidade é um ideal inquestionável. Ou quase.

(Foto: Shutterstock)

Na edição de julho da revista Pais & Filhos, discutimos a relação conjugal depois dos filhos retomando uma reportagem publicada na edição número 4 da revista, publicada em dezembro de 68, com o título Helena Dorme de Rolinhos no Cabelo. Na reportagem, o marido se desinteressa da esposa por encontrá-la sempre de bobes.

Uma das entrevistadas para a versão 2013 da matéria foi a psicanalista Regina Navarro Lins, autora de best-sellers sobre relacionamento como A Cama na Varanda. Ela defende que cada parceiro tenha sua vida sexual particular. Para a vida a dois valer a pena, ela recomenda que não haja nenhum controle da vida sexual do parceiro: “Mesmo porque é um assunto que só diz respeito à própria pessoa”. E que nenhuma possessividade ou manifestação de ciúme limite a vida do parceiro. “Poucos concordam com essas ideias, na medida em que é comum se alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado”.

Até os movimentos de contracultura dos anos 1970 havia a crença de que uma mulher só podia se realizar, emocional e financeiramente, ao lado do marido, afirma. A ‘boa esposa’ deve fazer tudo para agradar ao marido, viver em função dele, mesmo em detrimento do seu próprio bem-estar. Não desagradar o homem deveria ser sua principal preocupação. Para isso, devia ajustar a sua imagem às exigências masculinas, como estar sempre bela para esperá-lo chegar em casa”, diz.

Caso contrário, a mulher poderia comprometer o desejo sexual do marido, e fazer com que ele procurasse outra fora de casa. E, lembra, como a mulher não trabalhava, o marido desejar se separar era uma ameaça constante.

Para ela hoje, a falta de desejo no casamento é o maior problema enfrentado pelos casais. E não tem nada a ver com o fato da mulher usar rolinhos na cabeça. “É muito maior o número de mulheres que perdem o desejo pelo marido do que o contrário. Para cada marido que perde o tesão pela esposa, há quatro mulheres que perdem o tesão pelo marido”, diz.

Segundo Regina, familiaridade e tesão não fazem um bom casamento, mas o problema mesmo é a expectativa de fidelidade. “Acredito que o grande vilão dessa história é a exigência de exclusividade. Uma relação estável favorece muito a dependência emocional entre os envolvidos. Se você tem certeza de que o outro, por depender de você, tem medo de te perder, e por isso não tem vida própria, jamais transaria com outra pessoa, você vai se desinteressando sexualmente”, afirma.

E criatividade, para ela, não resolve a questão. “Não há sedução, não há conquista, não há o mínimo de insegurança necessária para que o tesão continue após anos de convivência. Os dois acabam se transformando em irmãos. Não acredite em quem diz que a solução é ser criativo. Isso não passa de um equívoco. É o desejo sexual intenso que leva à criatividade, e não o contrário”.

Regina é ainda mais definitiva, para ela, a relação estável com uma única pessoa está com os dias contados. “Neste momento, observamos que diminui a disposição para sacrifícios só para ter alguém ao lado. Para haver chance de se viver a dois sem tantas limitações, homens e mulheres precisam efetuar grandes mudanças na maneira de pensar e de viver”,

Para uma relação a dois valer a pena, segundo Regina, alguns fatores são primordiais:

– Total respeito ao outro e ao seu jeito de ser, suas ideias e suas escolhas.

– Nenhuma possessividade ou manifestação de ciúme que possa limitar a vida do parceiro.

– Poder ter amigos e programas em separado.

– Nenhum controle da vida sexual do parceiro, mesmo porque é um assunto que só diz respeito à própria pessoa.

O que mudou na vida sexual e amorosa do brasileiro em uma década? Regina acrescentou um capítulo ao livro sobre as novas formas de amar e afirma que o fim do amor romântico está levando junto a exclusividade nas relações.

Consultoria

Regina Navarro Lins, psicanalista e escritora, autora de 11 livros, entre eles A Cama na varanda e O Livro do Amor.


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Sexo

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