Criança

Socorro! Meu filho não estuda!

Se você também precisa de ajuda na hora de colocar as crianças para estudar, o lançamento do livro de Roberta e Taís Bento veio na hora certa! Confira a entrevista

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

Roberta e Taís Bento, autoras do livro "Socorro! Meu filho não Estuda!"

Roberta e Taís Bento, autoras do livro “Socorro! Meu filho não Estuda!”

Seu filho sempre tem uma boa desculpa para não ir à aula. Na hora da lição de casa, ele está sempre ocupado fazendo outra coisa, ou faz tudo correndo para voltar a brincar. Quando você vai às reuniões de pais, ouve que ele é distraído ou passa tempo demais falando com os amigos e tempo de menos se dedicando de verdade às lições.

Se você se identificou com as frases acima, com certeza já percebeu que seu filho não gosta de estudar. E agora? As nossas embaixadoras Roberta Bento e Taís Bento, mãe e filha, vão lançar essa semana o livro “Socorro! Meu filho não estuda!”, com dicas práticas explicando como a gente pode ajudar nossos filhos a sentirem prazer em aprender coisas novas, tudo isso baseado em conceitos da neurociência cognitiva.

Entrevistamos as autoras, que nos falaram sobre a ideia de fazer o livro e o que a neurociência diz sobre as crianças que torcem o nariz para os estudos. Confira:

1) Como surgiu a ideia de fazer o livro?

O livro faz parte de uma série de três ações que foram pensadas para levar a pais e responsáveis às mais recentes descobertas da neurociência cognitiva – ou – sendo bem direta, como o cérebro aprende.

A primeira das ações é uma série em vídeo, que apresenta dicas a famílias, sobre como melhorar a relação dos filhos com os estudos.

Esse trabalho foi a semente para a segunda ação – o site “Socorro, meu filho não estuda!” através do qual apresentamos dicas, escritas de forma direta e simples, sobre como a vida dentro de casa impacta a relação de crianças e adolescentes com o estudo.

A base de todas as dicas – tanto nos vídeos como no site – é sempre o resultado das mais recentes pesquisas sobre como o cérebro funciona e o impacto que a vida moderna tem no processo de assimilação e aprendizagem, seja de conteúdo ou formação de hábitos.  Sentimos então que faltava um meio para levar a pais e responsáveis um aprofundamento, ainda que leve, das dicas que são sempre curtas e diretas.

No livro oferecemos dicas para todas as idades, dessa vez com um prefácio de embasamento teórico que explica o porquê aquela dica funciona e como o cérebro vai processar e reagir ao que está sendo proposto. Ainda assim, mantendo um linguagem muito simples e acessível.

2) Vocês já passaram ou passam por essa situação?

Taís e eu passamos pela situação de pedido de socorro há anos, sem, contudo, perceber que havia nesses pedidos de ajuda um espaço que se tornou um projeto de vida.

Eu, Roberta, atuando há mais de 30 anos na área de educação, sempre adorei os casos que geralmente a escola e família acham os mais complicados. Crianças, adolescentes e alunos em geral que apresentam o sintoma “não gosto de estudar”.  O conhecimento da neurociência me ajudou a comprovar o que sempre foi minha crença: isso é só um sintoma. Assim sendo, não adianta agir sobre ele. O máximo que se consegue é amenizá-lo temporariamente ou – na maioria dos casos – agravar o real problema, que acaba por se tornar um terrível fatalismo: “não sirvo para isso; aprender não é para mim; não sou bom nisso”.

Taís sempre foi uma boa aluna e não apresentou problemas com os estudos, mas desde pequena acompanhou minha vida de professora e acabou por também se tornar uma educadora.

E, sim, tenho um sobrinho a quem considero como um filho que ganhei emprestado da minha irmã, que foi minha maior inspiração pessoal. Era o típico menino-problema em se tratando de estudo e escola. Exatamente aquele que deixa os pais e professores de cabelo em pé. Comigo estudava, fazia os deveres de casa e, para provar que eu estava certa, acabou por ser um dos poucos adolescentes brasileiros a conseguir um estágio de trabalho dentro de um parque da Disney! Ele é a prova de que o “não gosto de estudar” é somente um sintoma e há saída, dentro da própria criança/adolescente. Os pais precisam de ajuda para descobrir como diagnosticar e tratar cada caso adequadamente!

3) Quando a criança não gosta de estudar, sempre bate aquele desespero. O que vocês fazem ou fariam nesse caso?

Não existe criança que não goste de fazer novas descobertas. E também não existe conquista sem esforço. Não existe cérebro saudável que não consiga aprender. Não existe aprendizado sem referências anteriores. Aprendizagem requer um alicerce chamado educação.

Como juntar tudo isso e agir é o que explicamos no livro, de forma simples e direta, como se fosse uma conversa com os pais.

O ideal é ir em busca do diagnóstico – o que está faltando no alicerce para que essa criança aprenda a gostar de estudar. A partir daí, a construção passa a ficar mais sólida.

4) Essa história de que menina é mais dedicada aos estudos do que os meninos é real? Vocês percebem isso pela experiência de vocês? Por que existe essa diferença?

Em termos cognitivos, a capacidade é idêntica em ambos os sexos. Uma pesquisa muito recente mostrou que há sim diferença entre o cérebro feminino e masculino em relação ao armazenamento de memórias afetivas. Cada sexo armazena essa memória em um local diferente, o que explica, por exemplo, o porquê de a mulher gostar mais de falar de sentimentos do que o homem. Em relação à capacidade e forma de aprendizagem, porém, não há diferença.

Não podemos negar, contudo, que é senso comum essa afirmação de que meninas se dedicam, de forma geral, principalmente em nosso país, mais aos estudos.  E existe aí uma forte carga cultural, que acaba preparando melhor as meninas para o que realmente conta no momento de estudar e no processo de aprendizagem: a predisposição para o esforço e dedicação que são os fatores que realmente acabam por fazer a diferença.

5) O que desperta na criança o desejo de aprender? Aprender é uma característica particular ou todo mundo gosta de aprender coisas novas, o que vocês acham?

Três aspectos são cruciais: autoestima, memórias criadas desde o momento do nascimento e desafio.

Autoestima é fundamental para que uma criança aprenda. Os mais recentes estudos sobre o cérebro mostram que para aprender a criança precisa acreditar que é capaz. Ao perceber que aprendeu e colher os frutos do sucesso – seja na nota, no elogio, na aplicação do conhecimento – o processo se retroalimenta e a criança quer mais.

Desafio, quando colocado