Criatividade será avaliada em exame internacional de educação

A ampliação da consciência dos adultos educadores inova seus próprios olhares sobre a infância e nossas crianças

Manter a criatividade acesa na vida adulta dependerá muito de posturas e atitudes dos que educam hoje (Foto: Getty Images)

Nesta quinta, dia 5 de março, o Instituto Ayrton Senna promoverá um seminário internacional sobre Pensamento Crítico e Criatividade na escola. Um dos palestrantes mais renomados será Andreas Schleicher, diretor de educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que já alertou para o fato de o PISA (exame internacional que avalia e rankeia os países conforme desempenho em Leitura, Ciências e Matemática) passar a avaliar também a CRIATIVIDADE.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Andreas ressaltou que “no mundo em que vivemos, a criatividade não é só um valor humano, é também um valor econômico muito importante”. Considero de suma importância esta fala e adiciono: a criatividade tem papel fundamental na nossa realização pessoal e profissional (veja meu TEDx) e, pessoas realizadas são mais produtivas e fomentam, portanto, o desenvolvimento econômico sustentável.

Quando um exame de relevância mundial, como é o PISA, passa a avaliar a CRIATIVIDADE nas escolas, o movimento de inovação na Educação ganha mais força e um olhar mais atento e específico para o pensamento crítico e criativo. Todavia, destaco aqui a necessidade de desenvolvermos um trabalho de transformação cultural, que passa pela ampliação da consciência dos adultos educadores, que inova seus próprios olhares sobre a infância e nossas crianças. Manter a criatividade acesa na vida adulta (quando nos tornamos economicamente ativos) dependerá muito mais de algumas mudanças de posturas e atitudes dos que educam hoje, do que propriamente de materiais, recursos e metodologias pedagógicas.

A ampliação da consciência dos adultos educadores inova seus próprios olhares sobre a infância e nossas crianças (Foto: Getty Images)

Estou falando do que destaquei no meu livro como a Tríade da Educação Criativa. Precisamos que as crianças:

1. Sintam-se AMADAS pelos seus cuidadores e professores, para que percebam-se aceitas no mundo e tenham coragem para expressarem suas ideias criativas.

2. Reconheçam LIMITES porque através deles elas aprenderão a lidar com frustrações e compreenderão a noção de “eu – outro – nós” e só assim resistirão ao que é imprescindível para a aplicação de uma ideia criativa: o fracasso, o erro e o risco.

3. Desfrutem de momentos de LIBERDADE CRIATIVA, em que poderão se experimentar com permissão e se aproximar de sua autenticidade. Quando se expressam com liberdade, ganham intimidade com seus guias internos, seus interesses intrínsecos o que lhes aproximará, na vida adulta, de seus propósitos. Atuar com propósito é um convite natural para um desempenho crítico e criativo.

Para nutrirmos a criatividade em nossas crianças, o primeiro passo está neste novo olhar para a infância e nesta nossa nova postura.

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