Colunistas

Não podemos frustrar a criança?

Muitos pais têm protegido os seus filhos de sofrerem e de se frustrarem

Não evite dizer não para o seu filho (Foto: iStock)

Muitos pais têm protegido os seus filhos de sofrerem e de se frustrarem. Evitam dizer “não”, resolvem os conflitos que os filhos travam com outras crianças, antecipam-se para resolverem seus problemas, dão tudo o que pedem para que não se chateiem, fazem todos os seus gostos e os enchem de perguntas do tipo: “O que você quer comer?”, “Você quer que a mamãe ou o papai te coloque na cama?”, “Que programa você quer fazer?”, “Que restaurante você quer ir?”, entre tantas outras.

Uma coisa é desenvolvermos a criança para a tomada de decisões, mas outra é darmos este poder a ela sem que ela tenha ainda recursos e repertório para tal. Ao tratar o seu filho como um rei, você estará o desprotegendo para o mundo real, de realidade. Afinal, não vivemos no mundo real de realeza. Poupar a criança pode parecer um acerto, mas acredite, traz malefícios ao seu desenvolvimento integral, em especial às habilidades sócio-emocionais.

Tratá-la como rei ou rainha, sem que se frustre ou sofra, provavelmente a deixará insegura, com baixa autoestima, com pouca flexibilidade mental, com dificuldade para resolver problemas, para ser criativa, empática, para trabalhar em equipe, enfrentar desafios, tomar decisões e tanto o mais. Habilidades cada vez mais requisitadas nos dias atuais do mundo real. Vale a pena poupá-la? Se você respondeu não, então vamos lá: Como fazer?

1. Deixe seu filho resolver os seus conflitos. Não se meta em briga de criança, a não ser que o conflito seja perigoso. Isto a fortalecerá, dará mais garra, ampliará a empatia, aumentará a sua autoconfiança, a flexibilidade mental e a ensinará a lidar com frustrações.

2. Não a deixe ganhar nos jogos ou dê tudo o que ela pede. Ensine-a a lutar por suas conquistas.

3. Dizer “não” faz parte das aprendizagens da vida. Quantos “nãos” escutamos pela frente? Além disso, saber ouvir “não”, também o ajudará a dizer “não” quando a pedirem para seguir na “onda”. Além de tão necessário quando temos consciência de que queremos estar alinhados ao nosso propósito, missão, visão.

4. Não fique perguntando ao seu filho o que cabe a você decidir. Não inverta os papéis. Uma criança pequena não tem condições de escolher o que quer comer, por exemplo. Ela ainda não sabe o que é bom à sua saúde, ao seu crescimento e desenvolvimento.

5. Coloque a criança no seu lugar. Ouvi de uma diretora de uma escola de educação infantil da Finlândia quando a questionei porque a escola não era adaptada ao tamanho da criança. Ela respondeu: “Aqui na Finlândia nós não abaixamos os adultos. Nós elevamos as crianças.” Hummm!

6. Frustrar-se é um aprendizado importantíssimo para a vida. E é melhor aprendermos desde pequenos. Ficar triste, não conseguir o que se quer, saber esperar o momento, tudo será importante para o hoje da criança como para o amanhã.

7. Não tenha medo de educar seu filho para enfrentar a vida. Apoie-o, mas não faça no seu lugar. Isto fará dele uma criança equilibrada, sem medo de desafios e disposta a enfrentá-los.

8. Quando algum projeto do seu filho não der certo, ensine-o a se levantar, a sacodir a poeira e a recomeçar, pois a vida real é assim, entre altos e baixos vamos nos constituindo seres cada vez melhores, não é?

Feliz novo mês. Bom trabalho! E até a próxima!

Leia também:

Por que assistir “Divertida Mente”

Dicas para ajudar na lição de casa

Não diga não! Por que?