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O discurso das jovens mães

O que gosto do discurso das jovens mães é a coragem com que expõem a realidade nua e crua da maternidade

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Foto: Istock

Mês de maio é mês que se vê e lê muito sobre o “Dia das Mães”. Insistimos, com razão, no discurso de que todos os dias somos mães e que não confundam nosso dia com chá de panelas. Mas algo anda me surpreendendo no que percebo e leio: o discurso e a ação das jovens mães.

Por muitos anos, foi incutido em nós que ser mãe era padecer no paraíso. Era um elogio à maternidade, que era uma maravilha, tipo família de propaganda de margarina. Nem nos levavam a perceber que padecer significava ser atormentado, sofrer de, ser afligido por algo. E, se alguma mãe não se sentisse no paraíso, era levada a crer que estava sendo incompetente e a saída era se encher de culpas. Claro, todo mundo sabia que quem se dizia no paraíso escondia ou não percebia as suas mazelas. E quase todas as outras mães lamentavam-se em culpas. Esta parte não mudamos muito. Culpa.

A mãe tinha dedicação exclusiva à família. O seu projeto de vida já era traçado assim que casava. Não, isto não faz tanto tempo! Quando queimamos os sutiãs começamos a mudar a nossa mentalidade e muito avançamos desde então, não só como mãe, mas como mulher. Hoje a mulher tem o seu projeto de vida e ter filhos faz parte dele, mas não é ele. A mãe tem vários outros papéis além deste. Claro que, as mães de outrora tiveram muito mais contato e tempo com os filhos do que temos hoje. Por outro lado, os filhos tem hoje mães mais complexas, com multitarefas, com diferentes responsabilidades, o que tem também o seu lado bom. Antes, creio que as mães investiam mais em habilidades sócio-emocionais. Hoje as vejo com mais habilidades cognitivas e estão realmente incríveis. Ser empoderada é bom, mas também tem o seu preço. E é alto. E delegar os filhos não é nada bom. Eles precisam de carinho e tempo. O ideal é claro, seria um misto das mães antigas com as atuais.

Mas, o que gosto do discurso das jovens mães é a coragem com que expõem a realidade nua e crua da maternidade, quebrando paradigmas. Elas tem a ousadia de dizer que a maternidade não é esta maravilha toda, afinal todo bônus tem seu ônus. E é transparente, pois retrata a realidade. Como seria a propaganda de margarina da nossa família? Noto ainda, em alegria, que elas não dizem mais que os pais as ajudam. Não! Parceria faz parte do pacote. Afinal ambos tem projetos de vida próprios. E nenhuma mãe nasceu sabendo trocar fraldas, cuidar de umbigo, curar dor de machucado do corpo e da alma. Assim como os pais. E, se não nascemos sabendo, se aprende. E as mães jovens sabem disso. Gosto ainda, como elas buscam mais conhecimentos para educar os filhos, e como se desdobram para dar-lhes o melhor e protegê-los ao máximo. O propósito é lindo e válido, mas noto aqui muitos erros que parecem acertos nesta relação entre mães e filhos.

Mas, eu tiro o chapéu às jovens mães, tão autênticas e tão abertas a experimentar a maternidade assim como para mim ela é: uma experiência de amor indescritível, uma mudança na essência da  vida, uma realidade com altos e baixos, assim como o eletrocardiograma em sinal de vida.

Feliz dia das mães a todas! Às jovens mães e às maduras! Feliz todos os dias!

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