Mãe de menino e mãe de menina: os ganhos dessa troca

A criação de uma menina e de um menino traz muitas controvérsias, por isso é um tema tão interessante

A frase “meninas vestem rosa e meninos vestem azul”, por exemplo, causa um certo desconforto em algumas pessoas. Eu, como mãe de casal, acho uma tremenda bobagem. A natureza sempre se encarregou de fazer as coisas e trazer detalhes pra nossa vida de uma forma, como o nome mesmo diz, natural. E quanto mais leve deixamos fluir, de maneira melhor acontece.

A maternidade de casal traz muitos aprendizados para a minha vida (Foto: Shutterstock)

Uma das coisas diferentes em criar menino e menina, que senti, foi o consumo. Gastei muito mais com a Sofia do que com o Noah porque existe uma infinidade maior de opções para elas no mercado infantil. É gritante a diferença e injusta na minha opinião. Dizem por aí também “meninas são mais tranquilas e meninos mais arteiros! Nem sempre. Acredito que cada criança tem uma personalidade, cada um com suas peculiaridades, que não têm relação com o gênero.

Quando a Sofia nasceu foi uma alegria imensa pra família. Primeira filha, primeira menina do lado da família paterna. Foi aquela cerimônia… Eu entupia ela de rosa, porque amo a cor, mas foi só ela crescer e entender que passou a escolher todas as cores menos rosa, rs… Sempre vestia ela de vestidos e laços e hoje ela ama usar moletons e camisetas e quanto maior melhor. Tenho muito orgulho da menina cheia de atitude que ela se transformou.

O Noah é uma figura, vive dizendo que rosa é de menina, biquíni é de menina, enfim, provavelmente replicando algo que falaram pra ele, ele adora brincar de carrinho, bola, bonecos, mas já o vi brincando com uma boneca velha da Sofia por exemplo, e perguntei o que a boneca era dele e ele respondeu “filha”. Ou seja, meninos têm instintos paternos e precisamos encorajar isso cada vez mais, porque é lindo ver.

Tá, no meu caso aconteceu da menina ser mais tranquila, mas já vi outros que não. E sim, confesso, menino a gente acaba tendo uns cuidados diferentes, criando digamos assim, de forma mais “livre”, podando menos, sem perceber. E, no nosso caso, com um agravante, o Noah é o segundo filho. Porém desencanamos de certas frescuras, como a compra de certos brinquedos, roupas, troca de móveis.

Os dois são muito independentes, por exemplo, Noah come sozinho há muito tempo, Sofia também era assim. Eu amo ser mãe de casal. E tento me desconstruir todos os dias para que haja direitos iguais em casa. Quero que eles sejam felizes. Que sejam pessoas que tenham empatia, respeito ao próximo e livres de preconceitos e certos medos. Que o Noah tenha consciência dos privilégios como homem, principalmente se hétero, e mesmo na condição de homem negro (de pele clara) mas ainda assim negro, e Sofia saiba o quanto ela é poderosa e importante para o desenvolvimento da nossa sociedade. Que continue sendo feminista como já é.

Enfim, não quero criar expectativas colocando responsabilidades em cima deles (mas já colocando), é só um desejo de mãe mesmo… Estou pronta para o próximo desafio, porque são muitos. Vem comigo?